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terça-feira, 18 de outubro de 2011

A crise não é para todos

Apresentado o Orçamento mais tenebroso das últimas décadas em Portugal, fica-se a saber que as “gorduras” são os funcionários públicos, pelo que, sabendo não poderem os mesmos nada fazer, toca de lhes cair em cima como peçonha.
É gritante de iniquidade o procedimento dum governo que em vez de fazer fincapé com os credores agiotas que sufocam os países periféricos sem que os nossos ditos “parceiros” nada façam, se vergue a atirar milhares de portugueses para a miséria, a emigração e o desespero. E mais iníquo ainda é saber que os corruptos e incompetentes que nos (des)governaram nas últimas décadas continuam aviltantemente a receber mordomias e prebendas, escapando à agonia da maior parte do povo português. Efectivamente, a esmagadora maioria dos antigos titulares de cargos políticos vai ficar livre do esforço no âmbito da medida que corta pensões (regime geral e público) e salários públicos. Quando todos os pensionistas que ganham acima de 485 euros vão sentir o peso da austeridade, a larga maioria das subvenções mensais vitalícias pagas a personalidades da política portuguesa vai continuar a receber essa benesse em 12 prestações mensais.
Como o Governo, na proposta de lei do Orçamento do Estado, apenas prevê ficar com o 13º e o 14º mês das subvenções, a medida terá pouco ou nenhum alcance. Despudoramente, o antigo ministro e empregado dos angolanos sr. Mira Amaral, um dos políticos do regime que subiu na vida com a política e comprador do BPN com dinheiros vindos sabe-se lá de onde, argumenta com minudências jurídicas, alegando que nas subvenções não existe subsídio de Natal, nem de férias, nem teriam de haver, pela simples razão de, tecnicamente, não serem pensões. Começa a ser escandalosamente pornográfica a atitude destes abutres pairando sobre o país e que cirurgicamente foram poupados ao “esforço” que a todos afectou. Um dia o caldo entorna de vez, aí entorna, entorna…

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