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domingo, 17 de março de 2013

Don Camilo no Vaticano



A eleição do Papa Francisco colocou na majestática cadeira vaticana um cura de aldeia e homem do povo, a que não tem sido possível até a um agnóstico como eu ficar alheio.

Jorge Bergoglio transborda alegria, e desde já se vislumbra um grande comunicador, alguém que se pode conceber ver a almoçar num tasco de esquina ou a contar anedotas sobre a gula dos abades. Num tempo de lideranças cinzentas e de poucos exemplos morais, com Mandela no ocaso e Obama capturado pelo stablishment, eis um refrescante exemplo que, se não conseguir debelar os pecados da Cúria Romana, pode ao menos trazer conforto e esperança a quem o escuta com a maior informalidade.

Nessa medida, recorda-nos Don Camilo, o pároco da pequena aldeia de Reggio, na Emilia Romagna, figura criada por por Giovanni Guarechi e interpretado no cinema por Fernandel, e os calorosos momentos de cumplicidade com o Cristo crucificado que do altar lhe falava e moderava os ímpetos contra o comunista Peppone, e onde, quase sempre a bondade da natureza humana, imperfeita mas fraterna, vinha sempre ao de cima. Nasceu uma estrela.

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