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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Redes sociais ou cavernas sociais?


Um conjunto de países e empresas decidiram lançar o designado “Apelo de Christchurch", que visa combater a difusão da violência na Internet, na sequência do ataque de há dois meses contra mesquitas na Nova Zelândia.
Nesse apelo, lançado pelo Presidente francês Emmanuel Macron e pela primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern e já secundado por diversos países, as plataformas da Internet – incluindo o Facebook, o WhatsApp, o Instagram, e a Google -- comprometem-se a combater os conteúdos terroristas ou extremistas violentos difundidos on line.
O Facebook foi o veículo utilizado pelo atirador de Christchurch para difundir em direto o ataque de 15 de março que matou 51 muçulmanos, e apesar de ter sido retirado inúmeras vezes, foi sendo sempre recolocado no YouTube.
O Apelo de Christchurch pretende que os países e as grandes empresas de conteúdos digitais atuem contra o extremismo e a violência na rede.
O Facebook anunciou entretanto restrições ao uso do Facebook Live, e os utilizadores que já tenham desrespeitado as regras da sua utilização deixam de ter acesso durante algum tempo. Já o YouTube recordou que, no primeiro trimestre de 2019, retirou 89.968 vídeos e encerrou 24.661 contas que faziam a promoção da violência ou do extremismo violento. Segundo o Google/YouTube,76% destes vídeos foram retirados antes que um utilizador pudesse visioná-los.
São cada vez piores as consequências do mau uso das redes sociais, dominadas pela ignorância, intolerância, e agressividade, além do insulto fácil, da propagação do boato ou da simples boçalidade. Não vivemos na era da informação, vivemos na era do ruído, em que utilizadores mal-intencionados ou premeditadamente apenas repetem o que outros dizem, sem o menor sentimento ou raciocínio sobre os factos, ou sequer apurar da sua veracidade.
Agir sem pensar, especialmente com o fim da vingança, intolerância e na maior boçalidade, é o que nos iguala aos períodos pré-históricos. O ataque a Alcochete foi preparado pelo Whatsapp, o de Christchurch difundido no Facebook, recrutamento para o Daesh e radicalização de terroristas ocorrem pelas redes sociais.
Estas, infelizmente, são hoje cavernas sociais e cadinho da intolerância, do ódio ou tão só do boato maldoso. O Leviathan está de volta ao alcance duma password ou dum like.


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