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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Milionários de todo o mundo, uni-vos!






Tudo se prepara no salloon de Washington para a chegada dos Dalton, Jesse James e Billy the Kid dia 20 de Janeiro. Apeado o escravo liberto que durante oito anos tomou conta da fazenda, é a vez dos cowboys voltarem à cidade para encharcar os adversários em alcatrão e penas, talvez com vodka russa aos brindes...

Agora que chegou onde queria, Donald Trump, o novo xerife, já pode voltar a ser o que nunca deixou de ser: um banal troglodita que durante uns meses virou um troglodita político, não para regenerar o sistema americano ou ser a voz dos deserdados de Washington, mas para o narcísico cumprimento de um capricho: o de, depois de milionário, apresentador de televisão, e socialite depravado ser presidente dos Estados Unidos. Podia tê-lo feito entrando numa série da Netflix ou num filme de Clint Eastwood, mas não, tal como o coronel do Apocalipse Now, que precisava do cheiro de napalm pela manhã, Trump precisava de agarrar a Casa Branca como agarrou as pussy das meninas do The Apprentrice. O poder é afrodisíaco, dizem, e Trump está a saborear o seu, Nero dos tempos modernos pondo a culpa nos imigrantes como antes este nos cristãos, pegando fogo a Roma e culpando islâmicos, latinos, mulheres, com os seus cowboys pronto a devolver os Speedy Gonzalez aos desertos do México ou os refugiados às ruinas de Alepo donde nunca deviam ter saído.

Tudo teria graça não fosse uma desgraça.Trump, o construtor civil, vai agora dedicar-se a construir muros, cimentar a segregação, humilhar, deportar, ameaçar, qual novo e requentado doutor Strangelove com o botão nuclear ao lado do champanhe francês e de alguma playmate contemplando a "sua" América da janela da Sala Oval ou da penthouse na Trump Tower. É claro que pouco ou nada do que disse ou prometeu sairá do papel, mero soundbite para abrir telejornais e ganhar votos nos rodeos do Kansas ou Arizona. Mas o mundo vai ficar mais perigoso, desconfiado, fechado nos seus medos e numa perigosa esquizofrenia isolacionista. A América que produziu Obama, também pode produzir um Trump.(ou talvez por isso mesmo). Resta ver como reagirão chineses, europeus e mexicanos a esta fronda da direita que em vez de proletários uniu milionários.  Os dados estão lançados, e a hora é de Trump, o novo dono do salloon.

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