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segunda-feira, 4 de julho de 2011

É o Chalé da Condessa um projecto esotérico?


Recentemente reinaugurado, a pergunta coloca-se de novo: será o Chalé da Condessa um projecto esotérico? 
O Chalé assenta sobre uma planta rigorosamente simétrica, orientada para o Palácio da Pena, e, segundo Vítor Adrião, as janelas e portas são em arcos góticos, como que aludindo à arte dos Argots ou mestres arquitectos da Idade Média.
A base rectangular tem à volta 22 aberturas, 10 portas e 12 janelas, e 2 óculos, onde, em cortiça, simbolicamente associada ao Fogo Criador do Espírito Santo, se contorna a Cruz Jaina, a Swástika, expressando o Pramantha no movimento da Evolução Universal cuja acção sobre a Terra se faz aqui através da corte do Quinto Senhor, composta de Adeptos Independentes, perfazendo o número mercuriano 222(presente nas referidas aberturas da casa).
Sendo Sintra regida por Vénus-Lua, feminina em todo o seu esplendor, caberia segundo esse autor  à condessa d’Edla o papel de Mãe Divina, assinalada pelo arcano 2(“A Sacerdotisa”) e o 22 (“A Laurenta”) do Tarot.
No edifício, a sua base rectangular é o duplo quadrado, dividido pelos óculos swastikos, referindo assim a fixação do Sol na Terra através da Lua, magistério da Alma cuja arte é pertença tradicional da Sacerdotisa.
O símbolo da acção selenita é aqui representado pela hera, subindo pela frontaria e no seu interior. A hera no culto dionisíaco tem a ver com a divinização feminina e a fecundação da Terra, sendo os 4 troncos de hera os símbolos da Idade do Ouro, da Prata, do Bronze e do Ferro. Os decorativos geométricos enriqueciam ainda mais esta sala,como que referindo de maneira muda a sabedoria dos Mouros, como 5ª linha do novo Pramantha, e cuja sabedoria é o maior segredo de Sintra, por ser a alavanca do regresso à Idade do Ouro, ou à arcádica Origem Divina.
Esse retorno estava assinalado no Y dos portais neogóticos, letra designativa do Itinerário da Mónada pelos diversos estádios conscienciais. O óculo e o Y dão a palavra YO ,precisamente a da divina essência.
O andar cimeiro do Chalet era cruciforme ,com 20 aberturas,8 portas e 12 janelas, correspondentes a outros tantos arcanos, dos quais o 20º(“O Julgamento”) tem a ver com a superação da Era, deste ciclo do Ferro ou Kali-Yuga. Enquanto isso, o 8º,(“A Justiça") corresponde á demanda da Iluminação,lançando-se através do 12º (“O Dependurado”) a imolação da personalidade material pelo triunfo da individualidade espiritual.
Na planta do edifício, a cruz sobre o duplo quadrado dividido pelo óculo ou círculo solar é referência imediata á crucificação do espírito na matéria.
Caberia assim segundo Adrião, à Condessa, libertar o espírito pelo recolhimento. Essa libertação do espírito corresponde à conquista da Pedra Filosofal, cujo emblema é a Rosa Cruz, assinalada na disposição do andar cimeiro e nos óculos no ponto divisório da residência.
Da apetência da condessa pela Alquimia, para além da planta da casa, outras referências deixam descortinar um percurso de Sacerdotisa: um seria o lavabo da cozinha, uma rã de cuja boca jorrava água para uma bacia contornada por hera. Sendo a rã designativa da rota(ou taro, anagramaticamente )a água correndo para o jarro só pode significar a liquefacção alquímica, sendo a água a purificação; outro, seria o sítio das pedras da Condessa, onde numa espécie de furna esta procedia á torrefacção de folhas de chá ,qual druidisa de saberes não revelados.
Esta mais uma nota, curiosa, sobre o cada vez mais apaixonante Chalet da Condessa Elise.

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