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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sintra: o turismo criativo como vantagem competitiva

Uma das principais vantagens no relacionamento da cidade para com a actividade turística decorre, efectivamente, da capacidade dos gestores do território no planeamento e estruturação da oferta turística, que permita a Sintra e aos operadores turísticos, “vender”, de modo mais eficiente, este destino e satisfazer adequadamente, as exigências da procura turística.
Actualmente, o Turismo é um dos sectores com maior crescimento na economia mundial, sendo que, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), em 2010 as chegadas de turistas internacionais perfizeram 940 milhões em todo o mundo, ou seja, mais 58 milhões relativamente ao ano anterior. No caso específico do Turismo Cultural, importa pois, perceber qual o tipo de turista e quais as suas motivações. Neste âmbito, definiu-se uma tipologia para o caso europeu, indicando três perfis de turistas culturais: a) os “culturalmente motivados”, que são um segmento de mercado pequeno que é atraído a um destino por motivos culturais, o que os leva a passar várias noites no local de destino turístico; b) os “culturalmente inspirados”, que são inspirados por locais de interesse cultural e patrimonial,  passam curtos períodos de tempo nos destinos culturais e não estão motivados para regressar ao mesmo local; e, c) os “culturalmente atraídos”, que são aqueles que realizam a visita de um dia a sítios de interesse cultural ou patrimonial. De acordo com a Organização Mundial de Turismo, o Turismo Cultural refere-se a “todo o movimento de pessoas que satisfazem a sua necessidade humana da diversidade, com tendência a elevar o nível cultural do indivíduo e proporcionam um novo conhecimento, experiência e encontros”. De acordo com estas definições, pode entender-se o Turismo Cultural como a realização de visitas a monumentos e locais históricos, através das quais os turistas procuram conhecer e “absorver” a cultura e a história dos locais visitados.
A motivação do turista foi evoluindo naturalmente e, para além de absorver a cultura, deseja, cada vez mais, participar na experiência e tornar-se parte activa do produto. Perante este facto, o surgimento do Turismo Criativo emergiu como algo natural, como sugere a primeira definição de Turismo Criativo, a qual foi apresentada na Association for Travel and Leisure Education (ATLAS), em Novembro de 2000, por Crispin Raymond e Greg Richards, a qual define Turismo Criativo como: “o turismo que oferece aos visitantes a oportunidade de desenvolver o seu potencial criativo através da participação activa em cursos e experiências de aprendizagem que são características do destino de férias onde são realizadas”.
Desta forma, o Turismo Criativo evidencia algumas vantagens sobre o “tradicional” Turismo Cultural, tais como:
a)a criatividade pode potencialmente adicionar valor em áreas relativas à cultura e, em particular, aos tradicionais produtos culturais;
b)a criatividade permite aos destinos criar novos produtos, dando-lhes uma vantagem competitiva sobre outros locais;
c)porque a criatividade é um processo, as fontes criativas são, geralmente, mais sustentáveis que os produtos culturais tangíveis;
d)a criatividade é geralmente mais móvel do que os produtos culturais tangíveis,porque dependem da localização física do património cultural, enquanto que a criatividade pode ser, por exemplo, transportada em festivais de arte e música;
e)a criatividade envolve não apenas valor de criação mas, também, uma criação de valores: ao contrário das antigas fábricas do conhecimento, como os museus, os processos criativos permitem criar muito rapidamente uma nova geração de valores.
Deste modo, a criatividade possibilita a criação de novos produtos turísticos para as cidades e regiões, acrescentando valor aos produtos culturais, e garantindo a sustentabilidade dos recursos, não estando subordinada à localização física desses, como acontece com o Turismo Cultural tradicional, permitindo a criação de novas ideias e valores.
Assim, contribui para a valorização do indivíduo enquanto parte integrante de uma experiência turística em detrimento da estrutura física. A criatividade procura proporcionar uma experiência turística que vai além do observar o monumento ou local histórico dando ênfase à parte imaterial como aos cheiros, sons, imagens, histórias, lendas e memórias do local que se está a visitar.

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