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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Domingos



Ao domingo, pela manhã, tempo de ler os jornais para ver a opinião publicada e por vezes a partir daí passar-se a ter opinião, já não própria, mas de acordo com as tendências.A preferência dos leitores varia conforme a proximidade:é mais importante o assalto da carteira da vizinha, reportado em parangonas, que o eventual lançamento dum míssil pela Coreia do Norte.

Ao domingo, entre a meia de leite, a leitura do desportivo, e partidas e chegadas para o centro comercial mais próximo, todos têm os seus 5 minutos de antena:"eles" é que são os culpados;"eles" levam "isto" ao abismo; "nós" temos de aguentar; "eles" falharam o penálti: "nós" ganhámos.Nada é real, tudo resiste, persiste, mas não existe se não na forma como olhamos para o Outro.E assim vamos suspirando, vítimas "disto", por entre epifânias quotidianas onde o azul é fugidio e o cinzento paira como karma. Por culpa "deles".

Procura-se a Verdade, cada um vai reclamar a sua, avassalada pelo estigma e a insegurança de tempos finitos.É longe o nirvana.

Enfim, o mundo tem 4 ínfimos minutos,e convêm deixar alguns segundos ao domingo de manhã para salvá-lo, entre um pão de leite e a bica pingada, e talvez, se o Sol brilhar e o clube ganhou,  um passeio a provar que é domingo.

A serra vigia,o eléctrico passa na dolência de velho elefante,e nós esperamos o Godot que nos há-de trazer um jornal só de boas notícias e resgate do cinzento.É mais uma bica, por favor!

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