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quarta-feira, 26 de março de 2014

Sintra sem sanitários públicos

É bonito e estimulante ver o crescente número de visitantes que durante todo o ano e exponencialmente chega a Sintra de comboio, inundando as ruas e vielas do velho burgo e aqui passando algumas horas, ora em direcção ao Centro Histórico e palácios, ora em direcção ao Cabo da Roca, fetiche sobretudo dos turistas asiáticos que enchem as diversas carreiras que para lá se dirigem.
Contudo, se o ar fresco de Sintra e a relaxante visão do Castelo dos Mouros podem deixar antever um dia bem passado e recompensador para a viagem desde Lisboa, a primeira angustia que assalta os turistas ao chegar a Sintra é a de qualquer outro ser humano com necessidades fisiológicas, que, em japonês, espanhol ou russo não deixam de se fazer sentir, e a primeira coisa a buscar será um aliviante sanitário antes de, relaxados, partirem à conquista da Vila. É aí que começa o problema para o turista aflito olhando para todo o lado. Onde encontrar um W.C. (não, não é o Winston Churchill...) a tal fim destinado? Há um sanitário (pago) ainda dentro da estação, mas quando se pergunta por ele ou se localiza, já o pobre turista está fora, e terá de invalidar uma viagem só para viajar até ao W.C. E fora, nada senão o recurso aos cafés das redondezas onde antes de pedir uma bebida ou travesseiro, se corre aflito e de sorriso amarelo (amarelo é duplamente correcto, neste caso...) para o alívio que antes gerara o torcer de pernas típico destas situações de emergência. Aliviado, muitas vezes, inclusive, o visitante limita-se a dizer bom dia e partir sem nada consumir. Chegados à Vila, o mesmo ocorre, não sendo raro que até hotéis de 4 estrelas têm já colocado as requintadas paredes em mármore rosa e ambiente perfumado ao serviço das aflições dos visitantes que aqui chegam, cá onde a terra acaba e a aflição começa.
É tempo de se resolver um problema tão comezinho mas essencial como este. Sintra Património Mundial não pode ficar à mercê de ver as árvores regadas com algo que não seja água, ou os cafés e restaurantes devassados sem ser para os fins comerciais com que foram abertos. E já que se deu um ar de graça retirando a obsoleta cabine telefónica que desfeiteava a praça de táxis junto à estação, procure-se resolver este elementar problema que só pode denegrir perante quem chega a imagem da vila ex libris de Portugal. 
 
 

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