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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mexem máquinas em Monte Santos


Estão em curso terraplanagens visando a construção em Monte Santos, em Sintra,no morro entre o Centro de Ciência Viva e o Hockey, de um hotel com 40 quartos e cerca de 30 moradias e espaços comerciais. Já há largos anos em perspectiva, o que antes começou por serem quatro loteamentos para habitações com obras de urbanização repartidas por quatro promotores, prevendo até cedência de terreno para estacionamento de apoio ao hóckey, acabou envolvendo a vertente turística, em zona que rompe o anel de protecção da zona verde prevista no Plano de Sintra e implicando sérias alterações ao impacto visual sobre a serra e os palácios. Todos estarão recordados do famoso loteamento do Abano, que em zona protegida polvilhou de casas uma zona nobre do parque Natural de Sintra-Cascais. O empreendimento agora licenciado, pode vir a ser a brecha que mais tarde virá a permitir a invasão da zona protegida, ultimamente em relativa paz, não por desistência dos promotores, mas tão só por o ciclo económico o desaconselhar.
Sempre se argumentou com a necessidade de rever o plano de Groer, que se aplica a esta zona desde 1949, tendo o próprio PDM de Sintra acolhido o mesmo. Está o mesmo em revisão, e sem que tenha entrado em vigor, ou sem discussão pública do seu conteúdo e propostas, avançou mesmo assim o dito projecto. São sempre altruístas as intenções no inicio: “dotar o concelho de equipamentos de qualidade”, “as árvores serão replantadas no final”, “são 400.000 euros de taxas”, etc. O resultado, será sempre irreversível e cicatrizante.
Já o ultimo relatório da UNESCO, apreciando a evolução na zona do Património Mundial, aconselhava particulares cuidados com a pressão para a expansão na zona tampão, pois aí se viriam a colocar os maiores perigos para a harmonia do conjunto classificado. Sintra, que este ano receberá a reunião da Aliança das Paisagens Culturais parece querer receber tais convidados com um imenso estaleiro de homenagem ao betão num dos pontos mais sensíveis, à vista (romântica, por certo) dos passageiros do eléctrico, que assim ganharão um novo ponto de interesse para fotografar, bucólico betão e  cimentado presépio de moradias.
Pode até o projecto ter obtido os pareceres necessários, e respeitar regras em vigor. Contudo, nem todas as regras são boas. Deveria  ter-se aguardado pela entrada em vigor (depois de discussão pública e participada) do novo Plano de Sintra, acolhendo sugestões e permitindo que um direito maior, o direito à imagem fosse respeitado em respeito aos fruidores do território. Nova novela, com próximos capítulos, por certo.

1 comentário:

  1. Como concordo consigo! Para mim é mais um atentado e altamente despudorado da beleza da nossa serra. Se querem arranjar mais camas turisticas que seja noutras areas mais escondidas ou então em areas já urbanizadas e com possibilidades de expansão. Ali é um atentado ao belo!

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