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sábado, 24 de novembro de 2012

O primeiro presidente da Câmara de Sintra


Máximo José dos Reis (n. Janeiro de 1769, filho de João Alberto dos Reis e Marianna Rita de Jesus Luís, falecido a 2 de Maio de 1849 em Sintra) foi o último Capitão-Mor de Sintra e Colares a desenvolver em plenitude as suas funções entre Agosto de 1813 e Junho de 1828 e o primeiro Presidente (da Câmara Municipal de Sintra) eleito do novo regime Constitucional estabelecido após a vitória liberal de 1833 e a aclamação de D. Maria II. Exerceu o mandato de presidente da Câmara até ao dia 4 de Janeiro de 1836. Apesar de pessoa discreta e regrada, Manuel Pinheiro Chagas, na sua História de Portugal denominou–o de «opulentíssimo»
Foi um grande proprietário rural e urbano, e possuidor das Quintas dos Pisões, Penha Longa, da Alegria ou Seteais, do Rio do Porto, do Ano Bom, da Portela e diversos edifícios na vila de Sintra, como o, ainda em funcionamento, Hotel Lawrence, tão ao gosto de Eça ou Byron. Nessas quintas desenvolveu uma grande actividade como produtor de laranjas e outros "frutos de espinho", que exportava para Inglaterra e França.
Máximo dos Reis cedo se destacou pela sua capacidade de iniciativa e disponibilidades financeiras, ajudando frequentemente os cofres do Real Erário em períodos de escassez de recursos e adquirindo, desde 1796, apólices da dívida pública. Contribuiu, durante as invasões francesas, com 120$000 reis anuais para o exército português, e frequentemente, abonou do seu bolso o magro cofre da Câmara Municipal de Sintra para fazer face a todo o tipo de despesas, nomeadamente de assistência aos expostos.
O seu casamento com D. Maria do Rosa do Carmo ocorreu, a 19 de Fevereiro de 1800, na Igreja de S. João Degolado da Terrugem. A noiva era filha do empreiteiro de obras públicas mestre canteiro Domingos Pereira e de sua mulher Maria Joaquina. Faleceu Nos Paços Reais de Sintra a 19 de Fevereiro de 1817 na sequência de problemas pós-parto no dia de aniversário de casamento.A propósito da mulher do Capitão-Mor  um excerto de um artigo de Sousa Viterbo publicado em 1908 no Arquivo Histórico Portuguêz :
Máximo José dos Reis era natural do Linhó, pequeno lugarejo próximo de Sintra, e da freguesia de S. Pedro da mesma vila. Muito novo foi para Sintra para ser caixeiro na loja, que hoje pertence a Jerónimo Ignácio Cintra. Casou depois com uma senhora de nome D. Maria Rosa do Carmo Pereira, do casal da Asneira, no lugar de Vila Verde, freguesia da Terrugem, do concelho de Sintra. Desse casamento houve quatro filhos, o 1. ° e o último meninas e o 2. ° e o 3. ° varões, morrendo de parto a mãe, pouco depois do nascimento da última filha. Foi essa senhora sepultada na igreja de S. Martinho da vila de Sintra, em sepultura que tinha o n. 9, sob a condição, imposta pelo capitão-mor e recomendada ao velho sacristão, de que dali não sairia senão para o jazigo, que seu viúvo ia mandar construir no cemitério de S. Sebastião, daquela vila, estabelecido no terreno de um seu pequeno casal desse nome, e que ele cedera à autoridade competente de então, sob a clausula de que esse seu jazigo ali se conservaria perpetuamente, o que se não dá presentemente, porque esse terreno foi já profanado, e nele vão construir a cadeia da vila! - A respeito do cadáver desta senhora deu-se um triste episódio, que é relatado do seguinte modo: havendo por esse tempo as lutas civis da liberdade, e sendo chamados às armas todos os mancebos aptos para esse serviço, a fim de formarem o batalhão nacional, o antigo sacristão Henrique José de Oliveira teve de partir para Lisboa para se alistar naquele batalhão já na sua ausência o coveiro da igreja de S. Martinho, sabendo que não havia nessa igreja nenhum coval vazio, abriu, por maldade ou estupidez, a sepultura n. 9, onde jazia o corpo de D. Maria Rosa do Carmo Pereira dos Reis, e, encontrando-o ainda intacto, tirou-o para fora, e, amarrando-lhe uma corda ao pescoço, o puxou, de rastos pelo pavimento da igreja, saindo a porta principal, indo deposita-lo na casa dos ossos (ossário) ao lado esquerdo da igreja, pequeno compartimento, muito arruinado, que ainda hoje ali se vê. Máximo José dos Reis, sabendo deste triste incidente, e como era já então autoridade em Sintra, mandou chamar, de Lisboa, o sacristão Henrique de Oliveira, censurando-o da incúria em não cumprir as suas ordens e encarregando-o de averiguar da veracidade do caso, que, sendo confirmado, o levou a mandar prender o coveiro, que foi processado e condenado. O cadáver de D. Maria Rosa voltou para a sua sepultura, e só de lá saiu muito mais tarde para o jazigo no cemitério de S. Sebastião
Máximo José dos Reis, não tinha estudos superiores, mas mesmo assim foi nomeado pela Junta Governativa do Concelho de Sintra em Junho de 1846 - após a revolta da “Maria da Fonte” - Juiz de Direito Interino. A Junta demitira o Juiz da Comarca Morais e Sousa que tinha participado na falsificação dos votos entrados nas urnas e “…era um dos mais salientes estorquidores do dinheiro do Povo…”.
O Sargento-Mor Policarpo de Fontes, preterido na corrida para Capitão-Mor em Janeiro de 1812, foi quem mais se movimentou contra Máximo, conseguindo o seu objectivo em 1828 no advento do miguelismo, e sendo nomeado Capitão-Mor depois de uma luta de 16 anos para conseguir o ambicionado cargo. No entanto, foi sol de pouca dura, pois algo de grave terá sido descoberto pela donatária da vila de Sintra, a rainha mãe D. Carlota Joaquina, que não se inibiu de o demitir em Maio de 1829, menos de um ano depois da posse; “que por justos motivos dignos da Sua Real Consideração e por não convir a Seu Imperial e Real Serviço houve por bem demitir do posto de Capitão-Mor das Ordenanças desta vila a Policarpo Joaquima de Fontes”. Terá nisso pesado o facto de Máximo José dos Reis ser compadre e grande amigo do almoxarife do Ramalhão João dos Santos, homem de total confiança (e não só…) da dita senhora?
Quanto à Quinta dos Pisões, Máximo adquire-a em hasta pública em 1810 depois de uma execução movida a António Valeriano de Souza Prego, Manuel Joaquim de Souza Prego e sua mulher D. Ana Justina de Freitas (a quem Máximo compra em 1811 as casas e quinta do Campo Semite de Seteais, num processo litigioso onde também participam Francisco Pedro de Souza Prego e Fernando Arsénio de Souza Prego).Em 1828, dois dos filhos que consigo aí viviam tiveram destinos trágicos. O filho mais velho, suicidou-se num tanque. O mais novo, estudante em Coimbra, entrou num atentado promovido por um grupo liberal chamado os "Divo dignos" contra uma diligência que trazia a Lisboa professores daquela cidade para um beija-mão a D. Miguel, de que resultaram mortos e a prisão do mesmo, Domingos Joaquim de seu nome. Consta que preso e tendo pedido ajuda a seu pai, o mesmo recusou achando que o filho deveria pagar pelos seus actos, o que terá motivado uma maldição do filho contra a família e o seu património.
Lenda ou coincidência, o certo é que morto o último capitão-mor de Sintra em 1849,a Quinta por falta de descendentes directos acabou na posse dum William Galway que morreu internado num manicómio nos Estados Unidos. Um filho deste acabou por vender os Pisões que assim foram parar a estrangeiros e fora da família.

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