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segunda-feira, 24 de abril de 2017

A Europa num salva-vidas



Depois do Brexit, a Europa vive em sobressalto a cada nova eleição, temendo o momento em que de novo algum Estado membro venha a questionar o status quo ante, numa agonia larvar que só pode significar que a Europa já foi até onde podia ir, isto é, foi longe demais.
Sacrificar a soberania em nome duma moeda forte que só castiga e pouco premeia, aceitar a ideia de Europa a duas (ou mais) velocidades, ser governado de Bruxelas por um Diretório que pouco respeita os povos, tudo conduz a que de susto em susto fatalmente chegaremos ao fim da União Europeia. Ainda não foi Geert Wilders, ainda não será Marine Le Pen, mas paulatinamente a Europa do centrão e dos partidos tradicionais tem os dias contados, servindo a saída do Reino Unido como case study para o futuro.
Se analisarmos bem, 40% dos eleitores franceses, os de Marine e Mélenchon votaram contra esta União Europeia não só por causa dos refugiados ou do terrorismo, mas porque o sistema criado para nos levar à terra do leite e do mel do Welfare State e da abundância tem conduzido a inusitado sofrimento, agravamento das desigualdades, humilhação dos Estados pequenos pelos maiores e sensação de injustiça que pouca motivação ou empenho deixam no povo que trabalha e que vota.
Não podemos entrar na lógica demagógica de que quem é contra esta União Europeia é radical e perigoso, alinhando pela ditadura do pensamento único. Os agricultores portugueses, os contribuintes e os funcionários públicos sabem bem o que representa hoje ser europeu, a reboque dos Dijsselbloem, Schäuble e Juncker, ou até de Constâncio e Barroso, com quem Portugal nada lucrou. Mas assistimos a um drama em vários actos do qual ainda vamos a meio, e, ou se tomam decisões a favor dos povos ou o anunciado Eldorado da bandeira das estrelinhas sob fundo azul virará calaboiço sem saída a caminho do estertor.
No meio, a esquerda dita democrática, capturada pela Terceira Via de Blair e pelas coligações com os conservadores governando com as suas políticas, caminha para a irrelevância. Assim foi com o PASOK, o PSF vai a caminho, o SPD alemão é tão igual à CDU que nem se dá que existe, só Corbyn enseja um rumo mais tradicional, mas votado ao insucesso. Afiguram-se tortuosos os caminhos da Europa. Todos os dias nos chegam imagens de botes de refugiados no Mediterrâneo, mas do lado de cá também se rema nos botes, e estes também metem água.


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