O que faz de Sintra um lugar tão
mítico que levou inúmeros escritores portugueses e estrangeiros a endeusá-la,
remontando as referências a este lugar aos árabes e romanos num longo rol de
autores e viajantes?
Tudo reside no mistério que os seus
bosques escuros e árvores gigantes espoletam nos nossos espíritos carentes de
profundidade, por vezes escatológica. Escreveu Freud que o que distingue o
Homem do animal é que o primeiro distingue a água da água benta.
Em Sintra, vemos água benta em cada
pedra, gruta, cume ou recanto. Porque para os terráqueos Sintra é mais que
árvores e riachos, mas um sublime jardim celestial que só existe porque alguém,
por algum desígnio insondável, ali os colocou de forma seminal, entre brumas
matinais e Klingsors implacáveis, e assim continuará na noite dos tempos.
Para muitos, no bosque da Cynthia
Imortal, onde entre oceano e fortalezas se ergueram templos à Floresta Mãe, reúnem
elfos e centauros a desenhar um anel de luz e em prece às chuvas, sémen da vida
e da renovação. Para muitos, no silêncio cúmplice da noite, uma sagrada chama
crepita num holográfico altar onde um druídico caldeirão fervilha, anunciando o
festim dum novo renascimento.
Ainda bem que temos Sintra

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