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domingo, 24 de novembro de 2013

A paisagem cultural de Sintra



O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, foi eleito presidente da Organização das Cidades Património Mundial durante o 12º Congresso desta Organização que se realizou em Oaxaca, México. Depois de no ano passado termos acolhido em Sintra a 11ª edição desse encontro, Sintra continua na linha da frente dum fórum onde passou a ser membro de pleno direito pela singularidade da sua paisagem cultural que no próximo ano completará 20 anos.Recorde-se que aqui foi aprovada a Declaração de Sintra,  que procurou unir esforços para a mitigação e adaptação às alterações climáticas.Documento em cinco pontos nele se procurou recolher experiências das várias zonas classificadas, criar plataformas de conhecimento para troca de experiências e boas práticas, consolidar a valorização do património, criar e manter parcerias e contribuir para um debate global sobre alterações climáticas.
Sintra integra igualmente desde há alguns anos a Aliança das Paisagens Culturais, uma rede internacional para preservar espaços declarados Património da Humanidade pela UNESCO,e que são hoje mais de 60.Em 2008 produziu-se a Declaração de Aranjuez, onde os sítios classificados expuseram as suas inquietações e analisaram a necessidade de compatibilizar a preservação dos lugares com um adequado desenvolvimento económico e social das terras e gentes em seu torno.
Um dos pontos chave desta declaração faz referência ás políticas de difusão do património cultural entre a população,assinalando que a melhor forma de gerar cultura entre os cidadãos passa por estes valorizarem o seu próprio património,pois só se valoriza o que se conhece.
A tensão entre cultura e desenvolvimento e o progressivo abandono do mundo rural são alguns dos pontos fracos apontados nesta declaração.
O texto exige “implicação,cumplicidade e compromisso” do mundo científico na melhoria destes lugares e na garantia da sua sustentabilidade e apela à participação cívica das comunidades locais, enquanto elemento fundamental para um desenvolvimento sustentável das área classificadas.
Traduz este anseio o reconhecimento e a verificação da necessidade duma cultura democrática de participação e transparência na gestão da Paisagem Cultural,chamando os parceiros da sociedade civil mais vezes em ligação com os técnicos,e pondo fim a uma certa “ditadura tecnocrática” na gestão(ou falta dela) dos espaços que a todos pertencem e cujo sentimento de pertença esta Declaração de Aranjuez visa reforçar.
Para tanto há que juntar os cidadãos interessados, as associações cívicas,os técnicos e os moradores e suas plataformas representativas.Só se pode acarinhar uma ideia como a de Paisagem Cultural se ela for geradora de consensos e fonte de desenvolvimento para quem habita em seu torno,e não se ela funcionar como eucalipto que a tudo o que a rodeia seca,e que põe os moradores contra si.Paisagem Cultural sim,mas pró-activa e não repressiva e distante.Não há paisagem cultural sem as pessoas e não há gestão efectiva sem consensos.
Que os conceitos de Aranjuez cheguem com o seu real alcance, e que Sintra os promova neste ano de presidência são os desejos dos Sintrenses e defensores da "sua" Paisagem Cultural, Património Mundial da Humanidade.

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