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domingo, 19 de junho de 2011

Sintra: Turismo ou Excursionismo?


A oferta hoteleira em Sintra desde 2010 passou a ser de 2246 camas, e uma das ferramentas disponíveis para a sua ocupação é o portal Sintra Capital do Romantismo e a plataforma de alojamento Sintra Inn, criada para organizar a oferta hoteleira da região. Com este centro de facilidades para promotores de alojamento local pretende-se transformar as visitas em dormidas, prolongando as estadias já que presentemente apenas 10 por cento dos visitantes pernoitam na vila, transformando a plataforma de alojamento Sintra Inn numa central de reservas de alojamento. Sintra complementa a oferta turística da Grande Lisboa, no âmbito do Turismo Cultural, City Break e Golfe e é esse o nicho alvo das actuais políticas locais de apoio ao turismo.
Como é sabido, não é de hoje a ideia instalada de que em Sintra se faz excursionismo, e as dormidas são em Lisboa e Cascais. Tal ocorre por diversos factores, como a perda de interesse de Sintra enquanto destino de praia (tirando o surf ou o bodyboard), a proximidade de Lisboa (para os turistas nacionais), ou a falta de oferta de eventos permanentes, exceptuando o período estival. Para contrariar isso há que apostar em eventos o ano todo (turismo cultural, congressos, residências para artistas, golfe e turismo de natureza) bem como uma diversificação de equipamentos hoteleiros de qualidade intermédia, que satisfaça a procura do turista de bolsa mediana, longe do luxo de Seteais ou da Penha Longa, mas também das pensões bed and breakfast, e  nicho cada vez mais importante na fixação de postos de trabalho e para o crescimento das dormidas e estadias superiores a 1 dia.
Igualmente se tem descurado um segmento importante no campo da oferta: o campismo (não há um parque de campismo digno desse nome em todo o concelho, aguardando o degradado espaço da Praia Grande pelo tal equipamento de 4 estrelas há muito prometido e consagrado no Plano de Ordenamento do Parque Natural de Sintra-Cascais) e o turismo jovem (desde que encerrou a pousada de juventude em Santa Eufémia reduzido a alguns alojamentos tipo hostel). Também a restauração e a oferta de diversões é dispersa e desnivelada, com amplitudes muito vastas de qualidade e preço, entre o muito bom e caro e o medíocre e igualmente caro. Até lá, Sintra continuará a ter muitos visitantes, é certo, mas sobretudo excursionistas de meio-dia, que por cá pouco consumirão, ou pelo menos, muito abaixo das potencialidades locais de crescimento. A mudança de tal estado de coisas (e que a valorização e recuperação do património edificado deve acompanhar, para mais "vendendo-se" o estatuto de património classificado) é o trabalho interdisciplinar em que todos (políticos, comerciantes, hoteleiros e animadores culturais) deverão estar concentrados.

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