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sábado, 10 de novembro de 2012

A homenagem a João Mello Alvim



A Câmara Municipal de Sintra vai homenagear no dia 16, na Casa de Teatro de Sintra, o encenador e homem do teatro João Mello Alvim, figura presente e de referência no panorama local desde há mais de 30 anos. Passando pelo teatro CIDRA, nascido na Escola Secundária de Santa Maria, em 1981, com “Amor de curtição”, a direcção da Sociedade União Sintrense, onde igualmente apresentou espectáculos (“Um Pedido de Casamento “ de Tchekov, ou “O Último Acto” de Camilo Castelo Branco, em 1985) e a criação do Chão de Oliva, em Julho de 1987, que incluiu o Teatro da Meia-Lua (representante de Portugal num festival de teatro amador no Mónaco, em Julho de 1988) e a Escola de Iniciação ao Teatro. Quem viveu em Sintra nesses anos recordará o pouco teatro que então se fazia, e a pedrada no charco que foram peças como “Comunidade” de Luís Pacheco no Casino, ou as levadas à cena no antigo Carlos Manuel depois de Fevereiro de 1991 ( “Maçãs do Mar” “Grande trabalho é viver” “O Falatório de Ruzante” “A Fé nos Amores” “A Birra do Morto”,"O Mistério da Estrada de Sintra", "O Auto da Índia", "Não se paga! Não se paga!" e muitas outras, onde em várias pontificou a malograda Maria João Fontaínhas, ou actores como Alfredo Brissos. 

Dotada de uma casa em permanência, inaugurada em Outubro de 1999, (foto acima) na Casa de Teatro de Sintra, a marca Chão de Oliva estendeu-se a outras vertentes, como o teatro de marionetas ou os alojamentos de companhias visitantes, sempre em ligação com outros actores e grupos de teatro que entretanto foram surgindo, como o Utopia Teatro, os Tapafuros, a Casa das Cenas ou o teatromosca, continuando João Alvim a ser presença de referência, fosse na cena teatral, fosse colaborando com a imprensa local, nomeadamente no Jornal de Sintra. Sabe-se a sua aversão a homenagens, contudo, mal andaria a comunidade através dos seus representantes se deixasse passar em claro o trabalho incansável e nem sempre recompensado de alguém que trouxe uma lufada de ar fresco a uma Sintra até então palco apenas do teatro das sociedades, do qual herdou o entusiasmo, enriquecendo-o com técnica e dramaturgia, e obrigando os cultores do mainstream de Lisboa a fazer o percurso inverso, para em Sintra assistir a bom teatro. Levante-se pois o pano e acendam-se as luzes da ribalta para o Senhor Teatro. Sintra deve-lhe essa homenagem.

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