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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Governo de Cabelo Branco



 O antigo ministro Mira Amaral considera que Portugal "tem que trazer para o Governo pessoas com experiência política", pagando-lhes a "média declarada no IRS nos últimos três anos" e defendendo a necessidade do Executivo integrar gente "de cabelo branco", e não um "conjunto de académicos" inexperiente. Pouco faltou para dizer que o ideal seriam ex-ministros de Cavaco Silva, administradores de bancos angolanos, ou que expelissem perdigotos quando abrem a boca mastigando as palavras, perfil em que o “branqueado” Mira Amaral cabe perfeitamente, abdicando assim do sossego dos privilégios e sinecuras, para, desinteressadamente, vir salvar o país destruído pelos incompetentes de cabelo escuro, alguns a caminhar para o grisalho.
Talvez não seja demais lembrar que a tal gente de cabelo branco de que agora fala o humedecido Amaral, foi quem conduziu o país ao actual estado de coisas, quando tinha a trunfa um pouco mais escura, e a algibeira, por certo, mais vazia. Lembremos o hoje branco cabelo de Ferreira do Amaral, apostado na época em manter o mapa do ACP desactualizado; o “cabelo branco” Catroga, o amigo dos chineses, e branco já de longa data; os “brancos” Freitas do Amaral, Miguel Cadilhe, Armando Vara, Pina Moura, Teixeira dos Santos, Medina Carreira, Valente de Oliveira, etc, “brancos” para quem a vida não veio a ser nada negra, e por causa de quem os portugueses estão hoje mais brancos que a cal da parede.
E depois, há que não ser racista em matéria capilar, não se vão ofender os potenciais “salvadores” dum também potencial Governo Careca, crânios destapados como António Vitorino, Miguel Beleza, Mário Lino ou Duarte Lima, ou até as emergentes vestais dum estimulante Governo de Loiras (incluindo as falsas loiras), com Assunção Esteves, Paula Teixeira da Cruz ou Maria de Belém. Para Mira Amaral, esse português desinteressado de questões materiais, importante é afastar o Governo Fedelho, sem Mota Soares, Assunção Cristas, Marco António ou até Passos Coelho, e nunca por nunca ser, dar posse a um Governo Académico, com os teóricos Álvaro, Crato ou gente que cheire a universidade, e pública, então, nem cheirá-la.
Avancemos pois para o tal Governo de Cabelo Branco, assessorado por belas enfermeiras transportando a arrastadeira, e jovens adjuntos portadores da balsâmica colher de xarope, desde já se propondo que se procurem directores-gerais e chefias em tudo o que é lar na Área Metropolitana de Lisboa, ou entre a assistência do Natal dos Hospitais ou do Você na TV.
Já quanto ao vencimento, o comedido Amaral não é exigente, apenas pedindo a média declarada no IRS dos últimos 3 anos, a juntar às míseras 5 ou 6 pensões auferidas por serviços prestados ao país pelos futuros veneráveis governantes de alva trunfa. Por mim, deixo uma sugestão: branco por branco, façam um governo com o Pai Natal nos Negócios Estrangeiros, o Gepeto na Indústria, Vasco da Gama na Marinha, Einstein na Ciência ou Leonardo da Vinci na Cultura, tudo gente de cabelo branco de provas dadas. A esses, aceito que dêem carta branca. Quanto a Mira Amaral, deixem-no tranquilo no bar do Gambrinus, a ele e àqueles vários que só queriam que lhe saísse branco, neste imenso e intervencionado Pátio das Cantigas.

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