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sábado, 5 de janeiro de 2013

Nos 40 anos do Expresso



O Expresso, que agora completa 40 anos, inaugurou em Portugal um estilo que veio para ficar: não só aprofundou o jornalismo de investigação, como, pelo impacto das suas manchetes ou artigos de opinião marcou a agenda política, criando ou antecipando factos políticos e elaborando cenários, tão ao gosto de Marcelo Rebelo de Sousa, fundador e um dos principais editorialistas dos primeiros anos. Foi com o seu exemplo pioneiro que depois surgiram O Tempo ou O Independente , por exemplo, tendo o Expresso, contudo, resistido a todos eles, pela sobriedade da sua abordagem dos assuntos e consistência das reportagens. Dele retenho como emblemáticas as corrosivas crónicas de Marcelo, a coluna social, o cartoon de António ou os Bilhetes de Colares, colunas que sempre procurava em primeiro lugar ao adquirir o jornal, com os tempos cada vez mais espesso, e, quanto a mim, com um exagerado número de cadernos, a carecer do já incontornável saco de plástico para o seu transporte e de uma mesa de café para o poder abrir.

Não se ignora que na sua redacção ou nas suas páginas se fizeram e desfizeram governos, lá no Procópio ou Botequim, e que, sob a batuta de Francisco Pinto Balsemão ali nasceu um dos principais grupos empresariais portugueses da comunicação social. Mas tal ficou a dever-se também à sua génese oportuna como jornal arejado e liberal, prenunciador de novos tempos e insuspeito de manipular opiniões, deformar o carácter de pessoas ou negar o permanente contraditório nos grandes temas da sociedade portuguesa.

Hoje ainda, não passa um fim de semana que o noticiado pelo Expresso não domine o universo noticioso da semana seguinte, atenta a qualidade e persistência dos seus jornalistas e a clara ligação entre jornalismo e política, mais vincada em jornais como o Expresso do que noutros, sem contudo descurar a qualidade de cadernos como o ACTUAL ou o caderno de Economia.

Parabéns pois ao Expresso, e que continue como refrescante veículo de pluralismo e modernidade, apesar de um ou outro Baptista da Silva a que ninguém está imune.

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