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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Era uma vez uma freguesia



Hoje é dia de S. Martinho, ocasião para falar da extinta e histórica freguesia de S. Martinho. A extinção da freguesia, por agregação com Santa Maria e S. Miguel e S. Pedro de Penaferrim, centralizando a sede da nova União das Freguesias de Sintra em Santa Maria e S. Miguel, constituiu um acto impensado e atentatório da vontade dos seus fregueses, que, no mínimo, deveriam merecer a consideração de uma justificação adequada, decorrente de estudos sérios e participados que levassem a essa conclusão, e que fosse objecto de auscultação da população, pela pronúncia favorável dos seus órgãos próprios ou pela convocação de um referendo local. Deveria ser assim, nas democracias. Nesta não. Até porque não foi dada a oportunidade de exercer o contraditório, por audiência aos interessados, apenas tendo havido pronúncia das assembleias de freguesia pela não extinção ou agregação em abstracto.
S.Martinho, da Vila a Janas e de Galamares a Nafarros, construiu uma identidade ao longo de décadas em torno das suas festas, símbolos, colectividades e património. A ela se dedicaram autarcas como Noel Cunha, Álvaro Ramires, João Pedro Miranda, Adriano Filipe ou Fernando Pereira, nela se situam várias das instituições emblemáticas de Sintra. Com os anos, foi das poucas freguesias que viu a população crescer, ampliou e modernizou instalações e serviços e dinamizou a acção social, pelo que o mínimo exigível seria o reconhecimento do trabalho feito por autarcas de várias cores mas com uma só camisola. Com a agregação, que muitos contestaram mas hoje já esqueceram, não foi S.Martinho quem mais perdeu, foi Sintra, o poder local e a democracia. Não por medo do "outro", dos actuais dirigentes, das freguesias vizinhas ou da perda de identidade, mas, sobretudo, por a voz do seu povo ter sido abastardada e tratada como vã e inútil. Quem subestima o povo tarde ou cedo lhe ficará às mãos (ou aos votos...).A saga continua, e por vezes a História repete-se, quem sabe.


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