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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Acordo Ortográfico: contra a grafia revisionista!


Com o início de novo ano lectivo vai ser gradualmente adoptado o famigerado acordo ortográfico, que em 2012 será alargado aos documentos oficiais. Camões e Castilho adoptaram a escrita fonética, Herculano a etimológica, em 1911 uma reforma ortográfica, conhecida como Reforma de Gonçalves Viana, aboliu muitas das duplas consoantes e privilegiou a pronúncia em prejuízo da etimologia, como ocorrera durante a Idade Média. O Brasil ficou de fora dessa reforma e seguiu com ortografia diferente, sendo que em 1940 Portugal adoptou um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e em 1943 o Brasil um Formulário Ortográfico.Em 1990 foi adoptado um novo acordo ortográfico, que privilegia o critério fonético em detrimento do etimológico, em vigor no Brasil desde 2009 e  ratificado pelos países de língua oficial portuguesa em 2010. Em Portugal, adoptado gradualmente nos meios de comunicação social, o acordo modifica 1,6% das palavras do português europeu e 0,5% das do português do Brasil, entre 110.000 palavras estudadas.
Pessoalmente, creio que é o uso e o senso comum que faz a língua, e que mais importante que a ortografia é a dinâmica linguística que faz, por exemplo,- isso para mim mais grave- que sejam indiscriminadamente introduzidos muitos anglicismos sem tradução adequada  que se imponha, decorrentes do mundo globalizado onde as expressões económicas ou informáticas entram sem sequer se dar muito ênfase à sua tradução, acentuando um novo-riquismo cultural e o peso das relações de força políticas dominantes (rating, bullying, carjacking, upload, delete, ipod, e muitas outras). Por outro lado, foi alguma vez redutor para a expansão do inglês a existência de um inglês britânico, americano, africano ou caribenho? Ou o castelhano da Europa e o da América Latina?
A diferença enriquece, e é património. Afirmar uma unidade fonética é falacioso pois um português, angolano ou brasileiro pronunciará sempre a mesma palavra de forma diferente, e não é por escrever diferenciado que um português não entenderá um livro de Jorge Amado ou um brasileiro um de Lobo Antunes, as diferenças aí serão culturais, ressaltando-se mesmo que por vezes a língua se torna difícil de apreender não pela grafia mas dentro do seu grupo de falantes pelos regionalismos ou pelas expressões caídas em desuso e produto de épocas históricas. Aliás, se o critério era dar primazia ao fonético porque não caiu o h em homem, húmido ou outras em que o h é mudo?
Por estes motivos, enquanto não me for legalmente imposto o uso da grafia revisionista e novo-riquista inventada para dar trabalho aos editores, continuarei a escrever no português de Sebastião da Gama, Agustina, Lobo Antunes ou Cardoso Pires. Facciosamente.

2 comentários:

  1. Caro Fernando,

    Espero que a utilização do "facciosamente" não signifique que faz parte desse enorme grupo de pessoas que ainda acha que se lhes pede que escrevam "fato" e "contato"...

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  2. Sou pelo de facto e contacto.Assim aprendi e está correcto.
    Já agora quem és tu catinga? se não te quiseres identificar aqui manda um mail para fernandomoraisgomes@hotmail.com

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