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terça-feira, 8 de maio de 2012

O tempo das infestantes

Paulatinamente, a austeridade e uma Europa exclusiva e excluídora, trazem de volta os nacionalismos e o homo lupus que Hobbes tão certeiramente descreveu, e que pavlovnianamente põe o Eu nacional a salivar à vista do Outro, esse osso estranho que se pode chamar imigrante, muçulmano, latino, negro ou cigano.
A Europa das Pátrias, do Atlântico aos Urais está de volta, mas na sua pior versão, a do ressentimento, do Norte contra o Sul, de contribuintes contra pedintes, de calvinistas contra despesistas, atrás do que se escondem as nunca disfarçadas rivalidades históricas entre povos e nações que nunca verdadeiramente cessaram hostilidades, fazendo das diferenças o mosaico cultural que a Europa é e na prática sempre foi, intervalado pela utópica ideia de uma União Europeia que deu o passo maior que a perna.
De Marine Le Pen á Aurora Dourada grega, dos eurocépticos ingleses à extrema direita holandesa, da Liga Norte ao Partido Pirata alemão, são os votos contra o stablishment político-partidário de décadas, movido pela crise e pelo multiculturalismo que vão enchendo os parlamentos europeus de raposas disfarçadas de cordeiros, deixando escapar o mal estar que vai nas ruas da Europa e que de quando em quando revela um Breivik solitário ou a xenofobia há muito latente.
A crise sublima as frustrações e a dificuldade de conviver com o Outro, olhado por cima do ombro a ver quando vai roubar o emprego, as tradições ou até o governo. São negras as nuvens que pairam sobre esta Europa que os baby boomers quiseram de progresso, abundância e direitos, tudo emoldurado por um Estado social aglutinador e ideais de progresso para os quais o Espaço era o limite.
Mais que tratar da árvore do défice, e das podas de austeridade com que se tem tentado erradicar as moléstias, há que olhar a floresta e todas as espécies arbóreas que a povoam, endémicas e exóticas, e com muitas infestantes também.

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