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terça-feira, 26 de março de 2013

Chipre, limões amargos


De Chipre havia já a memória de Guy de Lusignan, rei de Jerusalém, tido como antepassado de Carvalho Monteiro, o da Regaleira; a obra de Lawrence Durrell, “Chipre Limões Amargos”, que li há já muitos anos, dele bebendo esse anizado sabor a mediterrâneo e a sul, que mais tarde constatei in locco durante um périplo pelo Mar Egeu; e a anacrónica situação de uma ilha disputada por Grécia e Turquia, uma parte na União Europeia e outra fora dela, retendo na memória a grande figura do nacionalismo cipriota, o arcebispo Makários, o paladino do Chipre moderno após a separação dos ingleses.
De Chipre chegam hoje novos e amargos sabores, contrastantes com o sol do sul, os sabores azedos  da União Europeia, salivante guardiã do euro alemão (e Malta? E o Luxemburgo? lá não há paraísos fiscais?). Com amigos assim, quem precisa de inimigos?
Paraíso fiscal. E não era já? Os depósitos ficam melhor em Berlim e Frankfurt, é sabido, mas não foi por ajudar a Grécia que Chipre ficou exposto? O estalinismo espreita em Bruxelas, deixando estuporados Durão Barroso e Rompuy, e o novo ministro holandês do Eurogrupo, campeão de gaffes em 3 meses no lugar.
Esta Europa acabou. Como incutir esperança no futuro, quando os nossos “parceiros” praticam a política de terra queimada, fazendo tiro ao alvo às nações que seguiram a cegueira dos eurocratas, que se prova hoje estarem ao serviço da Prússia?
Mais um país sustentável soçobrou, face ao hoje tenebroso euro. Quando surgirá o primeiro com coragem para sair? Continuar no euro, é agonizar em austeridade, negar futuro às novas gerações e desistir de voltar a crescer, ou fazê-lo apenas quando os alemães quiserem, na sua sacrossanta política de castigo aos preguiçosos do Sul e horror a qualquer sombra de inflação que se coloque no horizonte.
Dinheiro no banco? Recomendo o colchão, confortável cofre das pequenas poupanças. Ortopédico, de preferência.
Hoje somos todos cipriotas. Boa sorte! καλή τύχη

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