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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Guia de sobrevivência em tempo de crise



Algumas dicas para sobreviver no Portugal pantanoso aonde políticos iníquos nos trouxeram. A começar por deixar de ler todos os jornais que tenham a palavra crise na primeira página, a única crise admitida é a de 1385, quando umas agências de rating castelhanas nos queriam fazer a folha, e demos a volta graças a uma padeira que nem tinha sido vistoriada pela ASAE. Também convém deixar de ver programas do Prós e Contras que convidem ex-ministros das finanças que contribuíram para o estado a que isto chegou, e falam sempre em cortes para os outros e nunca para as suas pensões douradas (aliás, em países a sério, muitos já teriam sido condenados por gestão danosa, e estariam a partir pedra no Alentejo, ao sol). Convém também deixar no lar de onde nunca devia ter saído o Dr.Medina Carreira, o velho do Restelo do regime. Com um olho para cada lado, arrisca-se a ser acusado de falta de visão.
Comprem-se sempre produtos nacionais, e biológicos se possível, volte-se aos mercados e feirinhas, e deixem-se as grandes superfícies para os viciados em McDonalds  e nouguettes, se tiverem um pouco de terra, façam uma horta biológica, a ver se os vossos filhos finalmente descobrem como é uma batata sem ser frita, ou um frango sem ser já assado. Recicle-se o lixo, compre-se por unidades, e não por paletes, usem-se mais transportes públicos, contribuem para diminuir os CFC para a atmosfera, e pode-se socializar mais com os vizinhos, tomando o pulso ao que dizem as pessoas quando não estão a praguejar no IC 19, porque a “bicha” não anda.
Sempre que oferecerem promoções no banco ou nos telemóveis, desconfie, e aconselhe-se primeiro, há muitos gatos para poucas lebres, e faça o que faziam os seus avós: compre um porquinho mealheiro, e ponha pelo menos 1 euro de parte todos os dias, é menos uma bica ou um cigarro, e reaviva algo que se perdeu há muito tempo: a poupança. Fuja dos cartões de crédito, e traga na carteira apenas o dinheiro necessário para as despesas previstas, e sempre em notas pequenas (também já não haverá assim tantas “grandes”…)
Se o seu clube perdeu um jogo, não culpe o árbitro, se calhar é porque merecia mesmo perder, e em vez de praticar desporto de zapping entre os canais desportivos no cabo, faça passeios a pé e vida de ar livre. Recomenda-se que não veja programas de comentário político mais que 1o m por semana, para manter a sanidade mental, e não exagere nas doses da Casa dos Segredos ou do Preço Certo, se além de teso, não quer ser considerado boçal. Leia autores portugueses, e deixe de lado os Dan Brown e Paulo Coelho, oiça música portuguesa boa, e esqueça todos os artistas que vão à a Praça da Alegria bater palminhas.
Confira as facturas e os códigos de barra nos supermercados, a ver se batem certo com os preços afixados, e faça voluntariado junto de quem mais precisa, em vez de engordar as operadoras com as chamadas de valor acrescentado. Reclame, sempre que não lhe expliquem os seus direitos, e seja exigente com o cumprimento dos prazos. A Administração está para servir e não para se servir. Reclame quando o seu autocarro vier atrasado, e não lhe derem sequer uma satisfação, exija obras de conservação nas estradas oneradas por portagens ilegítimas (e em todas), reúna mais com os seus amigos, em vez de passar horas no Facebook. E sobretudo, seja optimista, você tem na mão a chave para dar a volta às coisas, à noite na cama pense se é um cidadão ou um rato e pense na forma inteligente e organizada com os seus concidadãos de dar a volta ao seu país, capturado por rafeiros e vira-latas.

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