sexta-feira, 17 de setembro de 2021

SUGESTÕES CULTURAIS PARA O FIM DE SEMANA- 18 E 19 SETEMBRO

Caros Amigos Com o desconfinamento, a Alagamares está de volta, e em breve teremos o prazer de anunciar novas iniciativas. 
 Para já, divulgamos alguns eventos e iniciativas locais, em cuja participação recomendamos:



TRILOGIA DA GUERRA- AGAMÉMNON 
Até 9 de outubro 
HORÁRIO: quintas, sextas e sábados às 21h30 Pela MUSGO Produção Cultural 

 A Grécia declara guerra a Troia após o rapto de Helena por Páris. Estamos na Antiguidade Clássica. Agamémnon o protagonista desta tragédia que faz derramar muito sangue, desperta enormes paixões e mostra o homem nas suas facetas mais íntimas, comovedoras, filosóficas e animalescas. O dramaturgo Jaime Rocha construiu, a partir deste mito fundador do teatro grego, uma peça, ao mesmo tempo tragédia e comédia, que responde às preocupações, utopias, angústias, ideais não só do homem antigo, como também do homem contemporâneo. O autor introduz neste texto um olhar renovado quer nos conteúdos, quer no vigor e na agilidade dos diálogos e relatos. Sendo por um lado fiel à história narrada e problematizada pelo texto fundador, o Drama Antigo, esta peça traz ao teatro contemporâneo português uma nova visão de uma realidade mitológica muito singular, onde a coragem, a intriga, o ódio, a paixão, a solidariedade, o abandono e a errância são elementos dramatúrgicos fundamentais, uma realidade em que o homem mostra a sua verdadeira face e deixa cair as máscaras. O autor, ao reconstruir este mito grego, reflete também sobre como ele perdura no tempo e como se adapta aos dias de hoje, como chega até nós e é enquadrado no mundo moderno. De facto, a guerra nunca acabou, continua a ser uma presença constante e uma ameaça ainda mais mortífera, já que põe em causa a própria existência humana. FICHA ARTISTICA E TÉCNICA Texto: Jaime Rocha Encenação: Paulo Campos dos Reis Dramaturgia: Jaime Rocha e Paulo Campos dos Reis Interpretação: Miguel Moisés (TEATRO EFÉMERO), Carolina Figueiredo (TEATROMOSCA), Ricardo G. Santos (RUGAS), Filipe Araújo, Rute Lizardo, Regina Gaspar (MUSGO), Clara Marchana, Catarina Rodrigues (MADRASTA DANCE) e um aluno do Curso Profissional de Artes do Espetáculo da Escola Secundária de Santa Maria (Portela de Sintra) Direção de produção: MUSGO Produção Cultural Coprodução: Efémero, Madrasta, Musgo, Rugas e teatromosca Promotor: Fundação Cultursintra 



MUSCARIUM#7 
Até 26 de Setembro, diversos lugares 

 Setembro chegou e com ele vem o festival MUSCARIUM, organizado pela companhia sintrense teatromosca. A sétima edição daquele que é o mais importante festival de artes performativas em Sintra irá decorrer de 10 a 26 de setembro e continua a ter como objetivo espalhar a cultura um pouco por todo o concelho. Serão três semanas totalmente dedicadas ao teatro, música, dança e performance, com espetáculos de artistas nacionais e internacionais, para todos os públicos. A abertura do festival, ocorreu no dia 10 de setembro, a cargo da fadista Gisela João, nos jardins da Quinta da Regaleira. Antes, pelas 20h15, num outro local deste mesmo espaço, o público foi presenteado com o espetáculo de dança “Mapa”, do Colectivo Glovo, vencedor de diversos prémios, proveniente da Galiza. Já no dia 11, às 16h, a Casa da Juventude da Tapada das Mercês recebeu “Eça Agora!”, um espetáculo de teatro para jovens que surge da parceria das companhias Três Irmãos e As Contadeiras, com o propósito de levar obras menos conhecidas de Eça de Queiroz a toda a comunidade Lusófona, através da contação de histórias. 
A segunda semana do evento inicia-se a 17 de setembro, às 21h, no AMAS – Auditório Municipal António Silva, com “Noites Brancas”, uma adaptação do romance homónimo de Fiódor Dostoiévski, pelo Teatro Art’Imagem. No dia seguinte, às 16h, na Casa da Cultura Lívio de Morais, em Mira Sintra, os mais pequenos puderam assistir a “Semente”, espetáculo da RUGAS Associação Cultural, estrutura sintrense que privilegia a criação performativa multidisciplinar. A 18 de setembro, às 21h, o AMAS enche-se de ritmo angolano com Domingos Conceição, mais conhecido por Azulula. Este será um concerto que explora artes visuais e sonoras, com o objetivo de manter viva uma tradição musical que está em vias de extinção. 
A semana termina na Quinta da Ribafria, em Sintra, dia 19, às 18h, com “Iceberg, O Último Espetáculo”, criação para a infância produzida pela Peripécia Teatro que a companhia descreve como não sendo para “meninos de coro, com corações sensíveis e de fácil melindre, habituados a cadeiras estofadas”. Scúru Fitchádu é um dos nomes mais falados do atual panorama musical português e também estará presente no MUSCARIUM#7. 
O funaná punk do alter-ego de Marcus Veiga invadirá o Largo da República em Agualva, no dia 24 de setembro, às 21h e promete acelerar o batimento cardíaco dos presentes. A terceira semana de festival, começa assim, da melhor forma possível, com este concerto de entrada livre. Depois da festa da noite anterior, o Centro Lúdico das Lopas, em Agualva, albergará mais um espetáculo deste MUSCARIUM, continuando a privilegiar o programa em família, com “Somos Pessoa!”,pel’As Contadeiras, no dia 25, às 16h. Aqui, a vida e obra de Fernando Pessoa é contada a partir de uma estrutura narrativa e linguagem teatral pouco convencionais. Já dia 26 de setembro, pelas 16h, haverá uma nova produção com entrada gratuita: “Sómente” pelo Teatro Só, no Largo Rainha Dona Amélia – Palácio de Sintra. A companhia, que tem a sua sede em Portugal e na Alemanha, traz consigo um espetáculo poético que reflete sobre a solidão na velhice e que venceu diversos prémios internacionais. 
Encerrando o festival com chave de ouro, também no dia 26, desta feita às 21h, no AMAS – Auditório Municipal António Silva, será a vez de o coletivo canadiano Mammalian Diving Reflex apresentar a performance “Sexo, Drogas e Criminalidade”, que será criada ao longo de uma semana de residência artística desta companhia com um grupo de jovens da comunidade maiores de 16 anos.  
A programação completa encontra-se disponível no site da companhia em www.teatromosca.com e continuarão a ser divulgados todos os pormenores relacionados com o festival nas páginas oficiais do teatromosca no Facebook e no Instagram. Os bilhetes para os espetáculos da edição deste ano encontram-se à venda na Ticketline e locais habituais. Poderão ser adquiridos individualmente entre 5 € e 7 € ou por via de um passe de acesso a todos os espetáculos do MUSCARIUM#7 pelo valor de 35 €. CONTACTOS | geral@teatromosca.com | 91 461 69 49 | 96 340 32 55 





EXPOSIÇÃO DOS 20 ANOS DA DANÇAS COM HISTÓRIA 
Exposição de 11 de setembro a 31 de dezembro no MUSA 

 Retrospetiva dos 20 anos de atividade da Associação Danças com História, que se tornou um caso singular no panorama nacional, na divulgação da dança antiga, associada aos grandes monumentos nacionais, personagens e acontecimentos representativos da nossa História e cultura. A Associação Danças com História conta com 732 apresentações em Portugal e no estrangeiro, das quais, 340, realizadas em Sintra. Esta exposição, concebida e realizada por Paula Sequeira, através de uma documentada cronologia, está enriquecida com uma mostra de trajes e de acessórios de diferentes épocas, referência a tratados, coreografias, bem como outros elementos simbólicos representativos da missão e trabalho da Associação. 
 Haverá lugar a tertúlias com Miguel Real, Sérgio Luís de Carvalho, e João Rodil no 3º Sábado de Setembro, Outubro e Novembro, pelas 16h. 
 O excelente desempenho na divulgação da dança antiga ao longo dos seus 20 anos de existência, tornou a ADCH uma referência ímpar, em Portugal e no estrangeiro. Com o seu vasto repertório de danças medievais, renascentistas e pré-barrocas, anima espaços, também com história, tendo já atuado no Palácio Nacional de Sintra, na Quinta da Regaleira, na Quinta de Ribafria, no Castelo de S. Jorge, na Torre de Belém, no C. Cultural de Belém, no Mosteiro de Alcobaça, na Catedral Visigótica de Idanha-a-Nova e em diversos museus. Representou Portugal no Festival de Dança Meet theTradition, na Bulgária e mereceu a atenção da cadeia internacional de televisão fracófona-TV5Monde. A imagem da ADCH assenta em alicerces de uma rigorosa investigação sobre coreografias, músicas e trajes das respetivas épocas, associando sempre à dança personagens e acontecimentos históricos de grande relevo cultural. Com Sede em Sintra, esta Associação tem beneficiado de vários apoios, nomeadamente da Câmara Municipal de Sintra. 
https://dancascomhistoria.wixsite.com/dancascomhistoria https://www.facebook.com/dancascomhistoria/ https://teia19.pt/dancascomhistoria 




FESTIVAL DE JAZZ DE SINTRA 
17 a 19 de setembro, no Cento Cultural Olga de Cadaval 

 Este Festival integra a programação do município de Sintra para o projeto cultural metropolitano Mural 18. A programação do Mural 18 é fruto da articulação dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML) para apoio a agentes culturais através do desenvolvimento de uma programação em rede. Através desta iniciativa, que terá uma comparticipação financeira do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional é desenvolvida uma vasta programação cultural, unindo agentes culturais, municípios e cidadãos, em defesa da comunidade artística e do património cultural, imaterial e material. A AML – Área Metropolitana de Lisboa, integra os municípios de Sintra, Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Vila Franca de Xira. 
 Bilhetes e informações em festivaljazz.sintra.pt 




A CONDESSA D’EDLA – O ÚLTIMO GRANDE AMOR ROMÂNTICO 
Dias 18 e 19 de Setembro das 10h às 17h, Quinta da Ribafria

Teatro e Património em Sintra 2021 
Novas datas, decorrentes do adiamento motivado pelo luto nacional em memória do Presidente Jorge Sampaio.

Entrada Livre 
Instalação multimédia interativa (texto, atores, instalação cenográfica, digital e sonora). 
Vários sets cenográficos podem ser experimentados pelos visitantes. Através de sensores, o público interage com sons e imagens. Imagens projetadas da condessa d’Edla, permanecendo hirta sobre um pequeno estrado de veludo, como se fosse uma figura dentro de uma caixa de música, vai rodando lentamente. Ouve-se música operática, a partir do “Baile de Máscaras” de Verdi e sons transformados que remetem para o conceito de caixa de música. Durante a instalação vão surgindo imagens das personagens D. Fernando II, Eça de Queirós, Carlos da Maia e Maria Eduarda, em visita ao Chalet da Condessa, do Teatro de S. Carlos, do parque da Pena. Ouve-se a voz da personagem Condessa d’Edla expressando as suas memórias, o seu amor por D. Fernando, já falecido, relembrando episódios das suas vidas. Um trabalho da ÉTER Produção Cultural.




LANÇAMENTO DA 3ª EDIÇÃO DE "MADRUGADA" DE MARIA ALMIRA MEDINA
18 de Setembro, 17h, Centro Cultural Olga Cadaval
 
 Chegando ao fim da comemoração dos 100 anos da Maria Almira Medina, uma singela homenagem que resulta de uma iniciativa conjunta com a Casa das Cenas, o Chão de Oliva associa-se à produção da 3ª edição da obra “Madrugada”. 
Contribuição do Chão de Oliva para que esta obra não deixe de existir para as gerações futuras. Antes do lançamento do livro de poesia, assistiremos à interpretação de um dos textos por alunos, com dinamização da Casa das Cenas. Por coincidência, será um texto que a Companhia de Teatro de Sintra levou à cena, no mesmo edifício, que na altura se chamava Cine-teatro Carlos Manuel. O texto de teatro de Maria Almira Medina é A Menina Girassol. O espírito de assistência mútua e de comunidade que Maria Almira Medina incutiu na dinâmica cultural de Sintra perdura ainda hoje. Graças à sua intervenção, tão subtil quanto infalível e transformadora, vários grupos e artistas contaram com a sua solidariedade ativa – só por isso a Maria Almira merece ser lembrada por todos. “Camarada da Arte”, como lhe chamou Almada Negreiros em 1944, Maria Almira Medina foi artista total, tendo deixado no seu legado obra artística, poética e o seu espírito de serviço à Cultura. Numa homenagem contínua, o Chão de Oliva promove/u diversas iniciativas de tributo, individualmente ou em parceria, fora ou na Casa de Teatro de Sintra, cuja sala recebeu o seu nome.

Bom fim de semana!

domingo, 25 de abril de 2021

Cultura- Participar é Preciso



Colaborar em associações, sejam culturais, sociais ou desportivas, é um desafio nos dias que correm, e eu que integro umas cinco em lugares de responsabilidade bem o constato ao longo dos anos. Desde o longínquo MAEESL (de antes do 25 de Abril, Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa, que realizou a primeira RGA de alunos do secundário no Liceu D. Pedro V, em Maio de 1974, e onde participei, numa fase de aprendizagem, devorando o Manual das Assembleias Gerais do saudoso Roque Laia), à Associação Académica de Direito nos finais de 70, da participação em movimentos e causas como a da Palestina, Timor, a libertação de Nelson Mandela (que depois tive o prazer de cumprimentar na sua vinda a Portugal) e outras, sempre me ficou o estímulo para fazer e inovar, nessa época com o entusiasmo de quem sabe estar a criar pela primeira vez, consolidar amizades, gritar pelas ruas e praças, escrever em folhetos universitários e de análise crítica, cantar e redigir poemas (cheguei a concorrer a um festival da Canção, como autor de uma letra…) etc. Nos anos 90 integrei uma direção do Sintrense, inclusivé, num período de grandes dificuldades financeiras do clube.

Com os anos, nunca esse “bichinho” me largou, tendo fundado a Alagamares com mais um conjunto de “carolas” em 2005, o Núcleo do Sporting de Sintra em 2016, tenho batalhado pelo restauro e manutenção na esfera pública do Salão de Galamares, promovi causas como o restauro do Chalé da Condessa ou a campanha contra alguns atentados no Centro Histórico de Sintra e contra a tentativa de cortar 1400 árvores na Lagoa Azul, e  integrarei a direção dos Bombeiros de Colares. Pelo caminho, muita escrita, dois livros, três blogues, textos em jornais, quase duas centenas de eventos com a Alagamares, o recente envolvimento com a Rede Cultural de Sintra e tudo o que por aí virá.

Ao longo de todos estes anos, tenho sentido como as associações e as coletividades locais sentem profundamente o quanto são o parente pobre do Orçamento e os agentes culturais meros adereços decorativos nas campanhas ou usados para abrilhantar as listas dos apoios.

Pergunta-se se o modelo associativo como o conhecemos tem futuro. Terá, se certos atavios forem debelados de forma enérgica.

Baluartes de resistência e cidadania durante o período do Estado Novo, as associações irromperam no pós-Abril como cogumelos, distribuídas nas vertentes cultural, desportiva, socioprofissional ou de solidariedade. Mas se ser associativista é uma forma de dizer que se quer estar ativo como cidadão-actor em prol duma participação efetiva e do legítimo exercício da democracia -na vertente de cultura para todos, e com todos -tal não impede que a mudança de paradigma que as novas solicitações da sociedade global e da informação impõe permitam e exijam que se ultrapassem algumas patologias.

A falta de formação de novos dirigentes, articulados com as realidades do tempo que passa e sem espírito corporativo, de imobilismo na preservação de lugares ou incapazes de congregar novas sinergias.

A eterna falta de verbas e da perspetiva de olhar para as associações sobretudo para a preservação da vertente patrimonial, das sedes e equipamentos, desenquadrada do fim último de congregar vontades, mobilizar opiniões, e gerar atos de cultura, desporto, etc

A prevalência do individualismo hedonístico, que desvaloriza o trabalho de equipa ou coletivo, em benefício das figuras e dos egos, num estereótipo transmitido por um modelo de sociedade onde o Eu vence o Nós, mas de forma volátil, efémera e perversa.

A falta de investimento na inovação, e na rutura com certas práticas, reproduzindo uma "cultura de corpo" estática, distanciada das necessidades para que muitas vezes essas associações foram criadas, facto espelhado nas múltiplas associações que apenas mobilizam para jogar o dominó ou assar o courato, mas deixaram de ter desporto ativo, de produzir cultura da terra para importar cantores de moda efémeros e dissonantes, ou de se rever com o conjunto da população, num multiplicar por esse país fora de inúmeros Cinema Paraíso decadentes e ansiosos por revitalização.

A subsidiodependência, a suburbanidade de escolhas culturais, o divórcio com as forças mais dinâmicas das comunidades, e o espírito -há que dizê-lo- reacionário e imobilista de certos dirigentes- fazem os pavilhões às moscas, os teatros a cair de podres, os balneários sem água quente, tudo símbolos que ninguém quer herdar ou assumir, e logo de pouca atratividade.

É na subversão deste estado de coisas que o associativismo, com novos modelos de financiamento, com novos e empenhados dirigentes, de braço dado com as novas tecnologias e sob o desígnio de parcerias profícuas poderá e deverá singrar. Daí a necessidade de conjugar esforços com outras associações no sentido de criar elos de fortalecimento do movimento associativo, em prol de mais Participação, mais Organização e mais Capacidade e Alcance. Mas, é preciso, sobretudo, que tal decorra duma interiorização do papel social e comunitário dos agentes culturais, e da manifestação pujante e unida destes perante um Poder que deles faz parente pobre, e a quem, infelizmente, muitos se submetem.

Como escreveu André Malraux, a cultura só morre vítima da sua própria fraqueza. Há que lubrificar as mentalidades e tomar em mãos a força que, mais que qualquer arma, a Cultura e seus agentes devem ter na Sociedade, se se quer viva e fator de mudança. Os agentes da cultura não são bibelôs instrumentalizados para fotos de ocasião ou contagem de espingardas. Oiçam-nos como parceiros de desenvolvimento, pensem nas suas necessidades no momento de elaborar os orçamentos, sentem-nos em órgãos consultivos com visibilidade e representatividade, vão aos seus espetáculos, exposições, debates e mais eventos sem ser em período eleitoral, pensem neles nos regulamentos de taxas e na ocupação das salas municipais. Aos agentes importa interiorizar que participar não é só meter um like no Facebook, a postura critica e ativa é importante e só ela é idónea a produzir a mudança que faz a diferença, e não repetir mimetismos desajustados no tempo e divorciado das pessoas no mundo de hoje. Todos teremos de mudar um pouco, pensar Global para agir Local, exigir a democracia mas respeitá-la no nosso seio, exigir ser ouvido, mas saber ouvir, ter a humildade de Estar e não apenas de Ser e sobretudo Parecer. O futuro a todos convoca, vamos lá agarrá-lo!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Cultura: Memória, Inclusão, Mudança

A Ernst & Young realizou um estudo sobre o impacto da pandemia nas indústrias culturais europeias e concluiu ter havido em 2020 uma quebra de 31% em relação a 2019. O ano passado refletiu-se negativamente em todos os setores, sendo que nas artes de palco e na música as perdas foram de 90% e 75% respetivamente, e que será preciso uma década para a recuperação.

As artes performativas e a música sofreram quebras entre os 20% e os 40%, as artes visuais 38%, a arquitetura 32%, o setor do livro 25%, o audiovisual 22%, além da publicidade (28%) imprensa (23%) e rádio (20%).
Segundo esse estudo, o setor cultural representava em 2019 4,4% do produto interno bruto da União Europeia, com receitas de 643 mil milhões de euros, e empregava 7, 6 milhões de pessoas.
Há pois que encarar este setor como estratégico na retoma da economia no curto e médio prazo, até porque é um segmento onde a transição verde e digital mais rapidamente se pode fazer, sem perder de vista que a Cultura perpetua a Memória, é fator de Inclusão e contribui para a Mudança. E é, sobretudo, Investimento, e não Despesa.

 

 

sábado, 23 de janeiro de 2021

Dia de Reflexão

Esta legislação de 1975 que consagra o dia de reflexão é obsoleta, mas ninguém se atreve a mexer-lhe. Então quem votou antecipadamente no domingo passado, bem como nos lares, nas prisões, no estrangeiro, fez um voto irrefletido? E se há penalizações para quem faça campanha no dia de hoje, quem pode impedir cada um de escrever o que bem entender nas redes sociais ou nos blogues, reforçando até o apelo ao voto em candidatos? O caso do candidato fantasma no boletim de voto é um hino à burocracia paralisante que rege a nossa legislação eleitoral, a par de outra, como a da eleição para as autarquias locais com distribuição de mandatos por método de Hondt (resquício do tempo em que se temiam maiorias de um só partido), as dificuldades em constituir uma lista independente ( sinal da forma como se partidocracizou o sistema) e muitas outras patologias que tornam o sistema mais semântico que ligado à realidade dos dias de hoje. E pronto, calo-me, antes que chegue o fiscal da Comissão Nacional de Eleições.



domingo, 3 de janeiro de 2021

Os putos e a Júlia Florista

A morte de Carlos do Carmo tirou dos arquivos da televisão alguns documentários que só por si são frescos duma Cultura Viva, de poetas e cantores do tempo em que a Cultura saiu à rua e a Utopia foi realidade, momentos de redenção por os termos vivido, mas também de nostalgia, comparados com a boçalidade que hoje qual vento lancinante atravessa o espaço mediático, onde mais que 3 minutos de vídeo já ninguém vê e o português límpido tem de ser lido com o Google ao lado. A gramática dos sentidos vai-se dissolvendo nas ilusões de óptica do Armagedeão tecnológico que nos trouxe a esta Finisterra sem horizonte. Depois do desabafo, volto para os meus baús, de sons eternos e palavras esquecidas. Navegar é preciso, e hoje e amanhã alguns nos reencontraremos com os putos, a Júlia Florista e a mulher das castanhas. Ary e Carlos sorriem, e sobre o castelo de novo poremos o cotovelo.


 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Sombras e Património(s)

Decorreu no Centro Cultural Olga Cadaval a 17 de dezembro um pouco habitual espetáculo que, mais que convocar sentidos e emoções, reuniu o que de melhor Sintra tem e por vezes ignoramos e desvalorizamos, a pretexto da celebração dos 25 anos da Paisagem Cultural de Sintra.

Escancarando as portas tortuosas da pandemia, viveu-se na brumosa noite de Sintra um virtuoso momento de união e criatividade despoletado pelos protagonistas da dispersa comunidade cultural, em boa hora congregados para viver e pensar esta nossa terra de equívocos e contrastes. Como na lenda, em que dois irmãos se digladiam pela mesma mulher, tombando por um amor aziago, também no palco de luz e sombras várias Sintras irmãs se contemplaram, gémeas, mas distantes, sangrando, mas condenadas a estar juntas. É a Sintra do onirismo militante, com a serra ao lado, milenar guardiã e larvar berço de lendas e histórias, de mouros e cristãos, visionários reis e viajantes, aristocratas e feiticeiros, espantados com o renovado verde, em presépio aninhando casas, palácios, fontes e miradouros. E aquela outra ondem batem ritmos e matizes, surpresas e ilusões, alunos para a escola e funcionários para o serviço, senhoras para as compras e reformados para o jardim, agrilhoados contribuintes a pagar o dízimo ou utentes contando cêntimos para pagar a água, sitiada nos bairros disfuncionais, depósitos de vidas por viver, ao sonolento som do comboio pendular, das ruas sujas e das raivas contidas.

Pelo Olga Cadaval desfilou o difuso imaginário dum Éden terreal, frio no inverno e cacimbado no verão, poetizado pela subtileza poética da encenação de Paulo Cintrão e Rui Mário, dos últimos guardiões e druidas desta Sintra que teimamos em venerar e que, muitas vezes destruímos, como os dois irmãos que só puderam viver morrendo.

Utópico altar de poetas, lusitano reino dum palpável Parnasso, pelo palco sedento de Sintra se respirou a vontade de a redescobrir, rodopiando os atores como Prometeu na caverna buscando a luz da caverna impossível, mas logo ali ao lado, afinal, com as suas contradições e verdades.

Apurados os sentidos, sem os ver, alojados no camarote do Tempo, vimos e imaginámos fantasmagóricos castelos, catalépticas condessas, festas e bodos populares, à sombra da Lua argêntea, hoje de novo assolados por ameaças pestilentas.

Foi bom ver e sentir o exército de Sintra, sentinelas fazendo cultura, em generosidade se entregando ao público, no fundo, construindo Cidade e dando sinal de maioridade e de entrega. Sintra precisa dos seus artistas, de quem a sente e pressente, e bem irão os poderes se não perderem de vista este importante ativo, muitas vezes na intermitência de sobreviver, mas senhores do elixir mágico que nos liberta da modorra e recorda como é bom poder guardar e viver este legado secular. Uma noite redentora, pois, não só a repetir, mas a perpetuar.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Para quê juntar o Povo da Cultura?

Para que servem hoje as organizações não -governamentais, as associações cívicas e a dita “sociedade civil “ em geral?

Norberto Bobbio afirmou um dia que o cidadão, ao fazer a opção pela sociedade de consumo de massas e pelo Estado de bem-estar social, sabe que está a abrir mão dos controles sobre as atividades políticas e económicas por ele exercidas em favor de burocracias, privadas e públicas, e que em conjunto com a realização de eleições e a existência da burocracia, a democracia assenta exclusivamente na ideia de que a representatividade constitui a única solução possível nas democracias de grande escala, aí se esgotando a intervenção daqueles que se não assumem como agentes políticos diretos.

Assim não é, nem deve ser. Pode apontar-se Jürgen Habermas como um dos autores que melhor analisaram este alargado entendimento da democracia. A criação de esferas públicas que participem das instituições e as controlem, redesenhando a relação estabelecida com os cidadãos, possibilita a indispensável reconciliação da democracia participativa com a organização política tradicional do Estado, abrindo lugar para a participação dos atores sociais em fóruns amplos de debate e negociação, sem substituir, contudo, o papel dos representantes eleitos. A efetividade democrática estará assim reforçada com uma sociedade civil organizada e com a dinâmica que ela desenvolve. Os movimentos, as organizações e as associações podem, a partir de sua atuação revigorar os sentidos da democracia, ocupando uma arena que lhe é natural e necessária.

O padrão democrático de uma sociedade passa hoje não só pela densidade cívica da sua sociedade civil, mas também pela pluralidade de formas participativas institucionalizadas capazes de inserirem novos atores no processo decisório destas mesmas sociedades. Acredita-se, com isso, que os atores societários deverão não só abordar situações problemáticas e buscar influenciar os centros decisórios, mas também assumir funções mais ofensivas no interior do Estado.

Na linha dos estudos de Habermas, a sociedade civil pode ser compreendida como o espaço público não estatal, composto por movimentos, organizações e associações que captam os ecos dos problemas sociais na esfera privada e os transmitem para a esfera pública.

São elas as ONGs, os movimentos sociais, as comissões, grupos e entidades de direitos humanos e de defesa dos excluídos por causas económicas, de género, raça, etnia, religião, portadores de necessidades físicas especiais; associações e cooperativas, fóruns locais, regionais, nacionais e internacionais de debates e lutas por questões sociais; entidades ambientalistas e de defesa do património histórico e arquitectónico, etc.

De entre os aspetos positivos da ação da sociedade civil organizada destaca-se  potenciarem a pluralidade do discurso e o estabelecimento de diálogos construtivos, tendo-se em vista as múltiplas vozes que se querem fazer ouvir na sociedade civil; a promoção da denúncia, tornando públicas as situações de injustiça e de violação de direitos; a proteção do espaço privado, reforçando os limites do Estado e do mercado; a participação direta nos sistemas políticos e legais, estimulando-se e fortalecendo-se leis e políticas públicas que promovam os direitos humanos; a promoção da inovação social, se possível construindo e participando em redes que evitem a fragmentação e fortaleçam o uso dos recursos.

Vivemos dias de incerteza, mas também de desafio, e se certas patologias, como o desemprego ou a emigração enfraquecem o número e a pujança dos que militam em associações da sociedade civil, novas oportunidades, caldeadas pela experiência e o ânimo de novos colaboradores vão permitindo este renovar de ciclo, com novos protagonistas e novas (ou nem tanto) lutas para abraçar.

Entendo a participação na vida associativa e o papel da sociedade civil como um contributo incontornável para o pluralismo e um reforço essencial da democracia participativa, e tão independente e genuíno será esse trabalho quanto mais distanciadas as associações estiverem dos poderes político-partidários, grupos económicos ou agentes, que a coberto da participação, mais não pretendam que usá-las ou instrumentalizá-las na sua escalada para o poder, e é esse o fio da navalha em que muitas vezes as associações e a sociedade civil se vêm enredados.

Independentes dos políticos, mas não da discussão das políticas, atores e não figurantes, eis o nosso papel, ativo ou reativo, mas sobretudo, vivo. A falta de verbas e um clima pouco propício ao pluralismo nem sempre ajudam, mas só é derrotado quem desiste de lutar por dar sentido à vida em comunidade. Nem todos entendem isto, sobretudo os que encaram a participação como antecâmara para lugares e sinecuras, ou como terreno para projetos pessoais ou umbiguistas. Hoje como sempre, o caminho faz-se caminhando.





quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Junte-se à Rede Cultural de Sintra

 


 

Carta de Intenções da Rede Cultural de Sintra

Sintra é um espaço multifacetado onde confluem através do testemunho de várias gerações valores consagrados e emergentes nas artes e na vida cultural, constituindo um panorama diversificado composto pelos testemunhos visuais, literários e performativos de quem no seu seio cria, produz e divulga as mais diversas formas de expressão.

É nos tempos crepusculares como o que vivemos que o seu trabalho carece de maior atenção, forjando união e convergência de atitudes e propostas no sentido de dar maior visibilidade e apoio a todos os que à sua maneira têm algo para dar e comunicar, acrescentando massa crítica e substância à vida quotidiana.

Para tanto, um grupo de indivíduos ligados à cultura em Sintra vem propor e convidar os destinatários desta Carta de Intenções, bem como todos os que se lhes queiram juntar, à criação duma Rede Cultural com o objetivo central de promover a coesão e desenvolvimento local através do acesso e dinamização das diferentes práticas culturais em Sintra, em todo o seu espectro, desde a arte tradicional à arte contemporânea.

A estrutura ora criada terá natureza informal, não visa substituir-se ou federar nenhum dos agentes culturais ou grupos aderentes, surgindocom base na colaboração voluntária dos seus integrantes, e respeitando sempre as orientações estéticas, criativas e inovadoras dos mesmos, apenas rejeitando contributos ou colaboradores que pretendam usar a Rede no sentido da propaganda político- partidária, de promoção de religiões ou confissões religiosas, ou de eventos que apelem à xenofobia, racismo, discriminação de género ou ofensa do bom nome de terceiros, sejam pessoas ou instituições, no que exceda a crítica saudável e razoável

Para alcançar esse objetivo propõe:

1) potenciar sinergias entre os diversos atores culturais presentes no território;

2) implementar estratégias de divulgação das ações culturais dos seus aderentes e desenvolver diálogos com as comunidades locais;

3) apoiar os agentes culturais em aspetos legais, logísticos, informativos e de produção.

A Rede Cultural de Sintra pretende ser um espaço de encontro livre e informal de indivíduos, tendo em vista a diversidade, interligação e diálogo intercultural, sem submissão a qualquer ideologia pré-definida (religiosa, partidária, estética ou outra), no respeito pela liberdade criativa de cada um. Consideramos que o importante é fazer e ajudar a fazer dentro de um espírito de respeito mútuo e cooperação.

Do ponto de vista prático, propomos:

- a organização de uma tertúlia de encontro regular e um evento também regular, ao vivo, que reúna artistas consagrados, artistas emergentes e as gentes de Sintra, tendo em vista a diversidade, interligação e diálogo intercultural, sem submissão a cartilhas estéticas ou pré-definidas, no respeito pela liberdade criativa de cada um;

- a construção dum site da Rede com uma listagem dos diversos criativos com toda a informação sobre o trabalho e iniciativas dessa pessoa ou grupo, bem como à sua página e links;

- a criação de uma Agenda Semanal dos Eventos em que participem os grupos e agentes culturais integrantes da Rede, no âmbito do site e das redes sociais, a ser divulgada pelas redes, comunicação social e bases de dados, bem como a possibilidade de registar em vídeo ou em streaming eventos em que participem integrantes da Rede, com criação de um canal YouTube da mesma;

- a criação de um espaço de apoio a todos os integrantes, nomeadamente no plano jurídico, técnico e artístico, a realização de workshops e ações de formação para os membros, em áreas técnicas e artísticas, a ministrar por elementos da Rede ou personalidades por si convidadas, bem como informação atualizada sobre candidaturas a apoios públicos ou privados, mecenato, crowdfunding, direito autoral, residências artísticas, etc.

A Rede Cultural de Sintra é um projeto em construção de todos e para todos. E será o que quisermos que ela seja, com o contributo de cada um. Assumindo a responsabilidade para com a comunidade em que se insere, da comunidade para com o artista e das potencialidades criativas inerentes a uma rede de amizade e entreajuda.

A adesão às ideias e propostas da Rede Cultural de Sintra é simples, e opera nesta fase pelo simples envio de um mail para redeculturaldesintra@gmail.com com indicação de nome, endereço e contacto (mail e telefónico) área cultural onde desenvolve iniciativas (a sós ou em grupo), página web (se tiver) e indicação da disponibilidade para colaborar, e em que áreas.

Já estamos a trabalhar, e queremos que se juntem a nós, seja para construir e gerir o site e a informação, para escrever e comentar a vida cultural, organizar um workshop, colóquio ou webinar bem como um evento ao vivo que regularmente demonstre o que se passa na cena local.

ADERENTES A 2 DE DEZEMBRO: António Bartolomeu, produtor, do Teatro Efémero; André Fausto, ator, músico, grupo de teatro Identidades; Vanessa Muscolino, artista plástica e poeta;Vanessa Oliveira, organizadora do Poetry Slam Sintra, divulgadora ambiental; Raquel Ochoa, escritora; Fernando Morais Gomes, jurista, Presidente da Alagamares-Associação Cultural; Raul Pinto, pianista; Ricardo Pereira, Presidente da Sociedade União Sintrense; Rita da Fonseca, da Dream Makers; Miguel Moisés, ator, Teatro Efémero; Rosa Borges Jacinto, fadista; Filomena Marona Beja, escritora; Ivo Ramad, músico; João Antoniotti, organizador de eventos; Fernanda Botelho, autora de livros sobre Botânica e Natureza; David Cabral, autor e técnico de multimédia; Joana Correia, divulgadora cultural; Thalliz Duque, divulgador cultural; Salomé Pais Matos, harpista; Tiago Pereira, teatro Lordes do Caos; Marco Oliveira Borges, historiador; Daniel André, divulgador cultural e guia de montanha; Maria Barracosa, atriz, Voando em Cynthia; Carlos Manique, historiador; Thiago Bradell, arquiteto; Luciano Reis, formador, animador sociocultural e autor; Eurico Leote, professor e encenador; Alexandre Gabriel, músico, da Zéfiro e Casa do Fauno; Luís Filipe Sarmento, escritor; Rui Zilhão, artista plástico, cartunista, músico; Nuno Miguel Gaspar, historiador; Nuno Correia Pinto, encenador, Chão de Oliva; Nuno Bastos, escritor, performer, artista plástico; Massimo Mazzeo, maestro, fundador do grupo Divino Sospiro; Susana C. Gaspar, atriz e encenadora; Cláudia Faria, atriz; Sílvia Rocha, advogada; Renato Epifânio, filósofo, diretor da revista Nova Águia; Francisco Andrade, podcast Sessão da Meia Noite; Filipa Guimarães, técnica de Relações Internacionais; Inês Franco, estudante universitária grupo de Flamencas Ai a Dança!, tunas da Faculdade de Letras e Poetry Slam; Jorge Trigo, escritor e historiador; Analua Zoé, poeta, pintora, atriz, fotógrafa; Maria José Ferreira, artista plástica; Pedro Rodil, ator; Rodrigo Figueiredo, designer gráfico; Frederico Pais, professor de música; Adriano Reis, ator, contador de histórias; Rute Moura, autarca; Bruno Caseirão, musicólogo; Vasco Nascimento, guia turístico; João Maria, street artist;Hugo Ginjas, baixista da banda rock Trotil, técnico de som free lance; Paulo Lawson, músico, vocalista da banda D. Elvira; João Reis Pedreira, músico; Filomena Barata, técnica superior do Museu Nacional de Arqueologia; Paulo Croft, músico; Sérgio Fontão, maestro; Paulo Cintrão, produtor e ator, byfurcação; Rui Cardoso, produtor radiofónico; Eduardo Sérgio, operador poliestético, músico prospectivo, performer, filósofo, professor universitário; João Aguiar, advogado; Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal; Cristina Félix, autora; Cláudia Ferreira, professora, Coletivos Cirandart; João Mais, ator; Vítor Amaro, presidente da Associação de Artesãos do Concelho de Sintra; Ofélia Cabaço, autora; Criaatividade Cósmica, Associação Cultural;Marcos Félix Gomes, ilustrador, desenhador; Célia Colimão, pintora; Andreia João, cantora; José Manuel Anes, professor universitário; Daniel Alves, produtor de vídeo;Miguel Real, escritor e ensaísta; Luís Martins Pereira, Café Saudade; Maria Rolim, Colares Editora; Rugas Associação Cultural; Clara Saraiva, presidente da Associação Portuguesa de Antropologia; Raúl Tomé, sociólogo; Sérgio Moura Afonso, ator; Cláudio Marques, conservador do Palácio da Vila de Sintra; Vanessa Henriques, realizadora; Coral Allegro, grupo coral; News Museum-Museu das Notícias de Sintra; Rui Oliveira, divulgador de História Local; Vítor Pena Viçoso, professor e ensaísta; Sandra Canelas, animadora cultural; Rui Mário, ator e encenador; Liberto Cruz, escritor; André Filipe, músico; Marina Ferraz, escritora e blogger; Ariadne Castro, animadora cultural; Nuno Antunes, fotógrafo; Filipa Vieira, designer e fotógrafa; António Luís Lopes, sociólogo; António Carlos Cortez, escritor, vencedor do Prémio Ruy Belo 2020; Paula Pedregal, atriz; Samuel Saraiva, ator; Hélder Silva, músico; Sara Vinagre, animadora cultural; Pedro Jardim de Figueiredo, cenógrafo e escultor; José Manuel Gonçalves, técnico superior, aposentado; Odete Dias, organizadora de eventos culturais; André Rabaça, produtor cultural; Cíntia Costa, licenciada em comunicação e marketing; João Rodil, historiador; Helena Tomaz, técnica superior de turismo, guia intérprete oficial e monitora de turismo cultural; Júlio Cortez Fernandes, autor do blogue "Tudo de Novo a Ocidente"; Andrea Vertessen, psicóloga; Clara Maia; Carminda Antunes, atriz; Maria João Rodil, Cultursintra; José Palma, designer.


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

A Esquizofrenia da Pandemia

 

Porque Portugal é um Estado de Direito Democrático, de acordo com o artº 2º da Constituição”, no respeito e na garantia de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais” a validade das leis e dos demais atos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outras entidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição (nº 3 do artigo 3º), sendo tarefa fundamental do Estado garantir os direitos e liberdades fundamentais, e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático (artigo 9º, alínea b). 

Nos termos do artigo 18º os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são diretamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas, e a lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos, não podendo os órgãos de soberania conjunta ou separadamente suspender o seu  exercício, salvo em caso de estado de sítio ou de emergência, declarados na forma prevista na Constituição, e por períodos de 15 dias, devidamente balizados e fundamentados. Igualmente, nos termos do artigo 26º, a todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à proteção legal contra quaisquer formas de discriminação. Mais claramente, dispõe o artigo 35º que a  informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical, fé religiosa, vida privada e origem étnica, salvo mediante consentimento expresso do titular, autorização prevista por lei com garantias de não discriminação ou para processamento de dados estatísticos não individualmente identificáveis, rezando o nº 4 desse normativo: “ É proibido o acesso a dados pessoais de terceiros, salvo em casos excecionais previstos na lei”.

Com estes constrangimentos legais, há que evitar dar o passo que abriria a caixa de Pandora para uma sociedade concentracionária, condicionada, e com um leque das liberdades claramente profanado.

Sabemos que cada telemóvel que usamos há muito põe estes valores em causa: podemos ser georreferenciados, podem desenhar-nos perfis para uso comercial, político ou policial, e são recentes os casos da Cambridge Analytica e da campanha de Trump, em 2016, baseada em perfis recolhidos ilegitimamente,  ou  ainda a invasão de propostas comerciais baseadas nas escolhas que fizemos ao comprar online uma vez que fosse, ou ao consultar certos sites ou bases de dados, aí deixando uma pegada digital.

Contudo, mal ou bem, é ainda nossa opção dispormos dessa privacidade quando decorre da nossa vontade individual,  mais ou menos esclarecida, numa sociedade onde estar na montra é cada vez mais uma hedonística prova de vida e a manifestação de opinião se reduz a um like ou um emoji.

A máscara que hoje nos protege, pode porém ser um dia o açaime que nos silencia, e o telemóvel que nos liga ao mundo a torre de marfim onde nos vigiam.  

Que a pandemia não nos deixe escorregar para a esquizofrenia.



sexta-feira, 26 de junho de 2020

Os nossos amigos "bifes"

  
Estes ingleses ditos nossos mais velhos aliados nem sempre o foram. E se ajudaram em Aljubarrota também foram ajudados quando, estando Carlos II na penúria foi o casamento com Catarina de Bragança quem lhes levou o dinheiro, as possessões e até o chá que hoje bebem.

Já durante as invasões francesas, foi por causa deles que Napoleão mandou invadir Portugal, por sermos fieis à velha aliança e recusado o Bloqueio Continental, tendo eles, depois de nos "ajudar"  feito do país um protetorado até 1822, e mandado entretanto enforcar Gomes Freire de Andrade. Como ponto alto da "amizade", o famoso Ultimato com que nos humilharam após o Mapa Cor de Rosa, bem retratado na letra do nosso Hino, cuja primeira versão, indignada, era "contra os bretões, marchar, marchar."

Sejamos claros: após o desconfinamento, os países mais afetados esconderam os mortos e os infetados, e só Portugal, ingénuo, não se apercebeu de que era "the economy, stupid!". Por um lado, seriam de dispensar as hordas de proletários ingleses bêbados, de peúga branca e sandálias, que anualmente fazem do Algarve o seu quintal de férias. Por outro, não há que fugir ao facto de a british pound pesar muito na economia local, culpa de nos termos tornado um país de serviços cujo maior ativo é o sol. Venham aos menos os irlandeses e os escoceses, que também bebem muito, mas ao menos sabem cantar.