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sábado, 18 de julho de 2015

Nos 600 anos da morte de Filipa de Lencastre





A 19 de Julho de 1415, passam amanhã 600 anos, falecia em Odivelas D. Filipa de Lencastre, filha de João de Gant, e rainha de Portugal através do casamento com D. João I, celebrado em 1387 no Porto e acordado no âmbito da aliança luso-inglesa, e na sequência do qual passou a receber as rendas da alfândega de Lisboa e das vilas de Alenquer, Sintra, Óbidos, Alvaiázere, Torres Novas e Torres Vedras.

João de Gant viu no Portugal  de D. João I um importante aliado para os seus interesses castelhanos, e acreditava que, ao casar com Constança, herdeira do rei Pedro I de Castela, em 1372, tomaria posse do trono. Contudo, o lugar estava ocupado até 1379 por Henrique II, meio-irmão de Pedro I, e, posteriormente pelo seu filho, João I de Castela. A aliança também era favorável a D. João I, pois garantia apoio à independência portuguesa face a Castela, concretizada após a celebração do Tratado de Windsor, em 1386, e que vigora até hoje. 
O casamento entre Filipa e D. João I em Fevereiro de 1387 selou a mais velha aliança do mundo.Escoltada por nobres ingleses e portugueses, Filipa foi conduzida ao Porto, onde, de acordo com a Crónica de El-Rei D. João I, foi recebida com grandes festejos. Alguns dias depois, D. João chegou à cidade e os dois puderam conversar e trocar presentes. Após o casamento, a festa continuou por mais quinze dias.

D. Filipa por várias vezes assumiu o exercício do governo representando o marido, uma vez que ele estava frequentemente ocupado em operações militares, e correspondeu ao papel esperado duma rainha medieval, ao assegurar a continuidade da linhagem, incitando a valorização da cultura nos seus filhos.

Do seu casamento, nasceram Branca de Portugal (1388-1389), que morreu jovem, antes de completar um ano de idade; Duarte I de Portugal (1391-1438), sucessor do pai no trono português; Pedro, 1.º Duque de Coimbra (1392-1449), um dos príncipes mais esclarecidos do seu tempo, regente durante a menoridade do seu sobrinho, o futuro rei D. Afonso V, morto na batalha de Alfarrobeira; Henrique, O Navegador (1394-1460);Isabel (1397-1471), que casou com Filipe III, Duque da Borgonha; João, (1400-1442), condestável de Portugal e avô de Isabel de Castela;  e Fernando, o Infante Santo (1402-1443), que morreu no cativeiro em Fez.

No início de 1415 a peste bubónica invadia Lisboa e Porto. Os reis refugiaram-se em Sacavém, mas os longos e frequentes jejuns, orações e vigílias da rainha enfraqueceram e debilitaram o seu corpo, e a peste acabou por chegar a Sacavém. O rei abrigou-se em Odivelas, mas a rainha preferiu ir depois. Quando chegou, em Julho desse ano, já estava doente. De acordo com Gomes Eanes de Zurara, D. Filipa sentiu a morte aproximar-se, e preparou-se para a viagem eterna: confessou-se, comungou, e recebeu a extrema-unção, acabando por falecer no dia 19 de Julho. Inicialmente sepultada em Odivelas, no ano seguinte, os seus restos mortais seguiram para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória.

Em Sintra, e já doente, ainda assistiu aos preparativos da tomada de Ceuta, quando Álvaro Gonçalves Camelo através duma maqueta de favas e areia explicou a D. João I como poderia aquela praça africana ser tomada. Contudo, já não viu a partida do exército de mais de 20 000 cavaleiros e soldados portugueses, ingleses, galegos e biscainhos, que largaram de Lisboa, a 25 de Julho de 1415, em 59 galés, 33 naus, e 120 embarcações pequenas, levando uma esperançosa geração que incluiu os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, além do condestável D. Nuno Álvares Pereira. Morria Filipa quando Portugal partia para fazer do Mar Oceano durante séculos um imenso lago português.

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