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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Museus, construtores de narrativas



Hoje, Dia Internacional dos Museus, recordar as orientações da UNESCO de 2015- a Recomendação Relativa à Protecção e Promoção dos Museus e das Colecções, da sua Diversidade e do seu Papel na Sociedade, que questiona a função social dos museus, bem como a necessidade de um diálogo vivo entre órgãos directivos, agentes culturais e escolas em particular.
Apesar de algumas melhorias, a maior parte dos museus parece estar empobrecida. As construções estão muitas vezes num estado de conservação precário e as exposições, muitas vezes “fora de época”, oferecendo pouca informação contextual.
Os museus têm de ser espaços de construção de narrativas culturais capazes de atender um público diferenciado. Uma das características apontadas pela nova museologia diz respeito à preocupação crescente em responder às expectativas do público e oferecer práticas interativas como alternativa aos discursos fechados.
A introdução de novas práticas deve priorizar o respeito pela diversidade cultural, a integração nos museus das diversas realidades locais e a defesa do património cultural. Hoje, a tarefa educativa passou a ser compreendida a partir do diálogo com o público e das práticas interativas. As narrativas produzidas tornaram-se temas de debate que fazem parte da agenda política contemporânea, e os museus devem ser espaços de fortalecimento de auto-estima e criatividade, sem patrioteirismos ou regionalismos bacocos, mas lúcidos e de espirito crítico e aberto.
Os museus devem ser instrumentos que eduquem a partir da interação do visitante com o meio ambiente e por intermédio da utilização de instrumentos dinâmicos e plurais. Enfatize-se o potencial multidimensional da visita e os processos afetivos e sensório-motores, evitando-se disposições lineares, factuais e hierarquizadas. Além disso,faz parte de práticas desenvolvidas nos museus a observação constante da resposta do visitante. O processo de avaliação do desempenho de cada museu deve ser recorrente, transparente, com frequente reavaliação por recurso a análises SWOT. Há que encontrar um discurso próprio e garantir autonomia em relação a grupos financiadores.
Em Sintra, para lá dos espaços musealizados das quintas e palácios, há ainda um trabalho de fidelização de públicos e sua educação a realizar. Por um lado, a política das casas-museu parece claramente ultrapassada e contrária às tendências da museografia moderna, e casos como o dos museus Anjos Teixeira ou Ferreira de Castro atestam-no. Por outro, há que implementar os serviços educativos e realizar mais eventos em ligação com a comunidade, não numa lógica de supermercado de cultura mas de programação coerente e complementar. Museus, sim, mausoléus, não.

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