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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cultura em Portugal: os números


Em 2009, 10,8% da população residente com 15 ou mais anos não tinha escolaridade e apenas 11,2% dos residentes nessa faixa etária tinham um diploma de curso superior. A taxa de abandono escolar precoce era de 31,2%, e registavam-se 14,8 doutoramentos por 100.000 habitantes (51,6% de mulheres). Os docentes do ensino básico e secundário  ascendiam a 159.755 (74,5% mulheres) e os do ensino superior a 36.215( 43,5% mulheres).
No plano da cultura enquanto se registavam 1477 espectadores de cinema por 1000 habitantes, apenas 170,8 iam ao teatro e 897,7 visitaram museus e editaram-se 11548 títulos.
Estes números quando analisados num enfoque geográfico demonstram os progressos dos últimos anos, mas um Portugal altamente litoralisado e desigual. A despesa em Investigação e Desenvolvimento ascendeu a 1,7% do PIB, tendo-se publicado 94,8 publicações por mil habitantes. 47,9% dos lares possuíam ligação à Internet, número que ascendia a 58,8% no caso das empresas. Um caso digno de nota: num país com 10.600.000 residentes, existiam 16.051.044 assinaturas de telemóvel.
O Sector Cultural e Criativo reportado ao ano de 2006, registou um valor acrescentado bruto (VAB) de 3.690,679 milhares de euros, sendo responsável por 2,8% de toda a riqueza criada nesse ano em Portugal, superior, por exemplo, ao contributo dado pelas indústrias alimentares e bebidas e ou a dos têxteis e vestuário. No que se refere ao emprego o Sector Cultural e Criativo era responsável, em 2006, por cerca de 127 mil empregos( 2,6% do emprego nacional total, tendo criado no período 2000- 2006, cerca de 6500 empregos, um crescimento de 4,5%, que traduz uma evolução particularmente positiva, num contexto marcado por um crescimento cumulativo do emprego de apenas 0,4%, à escala nacional.
As Indústrias Culturais constituem o principal domínio de actividades do Sector Cultural e Criativo(80%), enquanto as Actividades Criativas e Actividades Culturais Nucleares  representam, respectivamente 14% e 8%. O núcleo-duro das indústrias culturais ( edição e da rádio e televisão)é  por si só, responsável por um pouco mais de metade do valor acrescentado produzido em todo o Sector Cultural e Criativo.
A leitura destes números permite concluir que o núcleo-duro do sector cultural em sentido mais restrito (artes e património) apresenta, ainda, uma dimensão demasiado estreita, alcançando, em 2006, uma criação de valor acrescentado bruto de apenas 277 milhões de euros( 0,2% do total).
O contributo do domínio das actividades criativas é liderado pela Arquitectura e Serviços de Software (0,7% para cada um dos subsectores); As Artes do espectáculo (3,9%) e as Artes Visuais e Criação Literária (2,7%) constituem os sectores mais relevantes no domínio das actividades culturais nucleares.
O dinamismo de criação de riqueza (VAB) do Sector Cultural e Criativo  foi  traduzido num crescimento cumulativo nesses 6 anos de 18,6%, isto é, numa taxa média de crescimento anual de 2,9%, com realçe para o crescimento sustentado das Actividades Culturais Nucleares, de 10,9% ao ano ( Artes do Espectáculo mais 13%, mas também o crescimento significativo das Artes Visuais, Criação Literária e do Património Cultural (de 9,1% e 8,6%, respectivamente). O ritmo de crescimento destas actividades, resultou num aumento muito significativo do seu peso relativo no valor acrescentado pelo Sector Cultural e Criativo, que passou de 4,8%, em 2000, para 7,5%, em 2006.
 As Indústrias Culturais conheceram no seu conjunto, entre 2000 e 2006, uma taxa média de crescimento anual de 14,7%,destacando-se os subsectores do Cinema e Vídeo e do Turismo Cultural que conheceram taxas de crescimento médias anuais de 6,3% e 4,1%, respectivamente, enquanto, com desempenhos menos positivos se destacam a Música (taxa de crescimento média anual negativa de 2,0%), seguida da Rádio e Televisão e a Edição (apenas 0,9% e 1,8%, respectivamente).
No que se refere ao emprego as Indústrias Culturais surgem, como o mais importante empregador do Sector Cultural e Criativo, concentrando 79,2% dos postos de trabalho, enquanto os domínios das Actividades Culturais Nucleares e das Actividades Criativas representavam 10,5% e 10,2% do emprego total do sector, respectivamente.A distribuição subsectorial do emprego no Sector Cultural e Criativo, em 2006, indica a Edição como o sector mais significativo (31,7 % do emprego), seguindo-se as actividades relacionadas com os Bens de Equipamento e a Distribuição e Comércio, com um peso de de 16,3% e 13,3% do total. O número de trabalhadores que desempenham profissões culturais ou criativas em sectores não culturais ou criativos ascende a 9.482, correspondendo a 7,5% do total do emprego do Sector Cultural e Criativo.
No domínio das Actividades Culturais Nucleares, as Artes Visuais e Criação Literária e Artes do Espectáculo constituem os sectores mais empregadores, com um peso de 4,8% e 4,7% no conjunto do Sector Cultural e Criativo.
O período em análise (2000-2006) evidencia um crescimento muito significativo do emprego no domínio das Actividades Culturais Nucleares, com particular relevância para Artes do Espectáculo (7,7%) e Arte Visuais e Criação Literária (6,6%). O emprego nas Actividades Culturais Nucleares, que correspondia, em 2000, a apenas 7,4% do total do emprego do sector em 2000, já representava, em 2006, 10,5%, ultrapassando o peso relativo das Actividades Criativas, em termos de emprego, no total do Sector Cultural e Criativo.
O crescimento cumulativo do emprego, no período 2000-2006, no domínio das Actividades Criativas alcançou um valor de 6,1%, globalmente superior ao registado pelo conjunto do Sector Cultural e Criativo (4,5%), embora de forma bastante desigual nos seus diferentes subsectores, devendo destacar-se o crescimento particularmente forte dos sectores do Design e da Arquitectura (taxa média anual de 6,4% e 5,4%, respectivamente) e, em oposição, o crescimento mais lento do emprego cultural e criativo nos restantes sectores da economia (taxa média anual de 0,4%).
O domínio das Indústrias Culturais apresentou, pelo seu lado, uma evolução mais tímida do emprego, que conheceu, entre 2000 e 2006, um crescimento cumulativo de apenas 0,4%, tendo, consequentemente, perdido peso no conjunto do Sector Cultural e Criativo, passando de 82,5% para 79,2%.
A evolução menos positiva do emprego neste domínio explica-se pelas dificuldades conhecidas pelo subsector dos “media” que no seu conjunto, terá perdido cerca de 3500 postos de trabalho, evidenciado pelas taxas médias de crescimento negativas registadas pelos subsectores da Edição (-1,3%), da Música (-3,7%) e da Rádio e Televisão (-0,2%). Os restantes subsectores das indústrias culturais registaram, ao contrário, taxas médias anuais de crescimento do emprego positivas, nomeadamente nas actividades ligadas à produção, distribuição e comércio de Equipamentos (1,5%), no Cinema e Vídeo (1,0%) e, sobretudo, no Turismo Cultural (2,5%).
O Sector Cultural e Criativo acompanha a tendência geral de atomização do tecido empresarial português, sendo que cerca de 87% do total de estabelecimentos considerados têm menos de 10 trabalhadores, valor que se alarga para 93% nas actividades culturais nucleares evidenciando, desse modo, um claríssimo predomínio das micro e muito pequenas empresas/organizações neste domínio subsectorial.
O emprego apresenta-se mais qualificado do que o referencial médio da economia portuguesa, sendo que 17% dos trabalhadores possuem habilitações de nível elevado. Nas actividades nucleares e indústrias culturais os subsectores da rádio e televisão e do património histórico e cultural são os que apresentam um maior peso relativo das habilitações de nível superior (25%);
As exportações de serviços criativos e culturais com origem no mercado português ascenderam a 870 milhões de dólares, aos quais somam-se 60 milhões associados a direitos de propriedade. Ao contrário do verificado ao nível dos produtos, a taxa de cobertura das importações pelas exportações de serviços registou uma tendência crescente na última década, em virtude do dinamismo das exportações de serviços de publicidade e arquitectura que, em 2005, representaram cerca de metade do total de exportações nacionais de serviços criativos e culturais.As exportações contabilizadas através dos direitos de propriedade registaram igualmente um significativo crescimento, mas é ao nível das importações que esta categoria assume maior expressão.

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