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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Médicos de Sintra

Alguns médicos fizeram parte da vida social sintrense ao longo dos tempos, uns pelo exercício da sua profissão, outros por se terem distinguido igualmente noutras áreas de actividade.

Como decano, o dr. Gregório de Almeida considerado o Pai dos Pobres e que chegou a ser Venerável da Loja Maçónica Luz do Sol, que existiu em Sintra no princípio do século. Autêntico João Semana, em todos deixou saudade, ao morrer em 1920, estando a sua memória homenageada através do busto frente ao Parque da Liberdade, na Volta do Duche.

Outra figura de relevo, como médico e também como escritor, foi Joaquim Nunes Claro, que em Sintra trabalhou e morreu em 4 de Maio de 1949. 

Como médico trabalhou durante a I Guerra Mundial num hospital militar em Hendaia, e como escritor colaborou em publicações como a Revista Nova1 e D. Quixote. Deixou obras como Oração da Fome e Cinza das Horas, tendo igualmente um busto dentro do Parque da Liberdade

Mais interventivo no campo político foi Brandão de Vasconcelos, fundador da Adega Regional de Colares e do Sindicato Agrícola. Brandão de Vasconcelos fez parte da Assembleia Constituinte de 1911 e foi posterirmente membro do Senado da República, renunciando ao mandato de senador em 1916. Falecido trágicamente em 1934, naquela que em tempos foi a sua casa funciona hoje a Escola Profissional Alda Brandão de Vasconcelos, quase mais de setenta anos de a ter legado para o ensino de ciências agrárias, mas, infelizmente, sem grande procura nessa área nos dias de hoje, mais virada para outro tipo de cursos.

Mais circunscritos às suas actividades na área da medicina foram Desidério Cambournac ou Joaquim Simplício dos Santos(foto abaixo)) hoje com bustos na zona central da Estefânea, e a quem muitos sintrenses recorreram ao longo dos anos

Outro vulto de relevo foi Carlos  França, um dos maiores investigadores portugueses no campo da medicina, vivendo muitos anos em Colares, mais precisamente na Quinta Mazziotti.  Com uma lista bibliográfica, no domínio das publicações científicas, que atinge o número de 187, Carlos França efectuou importantíssimas  descobertas na área da Bacteriologia e, muito particularmente, na Protozoologia. Produziu notáveis trabalhos sobre a meningite cérebro-espinal, iniciando para o tratamento desta doença as punções lombares e injecções de lisol, tendo, em colaboração com o dr. Brandão de Vasconcelos, salvo muitos doentes na região de Colares. Fez parte da missão de estudo da peste bubónica no Porto, chefiada por Câmara Pestana, doença que contraiu, embora tenha resistido, ao contrário do seu mestre. Chefiou, em França, a Secção de Higiene e Bacteriologia durante a 1ª Grande Guerra, e na Madeira desenvolveu pioneiros serviços de defesa e assistência sanitária. A obra deixada por Carlos França é considerada uma das maiores de todos os tempos na ciência portuguesa, julgando-se no estrangeiro que Colares, onde o grande sábio residiu e trabalhou, era um centro universitário.
O monumento que perpetua a sua memória foi desenhado pelo arq.º Norte Júnior, enquanto que o busto, em bronze, é obra de Artur Anjos Teixeira.

Curando chagas do corpo, uns, ou de carácter social, outros, foram todos eminentes cidadãos, sintrenses por adopção.

2 comentários:

  1. Quando escrevemos, biografias, a certeza e a verdade é prioritária, não é através da Doxa, aquilo que realmente percebemos é que a informação do sr. Dr. Desidério Cambournac é análoga á do sr dr Simplício dos Santos . bem, para conhecimento geral, o maior funeral dado a um medico ainda hoje em Sintra foi do dr cambournac, medico do primeiro presidente da republica, investigador em Londres, abria o seu consultório uma vez por semana ás pessoas com dificuldades financeiras.
    A investigação tem que ser incessante, para não teríamos suscetibilidades, "todos somos iguais, mais ou menos"

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  2. Sr. Dr Desidério Cambournac é de 1880.
    Sr. Dr. Simplício dos Santos é de 2000

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