sexta-feira, 17 de setembro de 2021

SUGESTÕES CULTURAIS PARA O FIM DE SEMANA- 18 E 19 SETEMBRO

Caros Amigos Com o desconfinamento, a Alagamares está de volta, e em breve teremos o prazer de anunciar novas iniciativas. 
 Para já, divulgamos alguns eventos e iniciativas locais, em cuja participação recomendamos:



TRILOGIA DA GUERRA- AGAMÉMNON 
Até 9 de outubro 
HORÁRIO: quintas, sextas e sábados às 21h30 Pela MUSGO Produção Cultural 

 A Grécia declara guerra a Troia após o rapto de Helena por Páris. Estamos na Antiguidade Clássica. Agamémnon o protagonista desta tragédia que faz derramar muito sangue, desperta enormes paixões e mostra o homem nas suas facetas mais íntimas, comovedoras, filosóficas e animalescas. O dramaturgo Jaime Rocha construiu, a partir deste mito fundador do teatro grego, uma peça, ao mesmo tempo tragédia e comédia, que responde às preocupações, utopias, angústias, ideais não só do homem antigo, como também do homem contemporâneo. O autor introduz neste texto um olhar renovado quer nos conteúdos, quer no vigor e na agilidade dos diálogos e relatos. Sendo por um lado fiel à história narrada e problematizada pelo texto fundador, o Drama Antigo, esta peça traz ao teatro contemporâneo português uma nova visão de uma realidade mitológica muito singular, onde a coragem, a intriga, o ódio, a paixão, a solidariedade, o abandono e a errância são elementos dramatúrgicos fundamentais, uma realidade em que o homem mostra a sua verdadeira face e deixa cair as máscaras. O autor, ao reconstruir este mito grego, reflete também sobre como ele perdura no tempo e como se adapta aos dias de hoje, como chega até nós e é enquadrado no mundo moderno. De facto, a guerra nunca acabou, continua a ser uma presença constante e uma ameaça ainda mais mortífera, já que põe em causa a própria existência humana. FICHA ARTISTICA E TÉCNICA Texto: Jaime Rocha Encenação: Paulo Campos dos Reis Dramaturgia: Jaime Rocha e Paulo Campos dos Reis Interpretação: Miguel Moisés (TEATRO EFÉMERO), Carolina Figueiredo (TEATROMOSCA), Ricardo G. Santos (RUGAS), Filipe Araújo, Rute Lizardo, Regina Gaspar (MUSGO), Clara Marchana, Catarina Rodrigues (MADRASTA DANCE) e um aluno do Curso Profissional de Artes do Espetáculo da Escola Secundária de Santa Maria (Portela de Sintra) Direção de produção: MUSGO Produção Cultural Coprodução: Efémero, Madrasta, Musgo, Rugas e teatromosca Promotor: Fundação Cultursintra 



MUSCARIUM#7 
Até 26 de Setembro, diversos lugares 

 Setembro chegou e com ele vem o festival MUSCARIUM, organizado pela companhia sintrense teatromosca. A sétima edição daquele que é o mais importante festival de artes performativas em Sintra irá decorrer de 10 a 26 de setembro e continua a ter como objetivo espalhar a cultura um pouco por todo o concelho. Serão três semanas totalmente dedicadas ao teatro, música, dança e performance, com espetáculos de artistas nacionais e internacionais, para todos os públicos. A abertura do festival, ocorreu no dia 10 de setembro, a cargo da fadista Gisela João, nos jardins da Quinta da Regaleira. Antes, pelas 20h15, num outro local deste mesmo espaço, o público foi presenteado com o espetáculo de dança “Mapa”, do Colectivo Glovo, vencedor de diversos prémios, proveniente da Galiza. Já no dia 11, às 16h, a Casa da Juventude da Tapada das Mercês recebeu “Eça Agora!”, um espetáculo de teatro para jovens que surge da parceria das companhias Três Irmãos e As Contadeiras, com o propósito de levar obras menos conhecidas de Eça de Queiroz a toda a comunidade Lusófona, através da contação de histórias. 
A segunda semana do evento inicia-se a 17 de setembro, às 21h, no AMAS – Auditório Municipal António Silva, com “Noites Brancas”, uma adaptação do romance homónimo de Fiódor Dostoiévski, pelo Teatro Art’Imagem. No dia seguinte, às 16h, na Casa da Cultura Lívio de Morais, em Mira Sintra, os mais pequenos puderam assistir a “Semente”, espetáculo da RUGAS Associação Cultural, estrutura sintrense que privilegia a criação performativa multidisciplinar. A 18 de setembro, às 21h, o AMAS enche-se de ritmo angolano com Domingos Conceição, mais conhecido por Azulula. Este será um concerto que explora artes visuais e sonoras, com o objetivo de manter viva uma tradição musical que está em vias de extinção. 
A semana termina na Quinta da Ribafria, em Sintra, dia 19, às 18h, com “Iceberg, O Último Espetáculo”, criação para a infância produzida pela Peripécia Teatro que a companhia descreve como não sendo para “meninos de coro, com corações sensíveis e de fácil melindre, habituados a cadeiras estofadas”. Scúru Fitchádu é um dos nomes mais falados do atual panorama musical português e também estará presente no MUSCARIUM#7. 
O funaná punk do alter-ego de Marcus Veiga invadirá o Largo da República em Agualva, no dia 24 de setembro, às 21h e promete acelerar o batimento cardíaco dos presentes. A terceira semana de festival, começa assim, da melhor forma possível, com este concerto de entrada livre. Depois da festa da noite anterior, o Centro Lúdico das Lopas, em Agualva, albergará mais um espetáculo deste MUSCARIUM, continuando a privilegiar o programa em família, com “Somos Pessoa!”,pel’As Contadeiras, no dia 25, às 16h. Aqui, a vida e obra de Fernando Pessoa é contada a partir de uma estrutura narrativa e linguagem teatral pouco convencionais. Já dia 26 de setembro, pelas 16h, haverá uma nova produção com entrada gratuita: “Sómente” pelo Teatro Só, no Largo Rainha Dona Amélia – Palácio de Sintra. A companhia, que tem a sua sede em Portugal e na Alemanha, traz consigo um espetáculo poético que reflete sobre a solidão na velhice e que venceu diversos prémios internacionais. 
Encerrando o festival com chave de ouro, também no dia 26, desta feita às 21h, no AMAS – Auditório Municipal António Silva, será a vez de o coletivo canadiano Mammalian Diving Reflex apresentar a performance “Sexo, Drogas e Criminalidade”, que será criada ao longo de uma semana de residência artística desta companhia com um grupo de jovens da comunidade maiores de 16 anos.  
A programação completa encontra-se disponível no site da companhia em www.teatromosca.com e continuarão a ser divulgados todos os pormenores relacionados com o festival nas páginas oficiais do teatromosca no Facebook e no Instagram. Os bilhetes para os espetáculos da edição deste ano encontram-se à venda na Ticketline e locais habituais. Poderão ser adquiridos individualmente entre 5 € e 7 € ou por via de um passe de acesso a todos os espetáculos do MUSCARIUM#7 pelo valor de 35 €. CONTACTOS | geral@teatromosca.com | 91 461 69 49 | 96 340 32 55 





EXPOSIÇÃO DOS 20 ANOS DA DANÇAS COM HISTÓRIA 
Exposição de 11 de setembro a 31 de dezembro no MUSA 

 Retrospetiva dos 20 anos de atividade da Associação Danças com História, que se tornou um caso singular no panorama nacional, na divulgação da dança antiga, associada aos grandes monumentos nacionais, personagens e acontecimentos representativos da nossa História e cultura. A Associação Danças com História conta com 732 apresentações em Portugal e no estrangeiro, das quais, 340, realizadas em Sintra. Esta exposição, concebida e realizada por Paula Sequeira, através de uma documentada cronologia, está enriquecida com uma mostra de trajes e de acessórios de diferentes épocas, referência a tratados, coreografias, bem como outros elementos simbólicos representativos da missão e trabalho da Associação. 
 Haverá lugar a tertúlias com Miguel Real, Sérgio Luís de Carvalho, e João Rodil no 3º Sábado de Setembro, Outubro e Novembro, pelas 16h. 
 O excelente desempenho na divulgação da dança antiga ao longo dos seus 20 anos de existência, tornou a ADCH uma referência ímpar, em Portugal e no estrangeiro. Com o seu vasto repertório de danças medievais, renascentistas e pré-barrocas, anima espaços, também com história, tendo já atuado no Palácio Nacional de Sintra, na Quinta da Regaleira, na Quinta de Ribafria, no Castelo de S. Jorge, na Torre de Belém, no C. Cultural de Belém, no Mosteiro de Alcobaça, na Catedral Visigótica de Idanha-a-Nova e em diversos museus. Representou Portugal no Festival de Dança Meet theTradition, na Bulgária e mereceu a atenção da cadeia internacional de televisão fracófona-TV5Monde. A imagem da ADCH assenta em alicerces de uma rigorosa investigação sobre coreografias, músicas e trajes das respetivas épocas, associando sempre à dança personagens e acontecimentos históricos de grande relevo cultural. Com Sede em Sintra, esta Associação tem beneficiado de vários apoios, nomeadamente da Câmara Municipal de Sintra. 
https://dancascomhistoria.wixsite.com/dancascomhistoria https://www.facebook.com/dancascomhistoria/ https://teia19.pt/dancascomhistoria 




FESTIVAL DE JAZZ DE SINTRA 
17 a 19 de setembro, no Cento Cultural Olga de Cadaval 

 Este Festival integra a programação do município de Sintra para o projeto cultural metropolitano Mural 18. A programação do Mural 18 é fruto da articulação dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML) para apoio a agentes culturais através do desenvolvimento de uma programação em rede. Através desta iniciativa, que terá uma comparticipação financeira do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional é desenvolvida uma vasta programação cultural, unindo agentes culturais, municípios e cidadãos, em defesa da comunidade artística e do património cultural, imaterial e material. A AML – Área Metropolitana de Lisboa, integra os municípios de Sintra, Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Vila Franca de Xira. 
 Bilhetes e informações em festivaljazz.sintra.pt 




A CONDESSA D’EDLA – O ÚLTIMO GRANDE AMOR ROMÂNTICO 
Dias 18 e 19 de Setembro das 10h às 17h, Quinta da Ribafria

Teatro e Património em Sintra 2021 
Novas datas, decorrentes do adiamento motivado pelo luto nacional em memória do Presidente Jorge Sampaio.

Entrada Livre 
Instalação multimédia interativa (texto, atores, instalação cenográfica, digital e sonora). 
Vários sets cenográficos podem ser experimentados pelos visitantes. Através de sensores, o público interage com sons e imagens. Imagens projetadas da condessa d’Edla, permanecendo hirta sobre um pequeno estrado de veludo, como se fosse uma figura dentro de uma caixa de música, vai rodando lentamente. Ouve-se música operática, a partir do “Baile de Máscaras” de Verdi e sons transformados que remetem para o conceito de caixa de música. Durante a instalação vão surgindo imagens das personagens D. Fernando II, Eça de Queirós, Carlos da Maia e Maria Eduarda, em visita ao Chalet da Condessa, do Teatro de S. Carlos, do parque da Pena. Ouve-se a voz da personagem Condessa d’Edla expressando as suas memórias, o seu amor por D. Fernando, já falecido, relembrando episódios das suas vidas. Um trabalho da ÉTER Produção Cultural.




LANÇAMENTO DA 3ª EDIÇÃO DE "MADRUGADA" DE MARIA ALMIRA MEDINA
18 de Setembro, 17h, Centro Cultural Olga Cadaval
 
 Chegando ao fim da comemoração dos 100 anos da Maria Almira Medina, uma singela homenagem que resulta de uma iniciativa conjunta com a Casa das Cenas, o Chão de Oliva associa-se à produção da 3ª edição da obra “Madrugada”. 
Contribuição do Chão de Oliva para que esta obra não deixe de existir para as gerações futuras. Antes do lançamento do livro de poesia, assistiremos à interpretação de um dos textos por alunos, com dinamização da Casa das Cenas. Por coincidência, será um texto que a Companhia de Teatro de Sintra levou à cena, no mesmo edifício, que na altura se chamava Cine-teatro Carlos Manuel. O texto de teatro de Maria Almira Medina é A Menina Girassol. O espírito de assistência mútua e de comunidade que Maria Almira Medina incutiu na dinâmica cultural de Sintra perdura ainda hoje. Graças à sua intervenção, tão subtil quanto infalível e transformadora, vários grupos e artistas contaram com a sua solidariedade ativa – só por isso a Maria Almira merece ser lembrada por todos. “Camarada da Arte”, como lhe chamou Almada Negreiros em 1944, Maria Almira Medina foi artista total, tendo deixado no seu legado obra artística, poética e o seu espírito de serviço à Cultura. Numa homenagem contínua, o Chão de Oliva promove/u diversas iniciativas de tributo, individualmente ou em parceria, fora ou na Casa de Teatro de Sintra, cuja sala recebeu o seu nome.

Bom fim de semana!

domingo, 25 de abril de 2021

Cultura- Participar é Preciso



Colaborar em associações, sejam culturais, sociais ou desportivas, é um desafio nos dias que correm, e eu que integro umas cinco em lugares de responsabilidade bem o constato ao longo dos anos. Desde o longínquo MAEESL (de antes do 25 de Abril, Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa, que realizou a primeira RGA de alunos do secundário no Liceu D. Pedro V, em Maio de 1974, e onde participei, numa fase de aprendizagem, devorando o Manual das Assembleias Gerais do saudoso Roque Laia), à Associação Académica de Direito nos finais de 70, da participação em movimentos e causas como a da Palestina, Timor, a libertação de Nelson Mandela (que depois tive o prazer de cumprimentar na sua vinda a Portugal) e outras, sempre me ficou o estímulo para fazer e inovar, nessa época com o entusiasmo de quem sabe estar a criar pela primeira vez, consolidar amizades, gritar pelas ruas e praças, escrever em folhetos universitários e de análise crítica, cantar e redigir poemas (cheguei a concorrer a um festival da Canção, como autor de uma letra…) etc. Nos anos 90 integrei uma direção do Sintrense, inclusivé, num período de grandes dificuldades financeiras do clube.

Com os anos, nunca esse “bichinho” me largou, tendo fundado a Alagamares com mais um conjunto de “carolas” em 2005, o Núcleo do Sporting de Sintra em 2016, tenho batalhado pelo restauro e manutenção na esfera pública do Salão de Galamares, promovi causas como o restauro do Chalé da Condessa ou a campanha contra alguns atentados no Centro Histórico de Sintra e contra a tentativa de cortar 1400 árvores na Lagoa Azul, e  integrarei a direção dos Bombeiros de Colares. Pelo caminho, muita escrita, dois livros, três blogues, textos em jornais, quase duas centenas de eventos com a Alagamares, o recente envolvimento com a Rede Cultural de Sintra e tudo o que por aí virá.

Ao longo de todos estes anos, tenho sentido como as associações e as coletividades locais sentem profundamente o quanto são o parente pobre do Orçamento e os agentes culturais meros adereços decorativos nas campanhas ou usados para abrilhantar as listas dos apoios.

Pergunta-se se o modelo associativo como o conhecemos tem futuro. Terá, se certos atavios forem debelados de forma enérgica.

Baluartes de resistência e cidadania durante o período do Estado Novo, as associações irromperam no pós-Abril como cogumelos, distribuídas nas vertentes cultural, desportiva, socioprofissional ou de solidariedade. Mas se ser associativista é uma forma de dizer que se quer estar ativo como cidadão-actor em prol duma participação efetiva e do legítimo exercício da democracia -na vertente de cultura para todos, e com todos -tal não impede que a mudança de paradigma que as novas solicitações da sociedade global e da informação impõe permitam e exijam que se ultrapassem algumas patologias.

A falta de formação de novos dirigentes, articulados com as realidades do tempo que passa e sem espírito corporativo, de imobilismo na preservação de lugares ou incapazes de congregar novas sinergias.

A eterna falta de verbas e da perspetiva de olhar para as associações sobretudo para a preservação da vertente patrimonial, das sedes e equipamentos, desenquadrada do fim último de congregar vontades, mobilizar opiniões, e gerar atos de cultura, desporto, etc

A prevalência do individualismo hedonístico, que desvaloriza o trabalho de equipa ou coletivo, em benefício das figuras e dos egos, num estereótipo transmitido por um modelo de sociedade onde o Eu vence o Nós, mas de forma volátil, efémera e perversa.

A falta de investimento na inovação, e na rutura com certas práticas, reproduzindo uma "cultura de corpo" estática, distanciada das necessidades para que muitas vezes essas associações foram criadas, facto espelhado nas múltiplas associações que apenas mobilizam para jogar o dominó ou assar o courato, mas deixaram de ter desporto ativo, de produzir cultura da terra para importar cantores de moda efémeros e dissonantes, ou de se rever com o conjunto da população, num multiplicar por esse país fora de inúmeros Cinema Paraíso decadentes e ansiosos por revitalização.

A subsidiodependência, a suburbanidade de escolhas culturais, o divórcio com as forças mais dinâmicas das comunidades, e o espírito -há que dizê-lo- reacionário e imobilista de certos dirigentes- fazem os pavilhões às moscas, os teatros a cair de podres, os balneários sem água quente, tudo símbolos que ninguém quer herdar ou assumir, e logo de pouca atratividade.

É na subversão deste estado de coisas que o associativismo, com novos modelos de financiamento, com novos e empenhados dirigentes, de braço dado com as novas tecnologias e sob o desígnio de parcerias profícuas poderá e deverá singrar. Daí a necessidade de conjugar esforços com outras associações no sentido de criar elos de fortalecimento do movimento associativo, em prol de mais Participação, mais Organização e mais Capacidade e Alcance. Mas, é preciso, sobretudo, que tal decorra duma interiorização do papel social e comunitário dos agentes culturais, e da manifestação pujante e unida destes perante um Poder que deles faz parente pobre, e a quem, infelizmente, muitos se submetem.

Como escreveu André Malraux, a cultura só morre vítima da sua própria fraqueza. Há que lubrificar as mentalidades e tomar em mãos a força que, mais que qualquer arma, a Cultura e seus agentes devem ter na Sociedade, se se quer viva e fator de mudança. Os agentes da cultura não são bibelôs instrumentalizados para fotos de ocasião ou contagem de espingardas. Oiçam-nos como parceiros de desenvolvimento, pensem nas suas necessidades no momento de elaborar os orçamentos, sentem-nos em órgãos consultivos com visibilidade e representatividade, vão aos seus espetáculos, exposições, debates e mais eventos sem ser em período eleitoral, pensem neles nos regulamentos de taxas e na ocupação das salas municipais. Aos agentes importa interiorizar que participar não é só meter um like no Facebook, a postura critica e ativa é importante e só ela é idónea a produzir a mudança que faz a diferença, e não repetir mimetismos desajustados no tempo e divorciado das pessoas no mundo de hoje. Todos teremos de mudar um pouco, pensar Global para agir Local, exigir a democracia mas respeitá-la no nosso seio, exigir ser ouvido, mas saber ouvir, ter a humildade de Estar e não apenas de Ser e sobretudo Parecer. O futuro a todos convoca, vamos lá agarrá-lo!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Cultura: Memória, Inclusão, Mudança

A Ernst & Young realizou um estudo sobre o impacto da pandemia nas indústrias culturais europeias e concluiu ter havido em 2020 uma quebra de 31% em relação a 2019. O ano passado refletiu-se negativamente em todos os setores, sendo que nas artes de palco e na música as perdas foram de 90% e 75% respetivamente, e que será preciso uma década para a recuperação.

As artes performativas e a música sofreram quebras entre os 20% e os 40%, as artes visuais 38%, a arquitetura 32%, o setor do livro 25%, o audiovisual 22%, além da publicidade (28%) imprensa (23%) e rádio (20%).
Segundo esse estudo, o setor cultural representava em 2019 4,4% do produto interno bruto da União Europeia, com receitas de 643 mil milhões de euros, e empregava 7, 6 milhões de pessoas.
Há pois que encarar este setor como estratégico na retoma da economia no curto e médio prazo, até porque é um segmento onde a transição verde e digital mais rapidamente se pode fazer, sem perder de vista que a Cultura perpetua a Memória, é fator de Inclusão e contribui para a Mudança. E é, sobretudo, Investimento, e não Despesa.

 

 

sábado, 23 de janeiro de 2021

Dia de Reflexão

Esta legislação de 1975 que consagra o dia de reflexão é obsoleta, mas ninguém se atreve a mexer-lhe. Então quem votou antecipadamente no domingo passado, bem como nos lares, nas prisões, no estrangeiro, fez um voto irrefletido? E se há penalizações para quem faça campanha no dia de hoje, quem pode impedir cada um de escrever o que bem entender nas redes sociais ou nos blogues, reforçando até o apelo ao voto em candidatos? O caso do candidato fantasma no boletim de voto é um hino à burocracia paralisante que rege a nossa legislação eleitoral, a par de outra, como a da eleição para as autarquias locais com distribuição de mandatos por método de Hondt (resquício do tempo em que se temiam maiorias de um só partido), as dificuldades em constituir uma lista independente ( sinal da forma como se partidocracizou o sistema) e muitas outras patologias que tornam o sistema mais semântico que ligado à realidade dos dias de hoje. E pronto, calo-me, antes que chegue o fiscal da Comissão Nacional de Eleições.



domingo, 3 de janeiro de 2021

Os putos e a Júlia Florista

A morte de Carlos do Carmo tirou dos arquivos da televisão alguns documentários que só por si são frescos duma Cultura Viva, de poetas e cantores do tempo em que a Cultura saiu à rua e a Utopia foi realidade, momentos de redenção por os termos vivido, mas também de nostalgia, comparados com a boçalidade que hoje qual vento lancinante atravessa o espaço mediático, onde mais que 3 minutos de vídeo já ninguém vê e o português límpido tem de ser lido com o Google ao lado. A gramática dos sentidos vai-se dissolvendo nas ilusões de óptica do Armagedeão tecnológico que nos trouxe a esta Finisterra sem horizonte. Depois do desabafo, volto para os meus baús, de sons eternos e palavras esquecidas. Navegar é preciso, e hoje e amanhã alguns nos reencontraremos com os putos, a Júlia Florista e a mulher das castanhas. Ary e Carlos sorriem, e sobre o castelo de novo poremos o cotovelo.