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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Che Guevara e um mojito




Passam hoje cinquenta anos da morte de Ernesto Guevara, “El Che”, guerrilheiro e revolucionário que uma morte prematura lançou no mundo da Lenda. Che Guevara foi para muitos um ídolo, um rebelde com causas e uma personalidade inquieta que o levou da Argentina natal à Sierra Maestra, do Congo à Bolívia ou onde uma luta de libertação precisasse de um voluntário ardente, um abraço fraterno e um braço armado, nesse Grande Tempo das Utopias. Num mundo de Beatles, Sartre, Woodstock , do Maio de 68 ou até da madrugada de Abril, os trepidantes anos 60 tiveram os seus heróis e amanhãs que cantam, e a Liberdade passou a andar por aí. Enviesada, para alguns iluminados pela estepe russa, calorosa e engajada, para os barbudos de Havana, lírica e generosa, para os hippies e pais do flower power libertário num mundo de guerras frias e conflitos quentes, envolto em LSD em Londres, lançando napalm em Saigão ou empolgando soixante huitards em Paris.

Do Che ficaram as canções militantes, o exemplo do herói caído em combate, como Garcia llorca, Vitor Jara ou Salvador Allende, a quem pegando nas armas outros seguiram até à vitória talvez final. O mundo mudou, porém, os revolucionários aos vinte viraram conformados aos quarenta, e a revolução ficou para ouvir em fim de tarde com um mojito ao lado, sonhando os mundos que não vieram. E Che entrou para a História, qual Cristo crucificado nas selvas bolivianas logo ressuscitado nas Sorbonnes e Woodstocks deste mundo. Viver precisa de causas e as causas carecem de heróis. Hasta sempre, Comandante!

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