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quarta-feira, 21 de junho de 2017

A Batalha de Pedrogão



Favorecido por elevadas temperaturas e constantes mudanças de vento forte, com todos os corpos de bombeiros mobilizados, a zona Centro do país é pasto das chamas, destruidoras e cruéis, assassinas cruzando o ar, numa batalha que dura já há 5 dias, lançando cinzas e fumo a quilómetros, destapando um clarão enorme e infernal nas noites intermináveis, com as gentes, já habituadas ao fogo, atónitas por nunca em suas vidas haver visto tal coisa. Exaustos, rodeados de jornalistas-abutre capturados pelo cheiro a morte e dor, com o clarão laranja do apocalipse a dominar no seu belo horrendo, gritos lancinantes são abafados pelo fogo invasivo escondendo um Inferno que captura novos prisioneiros, impotentes anjos neste negro Junho. Pedrogão, Gois, Castanheira ganharam mártires e os homens, heróis. Até que Lúcifer, desperto, regresse, ameaçador e inclemente, faminto de carne esturricada e impotente, a juntar corpos aos inocentes da 236-1, de Pobrais ou Nordelinho.

A batalha ainda dura, mas, uma vez debelada, há que vencer a guerra do laxismo, da época de incêndios, da desorganização e dos lobbies. Há muito que arde, mas ainda há mais que cheira a esturro.

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