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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cinco Artistas em Sintra

João Cristino da Silva foi um pintor português da época romântica,autor duma das obras mais emblemáticas da pintura romântica em Portugal:Cinco Artistas em Sintra, uma  pintura de 1855 (Óleo sobre tela 87 X 129 cm) que representou Portugal na Exposição Universal de Paris de 1855 e onde se podem  ver os artistas Francisco Augusto Metrass atrás de Tomás da Anunciação, o escultor Vítor Bastos tendo ao seu lado Cristino a desenhar e José Rodrigues sentado.O único artista romântico não representado nesta obra de arte foi o Visconde de Meneses.Foi comprada pelo Rei Consorte D. Fernando II e actualmente faz parte do espólio do Museu do Chiado.Cristino da Silva Iniciou os seus estudos em 1841 na Academia de Belas Artes , onde mais tarde viria a ser professor e no período de 1847 a 1849,e estudou cinzelagem na oficina de lavrantes do Arsenal do Exército.Em 1849 voltou a dedicar-se à pintura.Foi o primeiro pintor português a dedicar-se à pintura da paisagem. Em Madrid expôs algumas das suas obras, tendo sido condecorado pelo rei Amadeu. Ao longo dos seus 47 anos de vida pintou  mais de trezentos quadros,tendo acabado os seus dias no hospício de Rilhafoles, em virtude de ter enlouquecido.
Razões existem que são  de referir a propósito deste quadro de Cristino: em primeiro lugar, a sua escolha do que podemos considerar, em tempos românticos como esses, um “alto-lugar”, Sintra, que simbolicamente atravessa todo o nosso século XIX (até naquilo que a partir do estrangeiro é reconhecido, por exemplo, com Byron ou Beckford), de Garrett e toda a primeira geração romântica até aos que serão chamados a geração de 70, encabeçados por Eça de Queirós. Em segundo lugar, pela temática que institucionaliza o cruzamento entre “o artista” (dimensão estética) com a paisagem de Sintra (dimensão “natural” – e evidentemente estética e, por isso, cultural).
Os cinco artistas (Metrass, Cristino, Rodrigues, o escultor Vítor Bastos e Tomás da Anunciação, aquele a que no interior do quadro está cometido o acto de pintar, ao passo que os outros observam) encontram-se, em termos de cenário, enquadrados pela serra de Sintra e pelo emblema que nela constitui o Castelo da Pena que D. Fernando de Coburgo tornara sua “particular” construção de arte. Será por este conjunto de elementos, aliás, que José Augusto França considerará que, ao contrário do que em termos genéricos se passa na pintura da época,que preferencialmente alterna entre o “pintor de história” e o “pintor de retrato”,“Cristino apresentará antes a imagem duma imagem: a imagem deles próprios ao prepararem-se para produzir imagens – espécie de sonho colectivo que o próprio autor sabia vão, numa sociedade, em, que ele via raivosamente com as cores duma ‘Sibéria das Artes’ ” (idem, 815). A imprensa da época  reconhecia nele uma certa dimensão de excesso que o distinguiria dos seus colegas de escola, todos eles profundamente admiradores, aliás, de Anunciação. A essa dimensão de excesso (que não é no entanto comparável àquilo a que o estilo sublime já desde o século XVIII nos habituara em outras tradições pictóricas que não a portuguesa) se atribui então a sua morte prematura , bem como os episódios de loucura e internamento que a precederam, mas também o número e o tom geral da obra pictórica produzida, “de um colorido ardente e por vezes extravagante, quadros feitos quase todos em poucos dias, sem serem estudados (...)”– e repare-se aqui na forma como ao “artista” se atribui um excesso que não é entretanto dissociável de um estado de inspiração (de um “fora-de-si”) que é responsável tentado pela extravagância como pela sua brevidade e intensidade.

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