domingo, 19 de julho de 2026

Os 10 anos do Núcleo de Sintra do Sporting Clube de Portugal

Foi no bar Saloon, em Sintra, que em 2016 um grupo de amigos começou a juntar-se para ver jogar o Sporting, e onde, semana após semana, as cumplicidades tornaram-se amizades e o impulso fundador apossou-se dum punhado de sportinguistas que não mais parou, e se lançou mãos à obra para dar à luz do dia a nova casa do Leão, hoje na sua terceira sede na R. Dr. Félix Alves Pereira na porta 10-A(claro...) e a comemorar 10 anos com festa no dia 1 de agosto no jardim da Portela de Sintra, com comida, convívio e momento musical com os Supporting, conforme cartaz abaixo, como a efeméride justifica.

José Alvalade teve o desejo de transformar o Sporting num "grande clube, tão grande como os maiores da Europa". No desejo de abrir caminho numa altura em que o desporto em Portugal, era ainda uma atividade pioneira num estágio de desenvolvimento de características elitistas, os primeiros sportinguistas conseguiram fundar há 112 anos aquele que se tornou no Sporting Clube de Portugal, hoje com mais de 3 milhões de adeptos, 136.000 sócios e um museu com mais de 5000 taças. Internacionalmente, o Sporting venceu a Taça dos Vencedores de Taças 1963-64, foi vice-campeão da Taça UEFA 2004-05, e campeão da Taça Ibérica em 2000.E não se ficará por aqui, na senda de cinco anos de sucessos e novos desígnios.

O lema do Sporting é Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Esforço bem patente na singeleza e abnegação dos voluntários do Núcleo que há dez anos celebram o Sporting nos bons e nos maus momentos, e hoje, encetados esforços, celebram o seu sportinguismo no seu espaço em Sintra, depois de uma atribulada vida de saltimbanco a que contingências várias, entre elas a pandemia, obrigaram.

Dedicação expressa em horas de trabalho, sofrimento e entrega por parte de uns “doidos da cabeça” que "não quiseram ficar em casa”, e assim deram horas da sua vida para honrar as cores e o legado de Travassos, Joaquim Agostinho, Damas, Yazalde, Moniz Pereira, Figo ou Carlos Lopes, ícones do Sporting e de Portugal.

Devoção nos cânticos, na fé, na crença e na paixão inexplicável que um estranho sentimento de pertença a todos convoca, despertando amizades improváveis e solidariedades sem contrapartida num imenso altar de verde e branco.

Glória por um passado honroso, um presente com planeamento e um futuro promissor, com condições financeiras, infraestruturas e talentos que garantem um Sporting moderno, pujante, vencedor e sempre na luta, hoje animado por um ciclo virtuoso de vitórias e desafios ultrapassados.

Curiosamente, também o Sporting Clube de Portugal tem origens em Sintra, mais propriamente em Belas, e no Belas Football Clube, criado em 1902 por iniciativa dos irmãos Francisco e José Maria Gavazzo. Dois anos depois, tendo o Belas Football Clube realizado um único jogo de futebol contra o Sport Lisboa, alguns dos seus sócios fundadores criaram o Campo Grande Football Clube, até que, em 13 de Abril de 1906, durante uma Assembleia Geral, José Alvalade manifestou a intenção de formar um novo clube recorrendo à ajuda financeira de seu avô, o Visconde de Alvalade, Alfredo Augusto das Neves Holtreman, que tutelou a criação do novo emblema e disponibilizou terrenos para o campo de jogos na sua própria quinta, e mais tarde no seu primeiro campo, no Sítio das Mouras, em 1907.

Com a abertura do novo espaço do Núcleo de Sintra e uma nova Direção liderada pelo Tiago Marques como presidente, e Rui Távora como presidente da Mesa da Assembleia Geral, voltou a levar-se mais longe e mais alto o espírito e garra do nosso clube, para em conjunto gritar as vitórias,  dar ânimo nas derrotas, do sofrimento fazendo força e da unidade trunfo, arma e desígnio. A Fénix renasceu. Todos à Portela no dia 1 de agosto!


sábado, 18 de julho de 2026

Novo PDM: OUVIR e não apenas AUSCULTAR

 


 Volta a estar na ordem do dia a revisão do PDM de Sintra. Documento estruturante, deve ser um  processo de negociação, debate, transparência e participação que permita aos atores e agentes económicos sociais e culturais verter para um quadro atualizado as preocupações com o desenvolvimento, analisando as patologias e virtualidades do atual PDM, na mira do concelho que se quer para os próximos anos.

 

Nessa perspetiva, e sabendo que o quadro global se centra quase sempre no binómio primário e redutor do mais ou menos betão, alguns aspetos veria com interesse aprofundar, a saber:

 

1) promover a concentração da construção nos espaços urbanos ainda não exauridos e requalificar os existentes, fruto do desordenamento e gestão casuística das décadas anteriores, mas criando em condições de justiça, equidade e proporcionalidade condições para que os proprietários diminuídos na sua possibilidade de edificar possam ver os seus terrenos potenciados e estimulados para outros fins, com o correspondente desagravamento fiscal.

 

2) promover uma carta de redes que permita integrar e orientar as intervenções dos fornecedores de serviços públicos e assim planear o seu modus operandi, bem como reforçar o papel de autoridades locais de transportes e acessibilidades.

 

3) sendo o PDM um plano de estabilidade mais duradoura, agilizar o processo da elaboração de planos de pormenor que estariam em atualização permanente, abertos à sociedade e ao escrutínio dos destinatários duma verdadeira Democracia do Território.

 

Estes e outros temas parecem basilares num momento em que novas realidades se impõe e os cidadãos são cada vez mais penalizados por decisões em que não foram ouvidos e se demonstra não terem razoabilidade senão numa ótica de nada fazer e tudo se acabar por permitir por inação.

 

Tendo em conta a necessidade de uma cultura de participação e sustentabilidade versus planeamento dogmático e redutor, há que adotar critérios de Governação do Território que deixem ao PDM um papel de estratégia e aos planos mais concretizados a ação e intervenção necessários, na ótica teleológica do Direito ao Território e não a do Direito à Construção.

 

Na sua revisão, alguns tópicos mais para discussão:

 

-Ponderar a possibilidade de elementos urbanos em espaços rurais pois o conceito de espaços delimitado é demasiado estanque e redutor, deixando de fora os direitos dos proprietários rurais, suas famílias e atividades económicas (extinguindo-as, na prática).

 

-Definir quais e o que são áreas urbanas programadas (bem como aliás outros conceitos indeterminados e semânticos geradores de duplicidade de apreciação).

 

-Conceber as áreas urbanizáveis com critérios de sustentabilidade e adequação com as infraestruturas existentes, de modo a não criar a necessidade de investimentos não programados ou desejáveis numa lógica de ir atrás em vez de ser fio condutor.

 

-Criar um capítulo para análise do mercado imobiliário e das mais valias expectáveis com as intervenções previstas e permitidas, de modo a “domesticar” a especulação imobiliária.

 

-Definir um quadro prático de promoção de habitação, tendo em conta as suas carências efetivas, bem como, nas zonas rurais, as dos agricultores e suas famílias, as segundas residências, etc, travando a política de “expulsão” que tem atirado as segundas gerações de moradores para os subúrbios e criando bolsas de terrenos que pela dificuldade de construir apenas podem ser adquiridos por segmentos endinheirados que nenhuma atividade económica multiplicadora trazem consigo.

 

-Mapear com maior rigor as zonas de risco e as dos recursos naturais (ex. mapa das zonas de incêndio, cheias, sismos, energia etc, também elas zonas sensíveis mais que as ambíguas zonas de “proteção e enquadramento”, verdadeira cartola donde tudo pode surgir ainda que tudo simule proibir)

 

-Definir a rede ferroviária e a rede de acessibilidades não só tendo o automóvel como centro mas a localização de serviços e os corredores para os empregos, escolas e equipamentos de saúde como prius.

 

-Alterar a obrigatoriedade de plano de pormenor (moroso) para a aprovação de empreendimentos turísticos, criando uma figura de plano mais simplificado com a obrigatoriedade de estudo económico favorável vinculativo. Este aspeto subjaz a um outro mais profundo que é o de saber que tipo de turismo se pretende para Sintra, de molde a acabar com o atual modelo de excursionistas de 1 dia do triângulo Pena-Vila-Cabo da Roca e potenciar a oferta de sol mar natureza e cultura, dinamizando o turismo cultural, de natureza, e de congressos.

 

-Alterar as regras do uso de solos da RAN. De que serve desafetar um solo se depois se pede 1 hectare para construir? Esta afigura-se ser uma medida classista e discriminatória exemplificativa do “território para ricos” que por vezes emana do atual PDM.

 

-Criar na área de Paisagem Cultural de Sintra, (englobando a área do concelho, do Parque Natural, POOC, Rede Natura 2000 e Centro Histórico) uma homogeneidade de gestão. Esta foi a primeira a ser criada em 1994 depois da classificação como património mundial e paradoxalmente nunca foi expressa em nenhum instrumento de gestão territorial como merecedora de uma unidade orgânica autónoma e específica.

 

-Criar um Agência Municipal de Investimentos, que promova as atividades económicas essenciais (na ótica do turismo, empregabilidade, fixação no terciário, lazer, habitação qualificada) e proponha uma política de apoios tributários que seja apelativa, passando pela prática reiterada de celebração de protocolos ou contratos programa que desenvolvam um partenariado positivo e gerador de sinergias que se manifestem de modo permanente e propulsivo e não só no momento do licenciamento ou instalação.

 

-Apostar numa cultura de participação de todos, reforçando as garantias dos particulares, a articulação com as entidades e clarificando as competências da autarquia. Se há sector onde a cultura de participação é menos visível é no urbanismo e ordenamento do território, onde muitos tecnocratas vêm em planos imperfeitos e conjunturais a Vaca Sagrada imutável e intolerante remetendo as aspirações de quem quer investir ou promover para o campo dos pecados veniais.

 

É preciso não esquecer que o PDM  será um documento para vários anos e que cabe aos cidadãos, associações ambientalistas, proprietários, autarcas e investidores em particular colaborar nas suas linhas mestras, de que os tópicos acima descritos são pontos a deixar sobre a mesa. Que devem ser efetivamente OUVIDOS e não só burocraticamente AUSCULTADOS.

 

Como escreveu Vitor Hugo, “saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo”.