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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Zink, o Irónico



Rui Zink continua irónico e subtil e isso ficou patente na sua passagem pela tertúlia que a Alagamares promoveu no Café Saudade, em Sintra, moderada por Miguel Real.
Discorrendo em torno do papel do escritor e dos ódios de estimação que muitos cultivam entre si, durante 2 horas foi passando revista à maneira de ser português, tendo afirmado mesmo que a relação de Vasco da Gama com o Adamastor foi uma relação de extremo amor e classificando Vasco da Gama como o pai da psicanálise em Portugal. Sobre Saramago, tempo para discorrer sobre amores e ódios nutridos por Lobo Antunes, e do stresse que é ser um escritor nobelizado, fiel à imagem do patrono de causas, venerado nos altares das livrarias. Admirador do Sr.Oliveira da Figueira, o português caixeiro viajante dos álbuns de Tintin, sempre em tom bem humorado, Zink confessou-se um escritor de sucesso, traduzido em várias línguas e por isso  já com estatuto para uma casa na Provença, benefício de que muitos dos seus colegas indígenas ainda não desfrutarão, os trastes…, trazendo boa disposição aos presentes. Sempre num registo de ironia, falou de Dário Fo, de Don DeLillo, de Hertha Muller, e da temporalidade da literatura, travestindo uma postura diletante e displicente e assumindo-se um pouco docente também, num serpentear da palavra que me trouxe à memória Pedro Paixão, Woody Allen, Diniz Machado ou esse seu counterpart Miguel Esteves Cardoso. Foi uma noite sem (muita) má língua, mas onde também as questões da língua escrita se colocaram de forma bem falada, e em dia de manifestação de protesto, um final de noite aproveitado para ladrar a algumas caravanas que por aí passam…Mas com elegância, como é próprio de quem passa férias na Provença…
Se a ironia é o pudor da Humanidade, como escreveu Pessoa, ela é também o principal indício de que a consciência se tornou consciente. No fundo, não se pode levar a vida muito a sério. É preciso não esquecer que a vida, afinal, nasceu de um momento de gozo…

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