Templários, druidas, ordens religiosas e mistérios profanos, de tudo é feita a mística de Sintra, terra de brumas e promontórios onde o mistério nos surge a cada canto. Para nos falar dessa Sintra de símbolos e crenças, João Rodil, escritor e historiador estará à conversa com os participantes na primeira de dez tertúlias designadas "Conversas sem Rede", todas as últimas quintas feiras do mês até Dezembro, com exceção de Julho e Agosto, e sempre com temas e convidados diferentes. Biblioteca Municipal de Sintra, dia 31 de janeiro, 17h30m. Entrada Livre. Mais informações através de dcul@cm-sintra.pt e 219236110
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Encontros mensais com Gonçalo M. Tavares
A partir de 19 de janeiro, e uma vez por mês, a Biblioteca Municipal de Sintra-Sala Vergílio Ferreira- vai receber o escritor Gonçalo M. Tavares que livremente debaterá com os participantes temas candentes da nossa vida contemporânea. Tais sessões, designadas “Conversas com Gonçalo M. Tavares”, terão início às 15h e a duração de 2 horas, serão de entrada livre, mas limitadas a 30/35 participantes, os quais, querendo, podem inscrever-se antecipadamente para dcul@cm-sintra.pt
A sessão de 19 de janeiro será dedicada ao tema "A Morte"
Nas próximas sessões serão abordados os seguintes temas:
23 de fevereiro- A saúde, a alegria
16 de março- Racionalidade e loucura
27 de abril- A tecnologia
25 de maio- A linguagem, a verdade e a mentira
22 de junho- Imagens e imaginação
28 de setembro- O poder, a politica
26 de outubro- A Identidade
23 de novembro- O amor
28 de dezembro- As utopias
Gonçalo M. Tavares é já um dos escritores mais traduzidos de sempre da literatura portuguesa, (estando em curso traduções e edições internacionais de todos os seus livros, em mais de 50 países). Gonçalo M. Tavares recebeu importantes prémios em Portugal e no estrangeiro, nos mais diversos géneros literários. Como Aprender a Rezar na Era da Técnica recebeu o Prix du Meilleur Livre Étranger 2010 (França), prémio atribuído antes a Robert Musil, Philip Roth, Gabriel García Márquez, Elias Canetti, entre outros. Recebeu inúmeros prémios internacionais: Prémio Portugal Telecom 2007 e 2011 (Brasil), Prémio Internazionale Trieste 2008 (Itália), Prémio Belgrado 2009 (Sérvia), Grand Prix Littéraire Culture 2010 (França), Prix Littéraire Européen 2011 (França). Foi por diversas vezes finalista do Prix Médicis e Prix Femina.
Em Portugal recebeu, entre outros, o Grande Prémio do Romance e Novela da APE, Prémio José Saramago, Prémio Fernando Namora. Jerusalém foi o livro mais escolhido pelos críticos do jornal Público para romance da década e Uma Viagem à Índia foi escolhido pelo jornal DN, por diferentes críticos, como uma das 25 obras essenciais da história da literatura portuguesa.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Por uma Liga dos Amigos do Festival de Sintra
Marco primordial
da actividade musical em Sintra, é o Festival de Sintra, com origens em 1957
nas Primeiras Jornadas Musicais do Município de Sintra, em resultado de um
esforço significativo de dinamização artístico-cultural, e marcadamente
destinado à pianística, por ele tendo passado os mais reputados executantes
mundiais. Nos anos sessenta alargou o seu âmbito a outras expressões
artísticas, como o bailado, a música de câmara, o teatro e a ópera, tendo
apenas sido interrompido entre 1974 e 1983. Distribuído pelos luxuriantes
palácios e quintas de Sintra, dele foi mecenas Olga Maria Nicolis di Robilant
Álvares Pereira de Melo, Marquesa de Cadaval, e participaram nomes como Roland
Petit, Grigori Sokolov ou Artur Rubinstein. Em 2001 a organização do Festival
de Sintra passou para a responsabilidade da empresa municipal SintraQuorum e
desde 13 de outubro desse ano o Centro
Cultural Olga Cadaval passou a dispor de condições ímpares para a realização de
grandes eventos musicais, ali tendo atuado o Ballet e a Ópera Nacional de
Novosibirsk, a Companhia Nacional de Bailado, o Ballet du Grand Theatre de
Geneve, a Companhia Nacional de Dança de Espanha, o Scottish Dance Theatre, o
Scapino Ballet de Roterdão, o Teatro Negro Nacional de Praga, o Teatro Nacional
e Ópera da Moldávia, o Moscow Tchaikovsky Ballet, o Ballet Estatal Russo de
Rostov, entre outros, bem como todos os grandes nomes da música portuguesa.
Sintra dispõe de diversos grupos de música clássica, música popular
tradicional, orquestras, ranchos folclóricos adultos e infantis, bandas
filarmónicas, grupos de música erudita, grupos de música tradicional, de
cantares e orquestras escolares, a que acrescem os diversos grupos de hip hop,
jazz, rock, música ligeira e fado. É, pois, também Sintra uma terra de música,
onde Richard Strauss comparou a Pena ao castelo de Klingsor, do celebrado
Parsifal de Wagner.
O Festival de
Sintra é uma marca que pode e deve ser utilizada como marca de água na futura
promoção de Sintra como cidade criativa da UNESCO, e um evento que cada vez
menos deve ser visto como isolado na programação de grandes festivais europeus,
ou condenado a só ser divulgado e promovido no período que antecede a sua
realização. A recuperação das memórias de outros anos, de instrumentistas,
músicos ou cantores, bem como a divulgação de outros festivais congéneres,
merece que a sociedade civil melómana e os atores institucionais congreguem
esforços no sentido de constituir uma Liga dos Amigos do Festival de Sintra,
que agregue personalidades do mundo
musical com ligações ao Festival, agentes culturais, sociais e políticos
sintrenses e faça da sua memória, defesa e promoção um projecto permanente ao
longo do ano, seja pela criação de um site e blogue dedicados ao Festival, (aos
do passado e do futuro), seja pela divulgação de músicos e festivais
congéneres, realização de palestras e encontros, e parceiro ativo na sua promoção,
enquanto referencial comunitário e em apoio às iniciativas que para a sua
concretização, bem como da candidatura a Cidade Criativa se imponham, como novo
e virtuoso stakeholder. O que pensam
os sintrenses?
sábado, 6 de outubro de 2018
"Lisboa Nazi" apresentado em Sintra
Dia 20 de Outubro, sábado, 18h30m, apresentação em Sintra da nova obra de Sérgio Luís Carvalho "Lisboa Nazi", no café Garagem, junto à Biblioteca de Sintra, com apoio das edições Parsifal, da Alagamares-Associação Cultural e da Garagem. Apresentação de Miguel Real. Entrada Livre.
Sérgio Luís de Carvalho nasceu em Lisboa em 2 de julho de 1959 e reside em Sintra.
Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1981) e tirou o mestrado em História Medieval pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1988).
Atualmente é docente de História e de História da Arte, sendo ainda Diretor Científico do Museu do Pão e do Museu da Cerveja.
Ver sobre o autor em
https://www.wook.pt/autor/sergio-luis-de-carvalho/24126
Ver sobre o autor em
https://www.wook.pt/autor/sergio-luis-de-carvalho/24126
domingo, 16 de setembro de 2018
Conferência 27 de Setembro
Dia 27 de Setembro, 17.30h, no MU.SA, Sintra, debate sobre integração de refugiados e imigrantes. Com Teresa Tito de Morais, do Conselho Português dos Refugiados, Mamaduh Bah, da SOS Racismo, e Ana Couto, da Câmara Municipal de Sintra. Entrada Livre.
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Conferência- A Economia da Cultura-8 de Maio
No âmbito do Ano Europeu do Património Cultural, realiza-se no dia 8 de maio pelas 17h30m, promovida pela Câmara Municipal de Sintra no MU.SA-Museu das Artes de Sintra, a conferência "A Economia da Cultura" que abordará as potencialidades da cultura como motor de desenvolvimento económico, as cidades criativas e a experiência e desafios de Sintra. Oradores: Basílio Horta, presidente da CMS, Guilherme d'Oliveira Martins, coordenador do Ano Europeu do Património Cultural, Augusto Mateus, antigo governante e autor de um importante estudo sobre as industrias culturais e João Cabral, diretor executivo da StartUp Sintra. Entrada Livre.
quarta-feira, 11 de abril de 2018
22 de abril, Sintra evoca 150 anos de Viana da Motta
22 DE ABRIL 18H30M
PALÁCIO NACIONAL DE QUELUZ
CONCERTO-150 ANOS DO NASCIMENTO DE VIANA DA MOTTA
EXECUTANTE:JOÃO BETTENCOURT DA CÂMARA
ENTRADA LIVRE
SOBRE VIANA DA MOTTA
Figura incontornável da música e composição em Portugal no
séc XX foi Viana da Motta.
José Viana da Motta nasceu no dia 22 de Abril de 1868 na
Ilha de São Tomé. Com dois anos de idade veio para a Metrópole, passando a
residir em Colares (Sintra), em local assinalado, em 1971, com uma lápide da
autoria de Anjos Teixeira, no nº38 da R. da República. Os seus
dotes musicais precoces foram desde logo notados, nomeadamente pelo seu pai,
também um amante da música, que soube incitar a vocação do filho. Aos sete anos
ingressa no Conservatório e aos 13 apresentou-se pela primeira vez em concerto
no Salão da Trindade, com obras da sua autoria. O rei D. Fernando nota o seu
talento e a partir de então Viana da Motta torna-se seu protegido. Terminado o
curso do Conservatório com distinção, o rei e a Condessa d’Edla patrocinam uma
bolsa de estudo para piano na Alemanha, no Conservatório de Scharwenka. Em
1882, Vianna da Motta parte então para Berlim,e inicia uma carreira nacional e
internacional de renome.
Mas voltou sempre a estas terras de acolhimento na sua
infância e, inclusive contribuiu para o seu progresso. Reza a imprensa da época
que, não existindo rede elétrica pública em Galamares e Colares, Viana da Mota
realizou um concerto, gratuito, no salão de Galamares, a 15 de Setembro de 1923,
a fim de se obterem fundos para a instalação de energia elétrica em Colares,
sendo a luz para tal concerto fornecida, a título precário, pela companhia
Sintra-Atlântico, através da sua rede de tração.
A parte mais significativa da sua produção artística foi
confiada à música para piano e para canto e piano, onde musicou tanto textos
portugueses como alemães. Esta é talvez a sua música de cariz mais íntimo,
resultando nas páginas mais belas da sua criação. No entanto, a sua obra mais
simbólica é a Sinfonia "A Pátria", em Lá Maior, Op.13. Composta em
1895 e estreada dois anos mais tarde no Porto, cada um dos seus quatro
andamentos é expressão musical da obra de Camões, Os Lusíadas. Emblemática da
corrente nacionalista, fruto do Ultimato Inglês a Portugal, esta obra constitui
a primeira sinfonia bi-temática escrita por um compositor português.
SOBRE JOÃO BETTENCOURT DA CÂMARA
João Bettencourt da Câmara concluiu em 2006 com a
classificação máxima o Curso de Piano no Conservatório Nacional, ao mesmo tempo
que os estudos secundários no Colégio do Sagrado Coração (Lisboa). Em Portugal
estudou ainda com V. Viardo, H. Sá e Costa, T. Achot, Sequeira Costa, A.
Pizarro, P. Burmester, D. Bashkirov, G. Eguiazarova e A. Ciccolini. Recebeu,
entre outros, os 1ºs prémios no Concurso Cidade do Fundão (1999 e 2000) e
Concurso Maria Cristina Lino Pimentel (2001); 2º Prémio no Concurso de Piano
Florinda Santos (1998); Prémio Especial do Júri no II Concurso “Veo Veo”
Internacional da Radiotelevisão Espanhola (1999).
Deu o seu primeiro recital público aos sete anos de idade e
estreou-se como solista aos doze, executando o Concerto K. 414 de Mozart e,
poucos meses depois, o Terceiro concerto de Beethoven, com a Filarmonia das
Beiras, a que se seguiram outros com diferentes orquestras portuguesas
(Concerto de Grieg, Rhapsody in Blue de Gershwin). Obtendo sempre elevadas
classificações (“First Class Honours”), licenciou-se em 2010 com uma das
melhores classificações da história do RCM, pelo que recebeu o Sarah Mundlak
Memorial Prize For Piano, atribuído ao melhor finalista do ano. Para o
mestrado, foi novamente admitido nas mesmas escolas londrinas, escolhendo desta
feita a Guildhall School (City University), onde concluiu o curso com distinção
como aluno do pianista Martin Roscoe.
Iniciou a sua carreira internacional em 2007, com uma
digressão nos Estados Unidos da América. Em recitais e concertos em Portugal
(Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Fundação Calouste Gulbenkian,
Fundação Eugénio de Almeida, entre outros), Inglaterra, França e Espanha,
vem-se afirmando como intérprete do grande repertório clássico (Bach, Mozart,
Beethoven), romântico (Liszt, Chopin, Brahms, Rachmaninoff) e moderno (Debussy,
Prokofieff). O seu primeiro disco comercial, consagrado a algumas das maiores obras
de Liszt, foi recentemente editado pela Numérica. Desde 2013, é docente de
Piano na Universidade de Aveiro onde se encontra a concluir o Doutoramento.
PROGRAMA
J. Vianna da Motta - Balada
Francisco de Lacerda - Levantinas
- Na Acrópole - Dança Grega
- Dos minaretes de Suleiman-Djami
- Ao crepúsculo - Dança grega
F. Liszt - Sonata em Si menor
segunda-feira, 26 de março de 2018
2 de abril, sessão evocativa de Francisco Costa
30 ANOS DO DESAPARECIMENTO DE FRANCISCO COSTA
SESSÃO EVOCATIVA
PALÁCIO VALENÇAS 2
DE ABRIL 16H. Entrada livre
Francisco Costa (1900-1988) foi um escritor genuinamente
sintrense: nasceu, casou, viveu, trabalhou e morreu em Sintra, a 2 de abril de
1988, passam este ano 30 anos. Foi muitos anos contabilista na Adega Regional
de Colares e, em 1939 transitou para a Câmara Municipal de Sintra, onde fundou
a Biblioteca e o Arquivo Municipal, no Palácio Valenças.
Foi autor de Pó, livro de poemas, em 1920, recebendo
louvores críticos de Ferreira de Castro. Posteriormente, em 1925, publicou
Verbo Austero, que colheu os favores de Fidelino de Figueiredo, crítico
literário classicista, e de Fernando Pessoa, que lhe pediu alguns poemas para a
sua revista Athena. Neste livro, é publicado o soneto Cruz Alta, inscrito no
cume da Serra da Sintra. São seus, entre outros, os romances A Garça e a
Serpente (1943) Primavera Cinzenta (1944) Revolta de Sangue (1946) e Cárcere Invisível
(1949).
Na década de 50
publicou a trilogia a que deu o título geral de Em Busca do Amor Perdido:
Acorde Imperfeito (1954) Nocturno Agitado (1955) e Cântico em Tom Maior (1955).
Em 1964, publica o romance Escândalo na Vila e em 1973 Promontório Agreste.
No plano da
história, são de sua autoria os três volumes dos Estudos Sintrenses. Em 1962
criou no palácio Valenças uma sala onde recolheu a documentação produzida pela
Administração do Concelho de Sintra, os livros de atas da Camara Municipal
produzidos desde 1794 e os forais manuelinos de Sintra e Colares atribuídos em
1514 e 1516, respetivamente. Estava dado o primeiro passo no sentido de uma
efetiva ação de recolha e tratamento sistemático da informação arquivística
então existente. Encontra-se em fase de recuperação por parte da CMS a casa
onde viveu em Sintra, projeto de Raul Lino e destinado a um Centro de
Interpretação Literário.
Assinalando os 30 anos do seu desaparecimento,
realizar-se-á uma sessão evocativa, promovida pela Câmara Municipal de Sintra,
sendo oradores Carlos Manique da Silva, historiador, Miguel Real, escritor, e
Júlio Cardoso, coordenador do Arquivo Municipal de Sintra.
Artigos sobre Francisco Costa:
Miguel Real
Artigos sobre Francisco Costa:
Miguel Real
Carlos Manique
Eugénio Montoito
sexta-feira, 9 de março de 2018
Sintra, uma terra (também) de música
Marco primordial da actividade musical em Sintra, é o Festival de Sintra, com origens em 1957 nas Primeiras Jornadas Musicais do Município de Sintra, em resultado de um esforço significativo de dinamização artístico-cultural, e marcadamente destinado à pianística, por ele tendo passado os mais reputados executantes mundiais. Nos anos sessenta alargou o seu âmbito a outras expressões artísticas, como o bailado, a música de câmara, o teatro e a ópera, tendo apenas sido interrompido entre 1974 e 1983. Distribuído pelos luxuriantes palácios e quintas de Sintra, dele foi mecenas principal Olga Maria Nicolis di Robilant Álvares Pereira de Melo, Marquesa de Cadaval, e participaram nomes como Roland Petit, Grigori Sokolov ou Artur Rubinstein.
Em 2001
a organização do Festival de Sintra passou para a responsabilidade da empresa
municipal SintraQuorum e desde 2002 passou a contar com o novo espaço de
espectáculos de Sintra, o Centro Cultural Olga Cadaval.
Tem
Sintra igualmente tradições musicais em centenárias agremiações dedicadas à
música, algumas muito antigas, como a Sociedade Filarmónica Boa União
Montelavarense, fundada em 1890, a Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares,
em 1891 ou a Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme, de 1892. No dealbar
do século XIX marcaram a vida cultural sintrense a Fanfarra União Sintrense, a
Estudantina Maquieira, o Trio Paulus, que várias vezes actuou no desaparecido
Teatro Minerva, em Colares, o sol-e-dó do grupo dos 20, ou o Grupo dos 14, que
organizou diversas récitas e bailes
Em
Agosto de 1924 foi inaugurado o Casino de Sintra, iniciativa da Sociedade de
Turismo de Sintra Lda, de Adriano Júlio Coelho, projecto de Norte Júnior,
construído por Júlio da Fonseca. Durante anos espaço de lazer, ficaram célebres
as atuações do sexteto dirigido pelo concertista Francisco Benetó, da cantora
espanhola Tina de Jarque ou de Les Demos, bailarinos franceses. Marcaram a cena
musical sintrense nesse período o Orpheon de Sintra, a Sociedade União
Sintrense, a Tuna Operária de Sintra, Os Aliados e o 1º Dezembro
O Estefânea Jazz, 1935
O Estefânea Jazz, 1935
Em 19
de Março de 1941 ocorre o primeiro Baile das Camélias, em que a ainda jovem
escritora Maria Almira Medina recita “Camélias de Sintra”, e canta “várias
canções em americano…”, abrilhantando a festa o agrupamento musical Os
Caprichosos. Ainda ocorre todas as primaveras decorre este Baile, matricial na
vida cultural sintrense.
Nos
anos quarenta foi a orquestra dos "Aliados" em S. Pedro, apadrinhada
por Maria Clara, e nos anos cinquenta foram frequentes concurso das
colectividades do concelho, com espectáculo no ringue do Hóquei no Parque da
Liberdade, ou as Noites do Mambo, no Sport União Sintrense, ou do Baião, na
SUS, onde actuaram entre outros o tenor Tomé de Barros Queirós e Mimi Gaspar.
Por essa altura, fizeram furor as bandas “Os Mexicanos” de Galamares, ou a Orquestra
Royal Star, de Sintra.
No
plano da música folclórica, destaque para a Filarmónica de Pêro Pinheiro que em
1962 obteve o 2º Lugar no Festival Mundial de Bandas, em Kerkrade, na Holanda,
tendo uma recepção apoteótica à chegada.
Em 1975
é criado o Conservatório de Música de Sintra e em 1979 a orquestra de Pêro
Pinheiro, em 1987 a Orquestra Regional de Colares e em 1991 a Orquestra Ligeira
de Almoçageme, sintoma da existência de sinergias e valores misturando
elementos populares e eruditos.
Com a
inauguração em 13 de outubro de 2001 do Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra
passa a dispor de condições ímpares para a realização de grandes eventos
musicais, ali tendo atuado o Ballet e a Ópera Nacional de Novosibirsk, a Companhia
Nacional de Bailado, Pablo Milanés, Chico César, Ivan Lins, o Ballet du Grand
Theatre de Geneve, a Companhia Nacional de Dança de Espanha, o Scottish Dance
Theatre Tito Paris, Celina Pereira, o Scapino Ballet de Roterdão, o Teatro Negro
Nacional de Praga, o Teatro Nacional e Ópera da Moldávia, o Moscow Tchaikovsky
Ballet, o Ballet Estatal Russo de Rostov, Cesária Évora,em como todos os
grandes nomes da música portuguesa. Destaque para a abertura às escolas e
conservatórios, ou os famosos concertos para bebés.
Sintra
dispõe de diversos grupos de música clássica, música popular
tradicional, orquestras, ranchos folclóricos adultos e infantis, bandas filarmónicas,
sete grupos de música erudita, grupos de música tradicional, de cantares e orquestras
escolares ,a que acrescem os
diversos grupos de hip hop, jazz, rock, música ligeira e fado. É pois também Sintra uma terra de música e onde Richard Strauss comparou a Pena ao castelo de Klingsor, do celebrado Parsifal de Wagner.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Um conto de Natal
Alfredo
Regaleira ganhara as autárquicas de 2021 pelo Partido dos Verdadeiros
Sintrenses, formado nas redes sociais. Oriundo duma família abastada, fora
administrador de empresas municipais, vereador e suplente da distrital. Depois
da inesperada morte de João Xavier, o candidato preferido do partido, o recurso
foi o cinzento tecnocrata, eleito pela margem mínima presidente da Câmara de
Sintra, para um mandato de quatro anos.
Era uma
pessoa amarga e seca, enfiado em estatísticas, telemóveis e impessoais powerpoints. Raramente visitava as
associações ou recebia os munícipes, o Orçamento pautava-se por cortes cegos,
ferrenho adepto do fim do estado social. Os funcionários odiavam-no, mas
receavam pronunciar-se. A introdução de controlo da assiduidade através da
retina, a diminuição dos funcionários para metade, as câmaras de vigilância nos
serviços, controladas a partir da presidência, aconselhavam prudência, Ivone, a
secretária, detestava-o, sempre carrancudo, um sorriso de plástico apenas para
televisão ver, implicara até com um retrato da filha que tinha na secretária.
Familiaridades a mais, dizia, mal-humorado. Aos que lhe pediam apoio,
despachava sem contemplação, "não há
dinheiro, não sou a Santa Casa", respondia, insensível. Até um
lancinante pedido dos pais da pequena Sandra para ajudar a fazer um transplante
de medula enviara para o Querida Júlia, “as
pessoas são lamechas”, desabafava entediado, “haveriam de lançar um peditório.” Divorciado e sem filhos, morava
na Beloura com Sócrates, um labrador
ainda cachorro, e aí se isolava quando se conseguia livrar das aborrecidas
cerimónias nos infantários e lares de idosos, distribuindo beijos a crianças
ranhosas e velhas sempre a queixar-se.
Uma
noite, já tarde e de regresso a casa, passado o Ramalhão, um vulto sumido e
esbranquiçado arrastando correntes nos pés, surgiu-lhe à frente do carro.
Esfregou os olhos, alguma digestão mal feita, pensou. O vulto, translúcido,
entrou pelo vidro do carro e sentou-se no banco a seu lado:
-Boa noite Alfredo! -saudou numa voz
metalizada. Sou eu, o Mário!
Atónito,
reconhecia Mário Rabaçal, seu correligionário político e antigo administrador da empresa municipal de
educação, falecido meses antes num acidente perto dali.
-Não é possível! Mas tu não morreste? Estive
no teu funeral, c’um raio…
-Estou morto sim, Alfredo. Mas venho para
te avisar que ainda estás a tempo de emendar a mão. Os cortes no leite das
escolas, a comida estragada que servíamos nas cantinas, o desfalque na
tesouraria, tudo paguei bem caro, errando agora como uma alma penada! -e exibiu
um grilhão, pesado, parecia uma cena de thriller
americano. -Venho avisar-te que ainda
esta noite receberás três visitas, às quais deves estar muito atento.
-Mas…E antes que tivesse tempo de
concluir, o banco do lado ficou de novo vazio, eclipsando-se o vulto no éter.
Chegado
a casa, bebeu um chá de limão e foi deitar-se. Devia ter sonhado, pensou. Meia
hora não era volvida quando uma figura irradiando luz, de casaca e cartola, lhe
surgiu no quarto. Sobressaltado, pensando chamar a Policia, logo o vulto o
advertiu que não abrisse a boca.
-Boa noite Alfredo Regaleira. Eu sou a
Sintra do passado. Levanta-te e acompanha-me!
Mal
tivera tempo de reagir, e de pijama, já o vulto o levava voando nos céus de
Sintra, para logo pousarem no Palácio da Pena. Candelabros com velas
profusamente espalhados iluminavam a noite, lá dentro uma orquestra tocava no
salão grande, onde vistosas damas e dignitários envergando fardas coloridas
deslizavam dançando. Animado, o rei D. Fernando conduzia uma corada cortesã ao
som da Marcha Radetsky. Lá em baixo, na vila, carruagens passeavam dandys com casadoiras donzelas, na
estação do Larmanjat, saloios com seus jumentos esperavam novos forasteiros,
para os transportarem ao Lawrence e ao Nunes. Felicidade e harmonia reinavam.
Alfredo, absorto, admirava aquele quadro de beleza, Sintra no seu esplendor,
romântica e aristocrática. Ia interpelar o espírito, quando de novo se viu na
cama, sentado e baralhado. Foi à cozinha beber água, apaziguando o torpor em
que se achava. Minutos depois, encostada ao frigorífico, outra figura o
aguardava já, um homem de fato e óculos escuros, fumando um cigarro e com um
jornal debaixo do braço. Conformado, abordou-o:
-Suponho que sejas Sintra do presente…
O vulto
assentou com a cabeça, e de automóvel saíram para Sintra, deserta à noite. Num
lar de idosos racionava-se a luz por falta de verba, uma família de
desempregados vasculhava caixotes buscando comida, enquanto na Volta do Duche,
um jovem fazia carjacking a um
incauto turista, logo se pondo em fuga. Encolheu os ombros, suspirando, e pediu
que voltassem, esta realidade conhecia ele, mais pelos relatórios que por
experiência.
De
volta a casa, inquieto e pensativo no sofá da sala, com o labrador aos pés,
receava a terceira visita. Das traseiras, minutos depois, surgiu um jovem
desdentado, com um capuz na cabeça e dois piercings
no lábio. Olhando-o com desprezo, fez sinal que o seguisse. Acabrunhado, de
motorizada foram ver a Sintra do futuro: sem-abrigo aqueciam-se em fogueiras na
zona pedonal da Estefânea, na Vila, no lugar da Periquita, surgira uma loja
chinesa, apenas sete moradores resistiam, a igreja ruíra por falta de obras. Na
Volta do Duche, alinhavam-se contentores onde moravam famílias sem tecto depois
dos despejos por si ordenados. A pequena
Sandra morrera por falta de transplante, desesperados, os pais não haviam
conseguido o dinheiro para a operação. Parando no cemitério do Chão Frio, o
jovem dos piercings apontou-lhe uma lápide grafitada onde se lia: “Alfredo Regaleira 1970-2024”, descontraído,
um cachorro urinava-lhe em cima. Estarreceu, com suores frios.
Mal
refeito, acordou na cama, em sobressalto. Abriu os olhos, o labrador que
dormitava ergueu-se e lambeu-lhe as mãos, brincalhão. Amanhecia lá fora.
Vestiu-se
num ápice, meteu-se no carro e correu para a Câmara. Pelo caminho, sorridente,
distribuiu bons dias aos atónitos munícipes, acenando e buzinando, e parou numa
florista a comprar um bouquet para a Ivone, a quem entregou com um beijo na
mão.
-Ivone, mande chamar os pais daquela pequena,
a Sandra, desmarque todas as reuniões, e convoque o director do departamento de
assuntos sociais, é urgente. Ah, nunca lhe disse que o seu penteado é muito
charmoso?
Ivone
hesitava entre o boquiaberto e o espantado, derretendo-se dengosa, ante o
piropo. Correu a dar andamento, o homem tinha-se passado, com certeza.
Daí em
diante, as pessoas foram a prioridade de Alfredo Regaleira. Inaugurou o novo
hospital, apoiou os artistas do concelho, aboliu o controlo de assiduidade,
criou empregos. Foi reeleito duas vezes, sempre com maioria absoluta. À
cabeceira da cama, na casa da Beloura, onde agora a pequena Sandra, curada,
brinca com o labrador, está sempre um inspirador livro da autoria de Charles
Dickens…
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