quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Silêncios Ensurdecedores

 

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons” disse um dia Martin Luther King. O que se vê pelas praças e ruas de Portugal por estes dias é tão só o sobressalto cívico a que muitos políticos apelam de quando em quando, mas, pelo visto, apenas como figura retórica e inócua.


Recordando os anarcas dos anos turbulentos do PREC, “o medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo”. A liberdade é tão essencial como respirar, e não acaba às 0.30 de cada dia. Uma tenda numa praça só incomoda porque ao ficar lá diariamente confronta quem decide para a existência de um problema, e enquanto a dita tenda permanecer no local, é sinal de que o problema se mantém, ao contrário das simples manifestações, que uma vez dispersas, apenas são lembradas poucas horas mais. Procurar refúgio em leis anacrónicas e apelar ao mero cumprimento das mesmas, é como dizer que o 25 de abril foi ilegal, porque também violou as leis da época.


O contrato social que rege as nossas sociedades só subsiste se houver equilíbrio, e para tal “os bons” de que falava Luther King têm de fazer ouvir a sua voz, ainda que por vezes de forma mais firme e de acordo com os problemas reais que a ela conduzem. Sem violência ou intolerância, mas com a firmeza e também o colorido que alimentam a esperança.

 


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