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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Globalistas e Patriotas

Na sessão de ontem da Assembleia Geral das Nações Unidas confrontaram-se duas perspetivas do nosso mundo  claramente antagónicas. Por um lado, os defensores, como Trump, dum mundo isolado, olhando o vizinho de soslaio, para quem o Outro é um estranho, um rival ou um inimigo, chamando de patriotas aos que negam a integração num mundo cada vez mais interligado, seja pelos problemas, como os do clima, do comércio ou da internet. Ou  os seus sequazes tropicais, como Bolsonaro, negando ser a Amazónia um pulmão património da Humanidade e tão só um problema brasileiro. Para ambos, a presença no principal areópago da comunidade internacional é como participar numa reunião de condomínio onde se vai exigir o pagamento da quota pelos condóminos,  mas se adia a realização das obras necessárias, com gradual degradação do imóvel.
Ao contrário, e muito oportunamente, Marcelo Rebelo de Sousa habilmente desmontou no seu discurso este falacioso argumento. O patriotismo implica ser orgulhosamente igual entre iguais, ecuménico e atento, caminhando COM e não APESAR DE. 
As desigualdades criadas pela globalização desregulada levam os países a fechar-se sobre si, e os profetas de grandezas passadas a ganhar ascendente prometendo o regresso ao soberanismo bacoco e a um mundo great again. Só o medo do Outro, num mundo desregulado e onde a abundância prometida pelos baby boomers se revelou ser finita e sujeita a choques e confrontos alimenta estes cantos de sereia. O mundo de hoje não se compadece com as aldeias de Astérix, até porque a poção mágica está a acabar, e já não são só os gauleses quem teme que o céu lhes caia em cima da cabeça.
Ser patriota hoje é assumir que o mundo é só um, os problemas são globais e sermos individuais e diferentes tem de ser a forma como contribuímos para a soma positiva, e não para a subtracção em capacidade de mobilização, visão de futuro e possibilidade de triunfo. Já não há "orgulhosamente sós".


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