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sábado, 4 de junho de 2011

O Salão de Galamares, glória nos anos 20

Existe em Galamares um cineteatro datado do princípio do século, onde durante anos, mercê da generosidade do visconde de Monserrate se realizaram récitas musicais, teatro amador, cinema, etc, num espaço romântico de fim de século, com balcão e plateia, decorado com pinturas murais e baixos- relevos.
O restauro deste espaço é importante. Trata-se do único espaço público de Galamares, ali tocou Viana da Mota em 1923,e se fez teatro desde 1920. Sobre o mesmo teatro e sua actividade, escrevia o “Ecco Artístico” em Dezembro de 1924:
“Todos os que frequentam a pitoresca villa de Cintra conhecem o verdejante logarejo de Gallamares, na estrada nova de Collares.Situado entre quintas e prados floridos, a sua disposição é lindíssima, apresentando toda esta região um aspecto rústico e cheio de frescura, que caracteriza o nosso campo.
Pois n’esta pequenina aldeia, semi escondida entre arvoredos, existe um theatro há pouco construído, digno de ser anotado nas colunas do Ecco(….).A ideia da construção do theatro data de 1916.O Sr Guilherme Oram, intelligente administrador das propriedades do Visconde de Monserrate é a alma d’esta iniciativa artística. Grande amante de tudo o que se relacione com o theatro, já há muitos annos que nas épocas das ferias da escola de Monserrate organisava recitas no salão d’essa escola, recitas em que se representavam comedias mais ou menos applaudidas. D’essas noites bem passadas veio a verdadeira origem da construcção d’um pequeno theatro  onde se podessem entreter as principaes famílias d’aquelles sítios,aliando-lhe o sympatico fim de tirar os operários das vias do jogo e da taberna, por isso que lhes proporcionava um passatempo agradável, pois Guilherme Oram pensou e pensa em organizar um orpheon para aquella gente humilde e trabalhadora poder cantar os cânticos das nossas províncias, as quadras nascidas na alma triste e romântica do nosso povo.
O theatro em pouco tempo appareceu, tendo trabalhado n’elle com raro denodo os operários de Monserrate, sob a direcção de Guilherme Oram.Antonio Graça, mestre dos pintores da casa Monserrate, pintou os panneaux da salla e o panno de boca. Infelizmente, este artista morreu pouco tempo depois da inauguração do theatro.Os restantes scenarios teem sido pintados por Júlio Fonseca e Garibaldi Martins, que teem demonstrado muita habilidade e fino gosto.
O sr.Oram com o seu ideal artístico assim realizado, tem organizado recitas muito interessantes, e já neste theatro deu um recital de piano o pianista Vianna da Motta.
O verão passado fomos pela primeira vez ao theatro Monserrate, em uma noite em que se representou uma revista em 2 actos e 3 quadros, intitulada Sem pés nem cabeça, critica engraçada aos costumes e pessoas conhecidas de Cintra, original de José Teixeira. Este novel escriptor soube produzir uma revista cheia de ditos engraçados e de profunda critica, sem nunca usar d’um termo picante, obsceno, caso raro entre nós!
Todos os amadores representaram com distinção, tendo havido números muito bem cantados; no entanto, devemos destacar D.Lily Pereira Teixeira, D.Delfina Domingues, D.Umbelina Silva, D.Amalia Cardoso, Jose Teixeira, Francisco Cardoso e Urbano James.
                                              Guilherme Oram
Os compéres foram Guilherme Oram e Eduardo Fructuoso, que mais pareciam artistas feitos do que simples amadores.
A sra D.Maria do Carmo Cunha Fructuoso acompanhou no piano todos os trechos da revista, com a maxima correcção.

3 comentários:

  1. Já lá toquei em 1965, já por essa altura estava num estado que roçava a ruína. Era pertença (salvo erro) da firma DUARTES, se ninguém lhe deitou a mão e fez as obras necessárias, é mais uma parte de Sintra que morreu.
    É pena perderem-se estes espaços, a vontade e o dinheiro não chegam para tudo, o povo de Galamares também não foi capaz de manter obra tão rica.

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  2. Felizmente está recuperado- a imagem acima é de agora. Vai ser reinaugurado este ano.

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  3. Ainda bem, porque era (é) de facto um espaço lindo. A ALAGAMARES, deve ter muito, eventualmente tudo, a ver com esse facto, do restauro. Porque estava destinado a morrer abandonado.

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