Quarenta anos de experiências autárquicas demonstram
que é chegado o momento do virar de página no quadro territorial, de
competências e de gestão das mesmas. Litoralizado o país, florescendo
conurbações interligadas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sobretudo,
impõe-se um novo quadro, pois realidades há que exigem novas abordagens,
unificando concelhos ou reajustando outros, pesem os bloqueios de paróquia que
mais se devem afirmar no quadro de afirmação cultural que na representação
institucional. Por outro lado, mais ágil e adequado se afigura um modelo
eleitoral em que as candidaturas sejam para a Assembleia Municipal, sendo
presidente o candidato da lista mais votada, e os demais tendo assento na
Assembleia, esta com poderes reforçados, modelo que, por interesses
partidários, não vingou até hoje. O presidente, livre de escolher a sua equipa,
apresentaria programa à Assembleia, poderia ser objecto de censura, em tudo
acompanhando o modelo actualmente usado com o Governo. Sugeriria que,
introduzindo a “nuance” da obrigação de, derrubado um executivo, os opositores
deverem apresentar alternativa clara, a sós ou em coligação, em nome do
princípio da governabilidade (moção de censura construtiva). Os membros da
vereação poderiam ser livremente nomeados e demitidos pelo presidente, e este
teria poderes reforçados, havendo vantagens na presidencialização do presidente
da câmara, evoluindo do actual modelo para outro mais eficaz. O mesmo quadro
para as juntas de freguesia. No quadro da gestão, haveria que criar sistemas de
gestão partilhada de serviços e pessoal, num quadro inter-municipal e regional,
potenciando economia de meios e reforço de recursos. Porquê a proliferação de
serviços de águas, lixo, cultura, protecção civil por cada município, quando
num quadro integrado se poderia obter vantagens de gestão, força de
reivindicação, e operacionalidade reforçada? O quadro das despesas deveria
contemplar a maleabilidade do outsourcing, a eliminação de serviços duplicados,
e o das receitas, derramas sobre as mais-valias a favor de obras ou acções de
interesse comunitário e maior participação na fatia dos impostos nacionais. O
cheque para a cultura, em que 1% dos impostos e taxas cobrados serviria para
financiar um fundo de promoção cultural gerido pela autarquia e pelos agentes
culturais, e as isenções de parte do IMI para os proprietários que
reabilitassem seriam outras medidas bem vistas. No quadro do planeamento,
prioridade à reabilitação urbana, agilizando os planos de pormenor, reduzindo
os pareceres de entidades sempre que haja plano director aprovado e dispensando
prazos de apreciação quando os pedidos se ajustassem a plano-tipo que a
autarquia disponibilizaria. O recurso a empresas externas para a apreciação de
projectos ou a manutenção de equipamentos num quadro de igualdade de
oportunidades seria igualmente interessante. No que a Sintra concerne, seria
curial um número de vereadores não superior a 7 e uma assembleia municipal
reduzida em 1/3). A gestão das áreas da educação, saúde, polícia municipal,
cultura ou cobrança de impostos poderia ser feita num âmbito intermunicipal,
por exemplo. Tudo isto são só ideias e sugestões. Seria no entanto útil que os
visados tivessem uma palavra a dizer em vez de virem a ser surpreendidos com
uma reforma autárquica feita a partir de cima e às pressas, e numa lógica
meramente economicista.
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Era uma vez uma freguesia
Hoje é dia
de S. Martinho, ocasião para falar da extinta e histórica freguesia de S.
Martinho. A extinção da freguesia, por agregação com Santa Maria e S. Miguel e
S. Pedro de Penaferrim, centralizando a sede da nova União das Freguesias de
Sintra em Santa Maria e S. Miguel, constituiu um acto impensado e atentatório
da vontade dos seus fregueses, que, no mínimo, deveriam merecer a consideração
de uma justificação adequada, decorrente de estudos sérios e participados que
levassem a essa conclusão, e que fosse objecto de auscultação da população,
pela pronúncia favorável dos seus órgãos próprios ou pela convocação de um
referendo local. Deveria ser assim, nas democracias. Nesta não. Até porque não
foi dada a oportunidade de exercer o contraditório, por audiência aos
interessados, apenas tendo havido pronúncia das assembleias de freguesia pela
não extinção ou agregação em abstracto.
S.Martinho,
da Vila a Janas e de Galamares a Nafarros, construiu uma identidade ao longo de
décadas em torno das suas festas, símbolos, colectividades e património. A ela
se dedicaram autarcas como Noel Cunha, Álvaro Ramires, João Pedro Miranda,
Adriano Filipe ou Fernando Pereira, nela se situam várias das instituições
emblemáticas de Sintra. Com os anos, foi das poucas freguesias que viu a
população crescer, ampliou e modernizou instalações e serviços e dinamizou a
acção social, pelo que o mínimo exigível seria o reconhecimento do trabalho
feito por autarcas de várias cores mas com uma só camisola. Com a agregação,
que muitos contestaram mas hoje já esqueceram, não foi S.Martinho quem mais
perdeu, foi Sintra, o poder local e a democracia. Não por medo do
"outro", dos actuais dirigentes, das freguesias vizinhas ou da perda
de identidade, mas, sobretudo, por a voz do seu povo ter sido abastardada e
tratada como vã e inútil. Quem subestima o povo tarde ou cedo lhe ficará às
mãos (ou aos votos...).A saga continua, e por vezes a História repete-se, quem
sabe.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
A América ganhou o seu Nero
Agora
que chegou onde queria, Donald Trump já pode voltar a ser o que nunca deixou de ser: um
banal troglodita que durante uns meses virou um troglodita político, não para
regenerar o sistema americano ou ser a voz dos deserdados de Washington,
mas para o narcísico cumprimento de um capricho: o de, depois de milionário,
apresentador de televisão, e socialite depravado ser presidente dos Estados Unidos. Podia
tê-lo feito entrando numa série da Netflix ou num filme de Clint Eastwood, mas
não, tal como o coronel do Apocalipse Now, que precisava do cheiro de napalm pela
manhã, Trump precisava de agarrar a Casa Branca como agarrou as vaginas das concorrentes de The Apprentrice. O poder é afrodisíaco, dizem, e Trump está a
ter o seu, Nero dos tempos modernos pondo a culpa nos imigrantes como antes este nos
cristãos, sacrificando Hillary como este a mãe, Agripina, e pegando fogo a
Roma e culpando islâmicos, latinos, mulheres, com os seus cowboys pronto a devolver os Speedy Gonzalez aos
desertos do México ou os refugiados às ruinas de Alepo.
Tudo
teria graça não fosse uma desgraça. Donald Trump, o construtor civil,
vai agora dedicar-se a construir muros, cimentar a segregação, humilhar, deportar, ameaçar,
qual novo e requentado doutor Strangelove com o botão nuclear ao lado do champanhe
francês e de alguma playmate contemplando a "sua" América da janela da Sala Oval. É claro que
pouco ou nada do que disse ou prometeu sairá do papel, mero soundbite para abrir
telejornais e ganhar votos nos rodeos do Kansas ou Arizona. Mas o mundo vai
ficar mais perigoso, desconfiado, fechado nos seus medos e numa perigosa
esquizofrenia isolacionista. A América que produziu Obama, também pode produzir um Trump.
Os dados estão lançados, e a hora é de Trump, o dono do salloon.
Um ecossistema para o associativismo
Para que
servem as organizações não -governamentais, associações cívicas e a dita
“sociedade civil “ em geral, nas quais associações como a Alagamares se inserem
e pretendem desempenhar um papel?
Norberto
Bobbio afirmou um dia que o cidadão, ao fazer a opção pela sociedade de consumo
de massas e pelo Estado de bem-estar social, sabe que está a abrir mão dos
controles sobre as atividades políticas e económicas por ele exercidas em favor
de burocracias, privadas e públicas, e que em conjunto com a realização de
eleições e a existência da burocracia, a democracia assenta para muitos na
ideia de que a representatividade constitui a única solução possível nas
democracias de grande escala, aí se esgotando a intervenção daqueles que se não
assumem como agentes políticos directos.
Pode
apontar-se Jürgen Habermas como um dos autores que melhor analisaram este
alargado entendimento da democracia. A criação de esferas públicas que
participem das instituições e as controlem, redesenhando a relação estabelecida
com os cidadãos, possibilita a indispensável reconciliação da democracia
participativa com a organização política tradicional do Estado, abrindo lugar
para a participação dos actores sociais em fóruns amplos de debate e
negociação, sem substituir, contudo, o papel dos representantes eleitos. A
efectividade democrática está assim reforçada com uma sociedade civil
organizada e com a dinâmica que ela desenvolve. Os movimentos, as organizações
e as associações podem, a partir de sua actuação revigorar os sentidos da
democracia, ocupando uma arena que lhe é natural e necessária.
O padrão
democrático de uma sociedade passa hoje não só pela densidade cívica da sua
sociedade civil, mas também pela pluralidade de formas participativas
institucionalizadas capazes de inserirem novos actores no processo decisório
destas mesmas sociedades. Acredita-se, com isso, que os actores societários
deverão não só abordar situações problemáticas e buscar influenciar os centros
decisórios, mas também assumir funções mais ofensivas no interior do Estado.
Na linha dos
estudos de Habermas, a sociedade civil pode ser compreendida como o espaço
público não estatal, composto por movimentos, organizações e associações que
captam os ecos dos problemas sociais na esfera privada e os transmitem para a
esfera pública.
São as ONGs,
os movimentos sociais, as comissões, grupos e entidades de direitos humanos e
de defesa dos excluídos por causas económicas, de género, raça, etnia,
religião, portadores de necessidades físicas especiais; associações e cooperativas,
fóruns locais, regionais, nacionais e internacionais de debates e lutas por
questões sociais; entidades ambientalistas e de defesa do património histórico
e arquitectónico, etc.
De entre os
aspectos positivos da ação da sociedade civil organizada destaca-se a
pluralidade do discurso e o estabelecimento do diálogo construtivo, tendo-se em
vista as múltiplas vozes que se querem fazer ouvir na sociedade civil; a
promoção da denúncia, tornando públicas as situações de injustiça e de violação
de direitos; a protecção do espaço privado, reforçando os limites do Estado e
do mercado; a participação directa nos sistemas políticos e legais,
estimulando-se e fortalecendo-se leis e políticas públicas que promovam os
direitos humanos; a promoção da inovação social, se possível construindo e
participando em redes redes que evitem a fragmentação e fortaleçam o uso dos
recursos.
Vivemos dias
de incerteza, mas também de desafio, e se certas patologias, como o desemprego
ou a emigração enfraquecem o número e a pujança dos que militam em associações
da sociedade civil, novas oportunidades, caldeadas pela experiência e o ânimo
de novos colaboradores vão permitindo este renovar de ciclo, com novos
protagonistas e novas (ou nem tanto) lutas para abraçar.
Entendo a participação
na vida associativa e o papel da sociedade civil como um contributo para o
pluralismo e um reforço essencial da democracia participativa, e tão
independente e genuíno será esse trabalho quanto mais distanciadas as
associações estiverem dos poderes político-partidários, grupos económicos ou
agentes que a coberto da participação mais não pretendam que usá-las ou
instrumentalizá-las na sua escalada para o poder, e é esse o fio da navalha em
que muitas vezes as associações e a sociedade civil se vêm enredados.
Independentes dos políticos, mas não da discussão das políticas, actores e
não figurantes, eis o nosso papel, activo ou reactivo, mas sobretudo, vivo. A
falta de verbas e um clima pouco propício ao pluralismo nem sempre ajudam, mas
só é derrotado quem desiste de lutar por dar sentido à vida em comunidade.
Nem todos entendem isto, sobretudo os que encaram a participação como
antecâmara para lugares e sinecuras, ou como terreno para projectos pessoais ou
umbiguistas. Na Alagamares há um desígnio comunitário e identitário afirmado em
11 anos de estimulante vida cívica de que não queremos abdicar nem adulterar.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Há lobos na planície
A vitória de Trump é sintoma de que falta a esperança,
essa palavra talismã, e falta mostrar o osso com que, como o cão de Pavlov, de
novo voltaremos a ladrar. Para que tal aconteça, há que levantar do sofá,
largar o comando da televisão e o asténico isolamento das redes sociais,
silencioso espaço para gritar desesperos, buscar cumplicidades, e, todavia,
nada decidir que altere o pathos desta anormal normalidade com que os
populismos e cantos de sereia invadem o ecossistema político.
Já muitos de nós no passado lutámos contra a liberdade
raptada, guerras anacrónicas e por um futuro que por gerações nos foi negado.
Um dia tudo voltou a ser possível, e o Futuro teve rosto, calendário,
protagonistas, muitos cães e muitos Pavlovs, ladrou-se e latiu-se, e apareceram
ossos, carne, ração. Fez-se a democracia, mudaram-se retratos, discursos,
atitudes. Mas ao sétimo dia o povo descansou, contente com a obra feita, e
entregou-se à volúpia consumista, ao hedonismo egoísta, à anomia social, de bom
selvagem, o indígena ficou tão só selvagem, com casas a crédito, férias no
estrangeiro ou carro novo cada três anos. Barato, o vil metal abundou, o maná
igualmente, triunfantes mas cegos pelo sol, achou-se que se tinha alcançado a Terra
Prometida, depois de anos a errar no deserto, e depois dos grilhões do faraó.
Silencioso, o veneno do inimigo fervia no caldeirão, acelerado pelos trinta dinheiros com que a ele nos rendemos. Um dia,
legiões de cobradores, subprime, agências de rating e fundos abutres chegaram a exigir o dízimo, e, qual Sodoma atónita, tudo ruiu
então, transformado em sal às mãos dos que na sombra manobravam, sabedores da
fraqueza dos deslumbrados.
Como na caverna de Platão, onde agora, cegos e
aprisionados uivamos a perda da esperança e buscamos um rumo, haverá de chegar a luz, do
fogo primeiro,anunciando um novo tempo, depois. Mas tal
não virá de sortilégio do Olimpo, antes imporá a necessária revolta dos
escravos, o quebrar das algemas, a união denudada e sem temores. Imporá pôr à
prova se os escravos merecem um futuro ou, erraticamente, serão um mero quilombo de
deserdados em fuga e com liberdade vigiada.
Os dias são de surpresa e desnorte, chamamentos de Circe
e apelos a fugir de Ítaca, para, assustados, sulcar fronteiras, ziguezagueando a
vida e trocando voltas ao futuro, dias de sofrimento, exaustão, entre a loucura
e a entropia, o estilhaçar de sonhos ou o seu cruel adiamento. É chegado o
momento da renovação, do regresso da alva Iemanjá e dum assomo de magia que
faça das fraquezas forças, dos rebeldes líderes e das ideias planos. O grande
exército do Futuro, dos que se indignem com consequência, ajam com sabedoria,
tracem planos consistentes e de diferença, e que, reconquistada a chama, a
reponham na pira sagrada onde se venere a dignidade e perspective um Devir
ainda tem de ser formado em catártica e lenta caminhada. Até lá, vão vencendo as hordas bárbaras e é Inverno nas
almas. O futuro já não é como era.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
A democracia na enfermaria
O maior paradoxo das sociedades modernas e altamente mediatizadas é que a democracia pode facilmente ser capturada pelo autoritarismo ou prevalecer a sua desvalorização se uma representação de massas de valores ditos democráticos ocupar o espaço público e o espaço da representação política.
Nos Estados Unidos, em pleno folclore das presidenciais, o jogo da democracia privilegia o candidato que dela pouco sabe ou pensa poder comprar, o inefável Trump, incrível Hulk da sociedade mediática, prometendo esmagar os vizinhos preguiçosos e o Estado islâmico, seja lá o que isso for na sua testa onde pouco mais cabe que a descabelada cabeleira loura. E os cidadãos espectadores aplaudem, reféns da democracia-ecrã, transformada em reality show de soundbites, mistificações e encenação.
O mesmo se diga da forma como é governada a “União” Europeia. A Europa da paz de Schuman e Monet, unida do Atlântico aos Urais, não é mais que uma mera representação de pseudo democracia, dominada pelos poderes erráticos e não eleitos que ao mesmo tempo que posam para a “foto de família” de líderes iguais entre iguais, o fazem quando os grandes já tudo decidiram no jogo dos interesses, assim gerindo uma Europa à beira dos Grexit, Brexit e outros exit que a breve trecho deixarão definitivamente de fora os cidadãos, cansados de não se sentirem representados e sujeitos aos apelos a nacionalismos defensivos de que o internacionalismo dos interesses os não defende.
Também na política doméstica assim sucede, num jogo de máscaras que afasta os eleitores dos eleitos, com a mentira e a dissimulação elevados a valor táctico e o cansaço com a democracia a resvalar para a procura de causas de franja que mais não exijam que mero protesto nas redes sociais ou aglutinados em movimentos inorgânicos.
Este o mundo em que vivemos, de rebeldes sem causa por causa de mavericks e demagogos que descobriram o poder mágico da mentira como maneira de chegar ao Poder e em completo desnorte ideológico e doutrinário, e de ilusionistas manipuladores que transformaram o slogan em doutrina, o vómito em discurso e a imagem virtual em realidade. Nunca a informação circulou tanto e no entanto nunca a cegueira foi tão grande, todos erraticamente deambulando num mundo perdido, como na obra de Saramago, sem encontrar o fogo no topo da caverna, como angustiadamente o procuramos desde Platão. Perante a anomia de uns e a taquicardia de outros, continuamos ligados à máquina. Até quando?
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Sintra: 40 anos de poder local
Depois
do 25 de Abril, só a 14 de Junho, toma posse uma Comissão Administrativa,
composta por José Alfredo Costa Azevedo (presidente) José Joaquim de Jesus
Ferreira, Aristides Campos Fragoso, Lino Paulo, Jorge Pinheiro Xavier, Cortêz
Pinto, Álvaro de Carvalho, Manuel Monteiro Vasco, Carlos Quintela, António
Manuel Cavalheiro, Manuel Maximiano e Mário Barreira Alves.
É
um período conturbado e de mudanças. Em Maio de 1975, procede-se à inumação das
cinzas de Ferreira de Castro na serra de Sintra e em Junho desse ano à
inauguração a estátua de D. Fernando II no Ramalhão, tributos pelos quais se
bateu José Alfredo Costa Azevedo. José Alfredo abandona a Comissão
Administrativa em Fevereiro de 1976, agastado, ficando no seu lugar até às
primeiras eleições autárquicas, em Dezembro desse ano Cortêz Pinto.
Inicia-se
então o período democrático regular, com vereações eleitas por 3 anos, e a
partir de 1985, para mandatos de quatro, num total de 11 vereadores
(presidente+10).
A12
de Dezembro de 1976, o tenente-coronel Júlio Baptista dos Santos foi eleito primeiro presidente da Câmara depois
do 25 de Abril, e Maria Barroso presidente da Assembleia Municipal(depois
substituída por José Valério Vicente). PS-33285 (39,64%) 6; FEPU-20911 (24,90%)
3; PPD/PSD-11093(13,21%) 1; CDS-9164 (10,91%) 1; GDUP’s- 4422
(5,27%)0;MRPP-1266 (1,51%) 0; PCP (ML)- 890(1,06%)0
O
PS elege 6 vereadores (Júlio Baptista dos Santos, Rui Fonseca, Sérgio Melo,
Alcides Matos, Oliveira Barbosa e Valério Chiolas) a FEPU 3(Lino Paulo, Cortêz
Pinto e Mário Alves) o PPD 1(Eduardo Lacerda Tavares) e o CDS 1(Fernandes
Figueira).
Nesse
período é inaugurada em Mem Martins a cooperativa de ensino A Papoila e o
miradouro de Santa Eufémia. Em Setembro de 1977, o Museu Anjos Teixeira. Em
1978, a Academia da Força Aérea na Granja do Marquês.
Em
Dezembro de 1979, o despachante alfandegário José Lopes é eleito presidente da
CMS pela AD. Nesse início da década de oitenta, Sintra assiste a um crescimento
ainda moderado do urbanismo e das zonas urbanas, a par das preocupações com a
protecção da serra e o litoral. Politicamente a década é marcada por gestões
autárquicas da Aliança Democrática com forte presença da Aliança Povo Unido na
gestão da CMS.
AD- 42403 (40,16%) 5; APU-31930 (30,24%) 3; PS-25597
(24,24%) 3; UDP-2974 (2,82%) 0;PCTP/MRPP-718 (0,68%) 0.
Na
Câmara presidida por José Lopes são vereadores Lino Paulo, Júlio Baptista dos
Santos, Germano Coutinho, Jaime da Mata, Machado de Souza, Mário Alves, Teves
Borges, Jaime Alcobia, Frederico Estêvão e José Valério Vicente. Jaime
Figueiredo Gonçalves é presidente da Assembleia Municipal. Por esses dias é
inaugurada a sede da Associação de Comerciantes de Sintra, na Estefânea, e o
polémico Hotel Tivoli, na Vila. Também criada a Área de Paisagem Protegida de
Sintra-Cascais e inaugurados a escola primária da Várzea de Sintra, o Museu
Ferreira de Castro e a Repartição de Finanças do Cacém, entre outros
melhoramentos.
Em
Dezembro de 1982, é a vez de Fernando Tavares de Carvalho da AD vencer as
eleições autárquicas com 37379 votos, ficando a APU a 1500 votos com 35997.
Foram vereadores Lino Paulo, Raúl Curcialeiro, Salvador Correia de Sá, Jaime da
Mata, Correia de Andrade, Hermínio dos Santos, Vera Dantas, Fernando Costa,
Megre Pires e Felício Loureiro. Joaquim
Bento Sabino preside à Assembleia Municipal.
Tavares
de Carvalho cumpre dois mandatos, até Dezembro de 1989, período no qual renasce
o Instituto de Sintra, com António Pereira Forjaz como presidente e Francisco
Costa presidente da Assembleia Geral, abre a estação dos correios da Portela de
Sintra e ocorrem as calamitosas cheias de 1983. A Câmara aprova a primeira fase
das urbanizações do Grajal e de Fitares, com projecto inicial de 2000 fogos e é
lançada a primeira pedra do Hóquei Clube de Sintra em Monte Santos, inauguradas
escolas primárias na Portela de Sintra, Magoito e Lourel. A vida cultural tem algum
realce, na década, com o aparecimento do grupo de teatro CIDRA, o I Encontro de
Poetas Populares do Concelho de Sintra ou o Congresso Internacional do
Romantismo.
AD-37379 (32,96%) 4; APU-35997 (31,74%) 4; PS-34776
(30,66%) 3;UDP-1233 (1,09%) 0; PCTP/MRPP-611 (0,54%) 0.
Em
Dezembro de 1985 a AD (PSD/CDS) volta a ganhar as eleições autárquicas, com
32185 votos, sendo Fernando Tavares de Carvalho reconduzido, a APU de Lino
Paulo fica a cerca de 700 votos com 31475.
PPD/PSD-32185
(32,27%) 4; APU-31475 (31,56%) 4; PS-21392 (21,45%) 2; PRD-12542 (12,57%) 1;
UDP-1103 (1,11%) 0; PCTP/MRPP-454 (0,46%) 0.
O
brigadeiro Machado de Souza é eleito presidente da Assembleia Municipal de
Sintra. A Rádio Ocidente inicia emissões, é criado o GRAUS com vista à recuperação
do centro histórico de Sintra, nasce a CHESMAS -Cooperativa de Habitação
Económica, e o teatro Chão de Oliva,
impulsionado por João Melo Alvim e Maria João Fontaínhas. Decorrem as I
Jornadas de Teatro de Sintra, participando grupos como Os Filhos do Povo, de
Montelavar, o Teatro da Sociedade, de Sintra, Masgiruz, de Queluz e outros, e
nasce a Orquestra Regional de Colares, sob inspiração de David Tomás e Fernando
Moreira.
Em
1988 Algueirão-Mem Martins é elevada a vila e é criado o Instituto D. Fernando
II. A Assembleia da República aprova a criação da freguesia de Pêro Pinheiro e
Sintra gemina-se com a cidade marroquina de El Jadida (antiga Mazagão), abre a
Escola Profissional de Recuperação do Património.
Chega
Dezembro de 1989 e o industrial e comendador João Francisco Justino é eleito
presidente da Câmara como independente pela lista PSD/CDS, com 33% dos votos. A
CDU tem 30% e o PS 28%.
PPD/PSD-CDS-PPM-31546
(33,07%) 4; PCP/PEV-28686 (30,07%) 4; PS-26870 (28,17%) 3; PRD-1912 (2,00%) 0;
PCTP/MRPP-1211 (1,27%) 0; PPM-793 (0,83%)0; MDP/CDE-459(0,48%) 0;FER-143(0,15%)
0.
Da
nova Câmara fazem parte Rui Silva, Ferreira dos Anjos, João Carlos Cifuentes,
Lino Paulo, Jaime da Mata, Felício Loureiro, Vera Dantas, Correia de Andrade,
Álvaro de Carvalho e Pinto Simões. Rómulo Ribeiro é presidente da Assembleia
Municipal. Decorre a I Trienal de Arquitectura de Sintra, inaugura-se o novo
relvado do Sintrense, mas ao longo do ano de 1990 degrada-se a relação entre o
presidente Justino e o vereador do CDS Ferreira dos Anjos, originando
sindicâncias à Câmara de Sintra, até que em Outubro desse ano o PSD lhe retira
o apoio político. Abre o mercado de Mem Martins e surge a cooperativa cultural
Veredas. Depois dum período conturbado João Justino perde o mandato no Tribunal
Administrativo, sendo substituído em 1992 pelo vice-presidente Rui Silva, do
PSD, que completa o mandato, no meio de alguma turbulência política.
De
1994 e até 2001 (2 mandatos) ocupa a presidência a socialista Edite Estrela,
num período em que Sintra sobe a Património Mundial da Humanidade, se conclui o
IC-19, abrem o Centro Cultural Olga de Cadaval e o Museu de Arte Moderna, a
Câmara adquire a Quinta da Regaleira e é criado o Parque Natural de
Sintra-Cascais. Sintra tem agora 20 freguesias e roça os 400.000 habitantes.
São
vereadores nesse período Álvaro de Carvalho, Herculano Pombo, Pinto Simões,
Lino Paulo, Estrela Ribeiro, Viegas Palma, Fausto Caiado, Matos Manso, Paula
Alves, Rui Pereira, Baptista Alves entre outros. Fernando Reino e Jorge Trigo
presidem à Assembleia Municipal.
Resultados
de 1993: PS:43959(34,63%) 4; PCP/PEV-36592(28,83%) 4; PPD/PSD-34298 (27,02%) 3;
CDS-PP-4668 (3,68%) 0; MPT-1463 (1,15%) 0; PSN-989 (0,78%) 0; PCTP/MRPP-709
(0,56%) 0
Resultados
de 1997-PS-60166 (48,59%) 6; PCP/PEV-28682 (23,16%) 3; PPD/PSD-23247 (18,77%)
2;CDS-PP-3820 (3,09%) 0; PCTP/MRPP-1620 (1,31%)0; PSR-677(0,55%) 0; UDP-639
(0,52%) 0
Em
Janeiro de 2002 o social-democrata Fernando Seara vence as eleições, ocupando o
lugar por três vezes, com mandato até
2013.São vereadores neste período Marco Almeida, Luís Patrício, Lino
Ramos, Ana Duarte, Paula Simões, Cardoso Martins,Luís Duque, Baptista Alves, Guadalupe Simões,
João Soares, Ana Gomes, Rui Pereira, Domingos Quintas, Eduardo Quinta-Nova e
Ana Queirós do Vale. Ribeiro e Castro e Ângelo Correia são presidentes da
Assembleia Municipal. Neste período assistiu-se à transferência para a câmara
de muitas competências na área da educação, sendo a prioridade orçamental a
acção social, numa altura em que Sintra se encontra a à beira de destronar
Lisboa como primeiro concelho do país, um dos mais jovens e multiculturais.
Sintra adere à Aliança das Paisagens Culturais e surge a Parques de
Sintra-Monte da Lua como gestora da área do património mundial, inaugurou-se o
Centro de Ciência Viva, a Casa Mantero e o novo Tribunal, o Museu de História
Natural e a Casa de Cultura de Mira Sintra.
Resultados
de 2001-PPD/PSD.CDS-PP-49126 (39,32%) 5; PS-45470 (36,39%) 4; PCP-PEV-19698
(15,76%) 2; B.E-3362 (2,69%) 0; PCTP/MRPP-1406 (1,13%) 0;MPT-1021 (0,82%) 0
Resultados
de 2005-PPD/PSD.CDS-PP.PPM.MPT-59307(43,50%) 6; PS-42195 (30,95%) 4;
PCP-PEV-16858 (12,36%) 1; B.E-8909 (6,53%) 0; PCTP/MRPP-1405(1,03%) 0; PH-707
(0,52%) 0
Resultados
de 2009-PPD/PSD.CDS-PP.PPM.MPT-62368 (45,29%) 6; PS-46472 (33,75%)4;
PCP-PEV-15388 (11,18%) 1; B.E-8168 (5,93%) 0; PCTP/MRPP-1356(0,98%).
Desde
23 de Outubro de 2013 ocupa o lugar o independente Basílio Horta, eleito na
lista do Partido Socialista. São vereadores neste mandato: Rui Pereira, Piedade
Mendes e Eduardo Quinta Nova (PS) Marco Almeida, Paulo Veríssimo, Paula Simões
e José Matias da Silva (Sintrenses com Marco Almeida) Luís Patrício e Paula Neves
(PSD) e Pedro Ventura (CDU). Domingos Linhares Quintas preside à Assembleia
Municipal. Basílio Horta teve 26,83% dos votos (4 mandatos) Marco Almeida
(Independente), candidato preterido pelo PSD, conseguiu reunir 25,42% dos votos
(4 mandatos), enquanto a coligação PSD-CDS/PP-MPT de Pedro Pinto, obteve o pior
resultado de sempre, com 13,79% dos votos (2 mandatos) e Pedro Ventura (CDU)
somou 12,50% dos votos (1 mandato). Sem mandatos ficaram os candidatos, Luís
Fazenda (BE) e 4,52% dos votos, seguido de Barbosa de Oliveira (Independente)
com 2,23% e António Laires (PCTP-MRPP) com 2,03%. Nuno Azevedo (PAN) somou
1,93% dos votos, enquanto Nuno da Câmara Pereira (PND) obteve 1,03% e José
Lucena Pinto (PNR) obteve 0,61%.
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