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domingo, 22 de maio de 2011

E os eléctricos de Sintra?

Os eléctricos de Sintra parece terem hibernado uma vez mais, tornando-se uma saga de doente ligado à máquina mantido vivo só porque ninguém tem coragem de reconhecer que o seu tempo terminou. Não só porque numa óptica de economia do turismo e de análise custo/benefício são um elefante branco, um TGV de sinal contrário, não da alta mas da lenta velocidade, como o percurso não é hoje romântico, nem complementar da rede de transportes rodoviários, como era até aos anos setenta. Efectivamente, uma viagem que aspira os escapes dos carros que acelerados passam ao lado por trás de quintais desleixados ou grafitados, sem ligação com eventos que o integrem em visitas temáticas coerentemente organizadas, faz dele um velhinho simpático mas pouco mais que um cadáver adiado, não obstante o manancial de memória duma Sintra burguesa, dos pomares e dos ares da serra. Um debate sobre o eléctrico e sua viabilidade seria interessante, sem paixões românticas a favor ou economicistas contra, mas realistas, que respondam a questões muito simples: para quê? com quem? quem paga? . Tal como o famigerado teleférico que nunca veio, que outras opções em termos de oferta  romântica( e romântico não é sinónimo de obsoleto) podem surgir, enquadradas numa rede de percursos amigos do ambiente e ligados com a economia local, que não está toda (nem pouco mais ou menos....) ao longo da linha do eléctrico?Em estilo de almanaque, algumas informações. Sabia que:
-o eléctrico de Sintra foi aprovado por decreto do governo de 22 de Julho de 1899?
-que a construção da linha esteve a cargo de uma empresa francesa,a Darras e Cª,de Paris,sendo o projecto do engenheiro Lebastard Sagers?
-que o fornecedor dos eléctricos foi a empresa J.G.Brill Company,de Filadélfia,em 1903,num total de 13 unidades?
-que o primeiro eléctrico,guiado pelo engº Wan-der-Wallen fez o percurso de 8 km em 24m,a 27 de Março de 1904?
-que a inauguração do troço até Colares ocorreu a 31 de Março de 1904?
-que o total da linha era de 12.605m?
-que um bilhete de Sintra à Praia das Maçãs custava 200 réis?
-que a ligação ás Caves do Visconde Salreu ocorreu a pedido deste em 1924?
-que em 1937 só entre Sintra e a Praia das Maçãs se transportaram 48.310 passageiros?
-que em 1944 existiam 13 carros e 6 atrelados,dando o eléctrico trabalho a 100 pessoas?
-que o grande impulsionador do eléctrico entre 1923 e 1946 foi Camilo Farinhas?
-que o troço Praia das Maçãs-Azenhas do Mar funcionou entre 1930 e 1954?
-que em 1963 deixaram os eléctricos de ser azuis e passando,até hoje,à cor encarnada?


8 comentários:

  1. e, segundo sei, a linha abrangia igualmente a estação de comboios da Vila, o até hoje em dia seria bastante útil.
    não tenho ideia dos custos de funcionamento do eléctrico, mas julgo que se poderia tornar num transporte útil para os moradores, com 1 eventual aumento ou relocalização das paragens, em vez de ser algo sazonal e apenas destinado ao turismo...

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  2. Eu acho que uma boa opção era acabar com o electrico e construir no local da sua linha, uma moderna ciclovia. E só vejo vantagens: Cria-se uma infrastrutura de que as famílias podem usufruir, incentiva-se o desporto e o bem estar, protege-se o meio ambiente, protegem-se as centenas de pessoas que por semana percorrem essa estrada (uma estrada perigosa para andar de bicicleta) e até do ponto de vista do turismo essa seria uma boa aposta, pois tenho a certeza que mais gente viria a Sintra para andar nessa ciclovia, que as que vêm para andar no eléctrico. Falta a questão dos Românticos: Então e o eléctrico, tão bonito, e a história, e tal... Percebo, respeito. Façam um belo museu, ao pé das adegas de Colares por exemplo. Assim, não se esquece o passado, mas avança-se para o futuro!

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  3. De tempo a tempos surge a peregrina ideia de arrancar as linhas do velho eléctrico da Praia das Maçãs e transformar o percurso numa ciclovia!!!!
    A ideia denota falta de informação sobre o valor patrimonial e histórico do "velho" eléctrico.
    Aqui fica a última resposta que dei sobre a importãncia de termos um museu vivo, muito procurado por esse mesmo motivo e uma mais valia muito importante para o turismo Sintrense:

    http://riodasmacas.blogspot.com/2010/06/o-electrico-da-praia-das-macas.html

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  4. Mais informação sobre o Eléctrico de Sintra:

    http://riodasmacas.blogspot.com/search/label/El%C3%A9ctrico

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  5. Bom, se a ideia surge de tempos a tempos, então nada terá de peregrina. Quanto à "muita procura" de que fala, os seus artigos nada falam. Mas teria muito gosto em saber quantos passageiros usufruem de facto do "velho" eléctrico. E depois gostaria de saber quantos desse são portugueses. A informação que eu tenho - com certeza curta - é a que observo todos os dias, pois trabalho à já dez anos em frente ao terminal da estefânea. E é um deslumbre ver os eléctricos dali partir, cheios de gente, em direcção à praia. Museu vivo? Só porque está ligado à máquina.

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  6. Sem procurar polémicas, a opinião que expresso é pessoal e resultante da observação que faço dos acontecimentos.Não sou a favor como é óbvio do arranque da linha ou de nenhuma ciclovia cujo perfil nem parece adequado, creio porém que se deviam estudar os custos reais de manutenção, o nº de passageiros (real e potencial) e analisar se a estrutura de gestão é a mais adequada.Desde que se retomou a circulação já esteve entregue à Scotturb, quer desistiu, por causa dos prejuízos. Mas é a minha opinião, e nem sempre temos de estar de acordo em tudo. Um grande abraço ao Pedro Macieira e também ao André, do Chão de Oliva.

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  7. Ainda assim...

    Só fará sentido preservar o eléctrico se ele estiver ao serviço das populações. Tal como está, apenas alguns estrangeiros e raríssimos portugueses, o utilizam. Portanto, do meu ponto de vista, o eléctrico, tal como está, é postal e nada mais. Agora, se conseguissem que as pessoas - sobretudo as pessoas que se deslocam regularmente nesse eixo - utilizassem o eléctrico para as suas deslocações habituais, aí sim, deixaríamos de ter o tal museu vivo e passaríamos a ter um meio de transporte extraordinário. Mas tal como está, o eléctrico vale tanto a andar, como parado num museu.


    Grande abraço Fernando, mas aqui sou só o André, indivíduo, e não o André do Chão de Oliva. ;)

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  8. Ao contrário do que é referido, aqui em Colares vejo nos períodos em que o eléctrico tem funcionado uma procura muito grande desse ecológico meio de transporte.Um museu vivo é como parafraseando a famosa Lili Caneças o "contrário de um museu morto"...e aí está a diferença fundamental.Um museu vivo não porque as "velhas" e históricas composições estão ligadas "à máquina", mas como possibilita aos seus utilizadores/passageiros viverem uma forma de viajar como se fazia à um século, no mesmo meio de transporte. Não conheço o André pessoalmente, mas acompanho a programação do Chão de Oliva, portanto um interveniente activo da cultura desta região e portanto não pretender dar dar qualquer lição sobre a importância histórica a relevância cultural da existência para Sintra de um investimento como o eléctrico - que não é um postal como alguns defendem, mas uma imagem de marca, que como já disse é uma mais valia para a região. O eléctrico da Praia das Maçãs não é uma imitação de alguma coisa que já existiu, é genuíno são as mesma carruagens que transportaram no tempo da II Guerra o vinho de Colares que Sintra exportava para o Brasil, é o mesmo eléctrico que um dia chegou às Azenhas do Mar,satisfazendo uma antiga reinvidicação das gentes das Azenhas. Ao contrário do que foi referido as populações com que eu me cruzo diáriamente identificam-se com o eléctrico como fazendo parte do ambiente Sintrense que sentem como seu - e utiliza-o, quando está em funcionamento nas suas deslocações na região.
    Para fazer funcionar a "máquina", estão um conjunto de dedicados técnicos que fazem a recuperação destas composições com uma verdadeira paixão -indiferentes às critiicas injustas que por vezes surgem.
    Um postal é comprado em qualquer quiosque, ou papelaria em qualquer lugar - para observar o eléctrico é preciso vir a Sintra e utilizá-lo, uma experiência que fica na memória de qualquer forasteiro, ao contrário do postal que fica perdido em qualquer gaveta das nossas memórias.
    Um abraço
    Pedro Macieira
    PS.Não me interessa neste momento discutir a viabilidade económica da exploração -e se há ou não lucros ou prejuízos, não tenho uma visão economicista da cultura, mas poderei em próximos texto abordar esse ângulo da situação.
    Quanto a Museus é ver o que acontece ao Museu de Arte Moderna (parceria com o comendador Berardo) e perceber a popularidade que tem junto aos habitantes Sintrenses, já não falando na efémera "Casa do Eléctrico" na Estefânia embrião dos tais Museu "mortos", e que nem chegou a nascer...

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