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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Os dias da pós-verdade




Vivemos no tempo da pós-verdade e dos factos alternativos.

Não morreram 64 pessoas em Pedrogão, estava em segredo de Justiça, só agora quando o Ministério Público o confirmou é que sim, morreram então, os funerais e lágrimas derramados podem ser oficiais e as homenagens legitimadas.

Os banqueiros são todos honestos e tudo corria bem, até que, vejam lá, um malfadado governador do Banco de Portugal tirou o tapete a quem zelosamente pugnava pelas nossas PME e pela retoma da economia nacional.

As armas de Tancos eram obsoletas e não valiam mais de 34.000 euros, mas a NATO, a CIA, a Mossad e o Daesh ficaram logo de sobreaviso com umas fisgas e uns bacamartes do tempo da guerra do Solnado que afinal, até se agradece terem levado, poupando no pessoal das mudanças.

Vários secretários de Estado, lampeiros, foram até Paris à pala do gás, mas, invejosos, nenhum mal veio ao mundo, trabalho é trabalho, conhaque é conhaque, e conhaque no meio do trabalho ajuda a fazer a digestão.

A verdade a cada qual: para um terrorista, uma explosão em Paris é uma boa notícia, para um cidadão uma má; para um benfiquista uma vitória do Sporting é uma não-verdade, e o contrário é igual. Para a oposição, todo o Governo é mau só por ser governo, todas as boas notícias são fabricadas e todas as más ficam aquém.

Hoje, com a imprensa cada vez mais dirigida por grupos económicos que a usam como arma de negociação, o infotainment e o jornalismo abutre, as redes sociais infestadas de inverdades e o maniqueísmo paranoico a tomar conta do espaço mediático, já não se pergunta ou afirma o que é, mas cada vez mais aquilo que se quer que seja. A verdade? Ora, coisa para puritanos botas de elástico.

 

 

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