“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos
violentos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética... O que me preocupa
é o silêncio dos bons” disse um dia Martin Luther King. O que se vê pelas
praças e ruas de Portugal por estes dias é tão só o sobressalto cívico a que
muitos políticos apelam de quando em quando, mas, pelo visto, apenas como
figura retórica e inócua.
Recordando os anarcas dos anos turbulentos do PREC, “o medo de ser livre
provoca o orgulho de ser escravo”. A liberdade é tão essencial como respirar, e
não acaba às 0.30 de cada dia. Uma tenda numa praça só incomoda porque ao ficar
lá diariamente confronta quem decide para a existência de um problema, e
enquanto a dita tenda permanecer no local, é sinal de que o problema se mantém,
ao contrário das simples manifestações, que uma vez dispersas, apenas são
lembradas poucas horas mais. Procurar refúgio em leis anacrónicas e apelar ao
mero cumprimento das mesmas, é como dizer que o 25 de abril foi ilegal, porque
também violou as leis da época.
O contrato social que rege as nossas sociedades só subsiste se houver
equilíbrio, e para tal “os bons” de que falava Luther King têm de fazer ouvir a
sua voz, ainda que por vezes de forma mais firme e de acordo com os problemas
reais que a ela conduzem. Sem violência ou intolerância, mas com a firmeza e
também o colorido que alimentam a esperança.

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