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domingo, 25 de novembro de 2012

A solidão de Firmino Miguel



Quem diariamente passe a pé a caminho da Vila de Sintra, descendo a chamada Correnteza, depara com um busto solitário ali colocado para homenagear o general Mário Firmino Miguel, militar e natural de Sintra, ainda hoje anualmente recordado por um grupo de conterrâneos que em sua memória se reúnem num jantar.
Desde muito novo, e abraçada uma carreira militar, que o jovem oficial Mário foi orgulho para seus pais e amigos, descrevendo frequentemente o inevitável Jornal de Sintra as suas idas e vindas do ex-Ultramar quando frequentemente voltava a casa, naqueles idos de sessenta. O 25 de Abril catapultou-o para a ribalta da política. Próximo do Presidente Spínola, foi nele que o velho general pensou quando se tratou de substituir o truculento Palma Carlos como primeiro ministro, em 1974, sendo ultrapassado pela Comissão Coordenadora do MFA, que na altura apostou em Vasco Gonçalves. Afecto a Spínola e aos militares moderados, colocou-se do lado dos que acabaram vencedores em 25 de Novembro, e no período constitucional, integrou como ministro da Defesa os três primeiros governos constitucionais (foto abaixo). Moderado, inteligente e amigo dos seus amigos, foi com consternação que em 1991 se recebeu a notícia do seu falecimento, aos 59 anos, num triste acidente de automóvel na então famigerada “curva do Mónaco”, no Estoril, quando muito haveria ainda a esperar dele.
A patina do tempo, inexorável, empalideceu o seu exemplo e memória, subsistindo aquele silencioso busto, por quem muitos passam sem saber quem foi, e que poucos sintrenses relembram já, passados 20 anos da sua morte. Tarde ou cedo, são os pombos os melhores amigos dos sobreviventes da História.
I Governo Constitucional de Mário Soares (1976). Firmino Miguel é o primeiro à esquerda, sentado. Ao lado, Henrique de Barros e Mário Soares. Atrás, da esquerda para a direita, Almeida Santos, Mota Pinto, Nobre da Costa,Medeiros Ferreira, António Barreto, Costa Brás, Medina Carreira e Almeida Pina.

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