sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Ainda bem que temos Sintra

 

O que faz de Sintra um lugar tão mítico que levou inúmeros escritores portugueses e estrangeiros a endeusá-la, remontando as referências a este lugar aos árabes e romanos num longo rol de autores e viajantes?

Tudo reside no mistério que os seus bosques escuros e árvores gigantes espoletam nos nossos espíritos carentes de profundidade, por vezes escatológica. Escreveu Freud que o que distingue o Homem do animal é que o primeiro distingue a água da água benta.

Em Sintra, vemos água benta em cada pedra, gruta, cume ou recanto. Porque para os terráqueos Sintra é mais que árvores e riachos, mas um sublime jardim celestial que só existe porque alguém, por algum desígnio insondável, ali os colocou de forma seminal, entre brumas matinais e Klingsors implacáveis, e assim continuará na noite dos tempos.

Para muitos, no bosque da Cynthia Imortal, onde entre oceano e fortalezas se ergueram templos à Floresta Mãe, reúnem elfos e centauros a desenhar um anel de luz e em prece às chuvas, sémen da vida e da renovação. Para muitos, no silêncio cúmplice da noite, uma sagrada chama crepita num holográfico altar onde um druídico caldeirão fervilha, anunciando o festim dum novo renascimento.

Ainda bem que temos Sintra



 

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