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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

João Afonso Aguiar, a viagem disruptiva





João Afonso Aguiar, meu grande amigo e jovem e promissor jurista, publicou o seu primeiro livro de poesia, Ab Initio de título, se títulos os poemas devem ter, e em breve mas marcante viagem interior nele surpreendemos o pássaro que deixa enfim o exílio e sobre nós esvoaça, cavaleiro sem armadura mas dono do seu castelo, enfim alcançando o seu tangível Parnasso. Vagabundo da palavra no Gólgota das paixões, hibernou em invernos e sonhou verões, urso pardo à espera do seu Norte. E planando sempre, livre, finalmente até nós chegou, marcada que enfim estava a Hora.

Fingidor sem fingimento, invisível peregrino da vida, dos seus poemas irradia luz, a luz que só cegos podem ver, pois maior cegueira não há que a da paixão. De máscara em máscara, patrulheiro de sombras, ei-lo chegado à primeira paragem da perturbante Viagem, para nela sair, lucidamente perdido no desfiladeiro lúdico.

Escreve João, na sua sábia loucura:


“Percorro a pluralidade do pensamento

sozinho

confronto-me com o olhar

aí encontro a minha insanidade

são imagens do que não sou,



Não existo,

não sou o que sou

sou o que sonho”


Revelado poeta, desnudada a alma no papel-confessionário, João Afonso envia a palavra límpida e antes agrilhoada definitivamente ao seu destino, qual origami dos sentidos e paleta de cores em desordem. Contudo, nada atenuará o facto de que cada verso, cada poema, nasce da tirania individual entrincheirada nas verdades e nos mundos individuais, oníricos e febris. O leitor pode nos seus versos descobrir mundos, estados de alma, intenções, disruptivas emoções ou almas gémeas de mundos partilhados, mas só o autor, em segredo, guardará o enigma da escrita, ortónimo de personagens várias. E aí está o eterno e renovado fascínio da escrita e o mistério da leitura. Um grande abraço para o João e o convite a ler este seu primeiro livro. No princípio é o Verbo.Ab Initio.


Ser trágico e imperfeito

sozinho nesta forma de existir,

serei louco até me acomodar no leito

e finalmente na morte poder em paz dormir”


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