Follow by Email

domingo, 15 de maio de 2011

A verdade sobre Byron em Sintra

Quando se fala de Sintra no sec XIX a figura mais recorrente é a de Byron,que no Lawrence Hotel terá escrito parte do seu Child Harold Pilgrimage, onde dedica uns versos a Sintra.Ora não só Byron apenas por Sintra se deteve quatro dias como essa obra data apenas de 1812.
Lord Byron, ou George Noel Gordon,tinha 21 anos quando a 7 de Julho de 1809 chega a Lisboa, em plena ocupação francesa e inglesa, com o rei no Brasil e a anarquia nas ruas.Embarcara em Falmouth, com o seu amigo John Hobhouse e os criados Fletcher, Murray e Bob, e já era membro da Câmara dos Lordes e autor editado nessa altura. Visitou Sintra,Mafra e Lisboa, e deixou Portugal a 17 de Julho, tendo permanecido apenas 10 dias entre nós, mas os suficientes para desprezar os portugueses(“terra sanguinária onde a lei não basta para proteger a vida”) e emular a bela e verdejante Sintra
Consigo viajou em 1809 um outro inglês, John Cam Hobhouse,que nos deixou um relato da sua visita a Sintra, no âmbito dum diário de viagem escrito em latim, e de que respingamos extratos, traduzidos em português:
 John Cam Hobhouse, o amigo de Byron
2ªF,12 de Julho de 1809"-Fui com Marsden de caleche até Sintra, numa estrada com muitas curvas, três jugos de vinho, pão e queijo e trinta dinheiros. Vimos o palácio de Marialva em Sintra e os jardins de Monserrate, antes propriedade do sodomita inglês Beckford, agora deserto e sem mobília. Entretanto, Byron foi a Mafra visitar o palácio e convento, onde antes da invasão francesa os frades eram 150 e agora só 30(...)Jantei em Sintra com três clérigos Scott, Simmons e Turner e passei lá a noite"
3ªF,13 de Julho de 1809-"De burro, fomos a Nossa Senhora da Pena, ao mosteiro de S.Jerónimo onde vivem 4 monges, pobres mas não mal vestidos. E ao Cork Convent(Capuchos?)na parte mais alta da região, com 17 franciscanos que não comiam carne nem bebiam vinho e se flagelavam. Mostraram-nos uma cave no jardim (...)o seu abade pôs-nos queijo e laranjas numa mesa de pedra. Descemos então das alturas e visitámos Colares, bela vila, com vinho abundante, clarete, e tornámos a Monserrate, um palácio só excedido pelo de Marialva em Sintra. Aí jantámos com o bom reverendo Turner. Noite em Sintra".
4ªF,14 de Julho de 1809-"-Fomos visitar com Byron,e por sugestão da irmã de Marialva, o seu palácio, ricamente decorado em estilo inglês(Seteais)e estivemos na sala onde a famosa Convenção  foi assinada e vimos um mosteiro do lado oposto. Dissemos adeus a Sintra, onde havia no hotel vários hóspedes embriagados e uma mulher suja irlandesa nos entregou uma monstruosa conta de 40 dollars e meio (...)Lendo acerca de Sintra, descubro que a humidade é causada por exalações de vapor"
A 16,escrevia Byron para Inglaterra:
Ao Sr. Hodgson] "Lisboa, 16 de Julho de 1809."
"Até ao momento temos seguido a nossa rota, e visto todo o tipo de panorâmicas maravilhosas, palácios, conventos, &c., - o que, estando para ser contado na próxima obra, Book of Travels, do meu amigo Hobhouse, eu não anteciparei transmitindo-lhe qualquer relato de uma maneira privada e clandestina. Devo apenas observar que a vila de Cintra, na Estremadura, é talvez a mais bela do mundo.
Sinto-me muito feliz aqui, porque adoro laranjas, e falo um latim macarrónico com os monges, que o compreendem, uma vez que é como o deles, - e frequento a sociedade (com as minhas pistolas de bolso), e nado ao longo do Tejo, e monto em burros ou mulas, e digo palavrões em Português, e sou mordido pelos mosquitos. Mas quê? Aqueles que efectuam digressões não devem esperar conforto.
Quando os portugueses são pertinazes, eu digo 'Carracho!' - a grande praga dos fidalgos, que muito bem ocupa o lugar de 'Damme!' - e quando fico aborrecido com o meu vizinho declaro-o 'Ambra di merdo' [por 'Homem de merda' ?]. Com estas duas frases, e uma terceira, 'Avra bouro' [por 'Arre burro' ?], que significa 'Get an ass' ['Arranja um burro' ...!?!, obviamente uma tradução incorrecta.], sou universalmente reconhecido como pessoa de categoria e mestre em línguas. Quão alegremente vivemos sendo viajantes! - se tivermos comida e vestuário. Mas, em sóbria tristeza, qualquer coisa é melhor do que Inglaterra e eu estou infinitamente divertido com a minha peregrinação, até ao momento.
Amanhã começaremos a percorrer cerca de 400 milhas até Gibraltar, onde embarcaremos para Melita [por 'Melilla' ?] e Bizâncio. Uma carta para Malta aí me encontrará, ou será reexpedida caso eu esteja ausente. Rogo-te que abraces o Drury e o Dwyer, e todos os Efésios que encontres. Escrevo com o lápis que me foi dado pelo Butler, o que torna o mau estado da minha [escrita?] mão ainda pior. Perdoa a ilegibilidade.
Hodgson! Envia-me as novidades, e as mortes e as derrotas e crimes capitais e as desgraças dos amigos; e dá-nos conta das questões literárias, e das controvérsias e das críticas. Tudo isto será agradável - 'Suave mari magno, &c.'. A propósito, tenho andado enjoado e farto do mar. Adieu."
Depois,  foi o regresso a Lisboa, onde a 17, rumou a Sevilha, enquanto o seu companheiro e os criados seguiam para Gibraltar. Para sempre ficou o Delicious Eden....

Sem comentários:

Enviar um comentário