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sábado, 25 de agosto de 2012

Volta do Duche


Formigando vêm e vão, a medo torneando o Grande Fosso onde banhos purificadores hoje fantasmas espreitam, miram estátuas, casas, o verde esmagador, frémito da natureza perto do burgo encantado. Anárquicos tiram fotos, com palácios, com árvores, com eles, registo furtivo do dia em que bafejados contemplaram a eternidade, de carro, de trem, a pé, de mão dada, olhar em torno, plantas sorrindo, garbosas e ternas, loquazes a manjar apetitosos doces. Pigmeus, privaram com os duendes e as secretas sentinelas da Floresta Feitiçeira: a sacerdotisa Llansol e o Grande Maior, o Zeus das árvores encimado pelo céu, logo um asténico Cruges, pena de pato aflita e trepidante, Herculano taciturno, Nunes Claro jardineiro de almas com o regador da palavra, todos guardados pelo mestre Carvalho, fleumático mago da Pena, vigiando da alameda.
Sigurd, Camões, Beckford, Byron, Zé Alfredo, M.S.Lourenço, condenados à Vida Eterna, já prestes se acomodam no Paço para o Banquete das Almas, Viana da Mota orquestrando, a medo os vivos invadindo o Templo, bafejados pela mercê dum fugaz usufruto da natureza generosa, onde só os Noviços da Vida têm entrada relâmpago, e com retorno .Cai a noite, um derradeiro ressoar de cascos dum cavalo branco tornejando o Parque quebra o torpor, logo impacientes gárgulas ganharão vida para a milenar patrulha dos cumes pedregosos e das chaminés fumegantes. O homem das castanhas recolhe, o cheiro invade as narinas com o bálsamo revigorante, qual estupefaciente poderoso. Ao longe e já perto, as duas chaminés, da lauta cozinha esfíngicos elmos acenam, num lento despedir, para à noite chegarem novos companheiros, esvoaçantes, temporais, tangíveis.
Um último relance, e partir. Distante, uma harpa sequestrada numa casa onde a luz mortiça quebra o negro da noite, despede-se do dia lacrimejando torpor, capturando em silêncio o cavalo inerte, e logo o regresso aos trens, à finitude, à vida sem viver, sobrevivente de sonhos, órfã de destinos, carente de Ser.

1 comentário:

  1. Tanto existe para honrar todas estas imagens de um passado riquíssimo. Como é possível termos hoje quem os não respeite?

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