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sexta-feira, 9 de março de 2018

Sintra, uma terra (também) de música




Marco primordial da actividade musical em Sintra, é o Festival de Sintra, com origens em 1957 nas Primeiras Jornadas Musicais do Município de Sintra, em resultado de um esforço significativo de dinamização artístico-cultural, e marcadamente destinado à pianística, por ele tendo passado os mais reputados executantes mundiais. Nos anos sessenta alargou o seu âmbito a outras expressões artísticas, como o bailado, a música de câmara, o teatro e a ópera, tendo apenas sido interrompido entre 1974 e 1983. Distribuído pelos luxuriantes palácios e quintas de Sintra, dele foi mecenas principal Olga Maria Nicolis di Robilant Álvares Pereira de Melo, Marquesa de Cadaval, e participaram nomes como Roland Petit, Grigori Sokolov ou Artur Rubinstein.

Em 2001 a organização do Festival de Sintra passou para a responsabilidade da empresa municipal SintraQuorum e desde 2002 passou a contar com o novo espaço de espectáculos de Sintra, o Centro Cultural Olga Cadaval.

Tem Sintra igualmente tradições musicais em centenárias agremiações dedicadas à música, algumas muito antigas, como a Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense, fundada em 1890, a Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares, em 1891 ou a Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme, de 1892. No dealbar do século XIX marcaram a vida cultural sintrense a Fanfarra União Sintrense, a Estudantina Maquieira, o Trio Paulus, que várias vezes actuou no desaparecido Teatro Minerva, em Colares, o sol-e-dó do grupo dos 20, ou o Grupo dos 14, que organizou diversas récitas e bailes

Em Agosto de 1924 foi inaugurado o Casino de Sintra, iniciativa da Sociedade de Turismo de Sintra Lda, de Adriano Júlio Coelho, projecto de Norte Júnior, construído por Júlio da Fonseca. Durante anos espaço de lazer, ficaram célebres as atuações do sexteto dirigido pelo concertista Francisco Benetó, da cantora espanhola Tina de Jarque ou de Les Demos, bailarinos franceses. Marcaram a cena musical sintrense nesse período o Orpheon de Sintra, a Sociedade União Sintrense, a Tuna Operária de Sintra, Os Aliados e o 1º Dezembro
                                                   O Estefânea Jazz, 1935

Em 19 de Março de 1941 ocorre o primeiro Baile das Camélias, em que a ainda jovem escritora Maria Almira Medina recita “Camélias de Sintra”, e canta “várias canções em americano…”, abrilhantando a festa o agrupamento musical Os Caprichosos. Ainda ocorre todas as primaveras decorre este Baile, matricial na vida cultural sintrense.

Nos anos quarenta foi a orquestra dos "Aliados" em S. Pedro, apadrinhada por Maria Clara, e nos anos cinquenta foram frequentes concurso das colectividades do concelho, com espectáculo no ringue do Hóquei no Parque da Liberdade, ou as Noites do Mambo, no Sport União Sintrense, ou do Baião, na SUS, onde actuaram entre outros o tenor Tomé de Barros Queirós e Mimi Gaspar. Por essa altura, fizeram furor as bandas “Os Mexicanos” de Galamares, ou a Orquestra Royal Star, de Sintra.

No plano da música folclórica, destaque para a Filarmónica de Pêro Pinheiro que em 1962 obteve o 2º Lugar no Festival Mundial de Bandas, em Kerkrade, na Holanda, tendo uma recepção apoteótica à chegada.

Em 1975 é criado o Conservatório de Música de Sintra e em 1979 a orquestra de Pêro Pinheiro, em 1987 a Orquestra Regional de Colares e em 1991 a Orquestra Ligeira de Almoçageme, sintoma da existência de sinergias e valores misturando elementos populares e eruditos.

Com a inauguração em 13 de outubro de 2001 do Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra passa a dispor de condições ímpares para a realização de grandes eventos musicais, ali tendo atuado o Ballet e a Ópera Nacional de Novosibirsk, a Companhia Nacional de Bailado, Pablo Milanés, Chico César, Ivan Lins, o Ballet du Grand Theatre de Geneve, a Companhia Nacional de Dança de Espanha, o Scottish Dance Theatre Tito Paris, Celina Pereira, o Scapino Ballet de Roterdão, o Teatro Negro Nacional de Praga, o Teatro Nacional e Ópera da Moldávia, o Moscow Tchaikovsky Ballet, o Ballet Estatal Russo de Rostov, Cesária Évora,em como todos os grandes nomes da música portuguesa. Destaque para a abertura às escolas e conservatórios, ou os famosos concertos para bebés.

Sintra dispõe de diversos grupos de música clássica, música popular tradicional, orquestras, ranchos folclóricos adultos e infantis, bandas filarmónicas, sete grupos de música erudita, grupos de música tradicional, de cantares e  orquestras escolares ,a que acrescem os diversos grupos de hip hop, jazz, rock, música ligeira e fado. É pois também Sintra uma terra de música e onde Richard Strauss comparou a Pena ao castelo de Klingsor, do celebrado Parsifal de Wagner.

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