O orçamento participativo é uma figura recente, tendo as experiências iniciais em Portugal ocorrido no concelho de Palmela, sendo um mecanismo que pode permitir aos munícipes influenciar os orçamentos públicos, precedidos de assembleias abertas e periódicas, tendo em Sintra sido adoptado já pelo segundo ano pela União das Freguesias de Sintra, iniciativa que se saúda. Contudo, o esquema adoptado é ainda embrionário, e na fase actual permite apenas dar um “brinde” a alguns projectos ou grupos, com isso se esgotando a liberalidade orçamental. O orçamento participativo deve sê-lo para todo o conjunto de receitas e despesas, e com prévia e participada discussão das grandes opções, o que não decorre do actual modelo, que premeia um ou poucos bafejados por uma votação tipo concurso televisivo, com isso se dando a ideia de “participação” e auscultação da vontade popular.
Orçamento participativo deve ser um corolário da participação cívica em todos os actos e projectos do governo da polis, não deixando a decisão apenas aos grupos políticos, que, se têm a legitimidade decorrente do voto popular, agem muitas vezes em função de estratégias partidárias, opondo-se ou apoiando não em função da bondade ou justeza da medida, mas do maniqueísmo próprio de ser sempre contra os adversários e sempre a favor dos correligionários.
O conceito é interessante, mas não pode ficar pela disputa do “rebuçado”, num contexto onde a decisão de gastar umas migalhas das verbas públicas pode decorrer de sindicatos de voto ou de capacidade de mobilização.
A favor, pois, do aperfeiçoamento dos mecanismos para com mais equidade este se concretizar também.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Pelas primárias para escolher os candidatos a deputados
As eleições primárias são eleições
que servem para escolher o candidato (ou cabeça de lista) de um determinado partido
às eleições presidenciais, legislativas ou locais. Nas eleições primárias,
todos os cidadãos, mediante os critérios definidos pelo partido, podem votar,
sendo ou não militantes do partido. Em Portugal, a experiência mais recente de
primárias foi levada a cabo pelo Livre, de modo a escolher a sua lista e o seu
cabeça de lista às eleições europeias, e pelo PS, na escolha do
secretário-geral António Costa.
Lá fora, os partidos socialistas em
Itália, França e Grécia (PASOK) também já usam o método das primárias para
escolher os seus candidatos. O recente modelo de primárias do PS inspirou-se
nestas experiências.
Este sistema tem várias virtudes:
-chama à participação pessoas que de
outra forma estariam mais afastadas da vida partidária, com os seus rituais e
liturgias, muitas vezes anquilosadas e assentes numa cultura de corpo e de
manutenção de lugares anos a fio;
-permite que a sociedade civil
interaja mais com os políticos e as políticas, refrescando a representação e
trazendo novos temas para o debate;
-responsabiliza mais o futuro eleito,
pela dupla sufragação em primárias e eleições, tornando a escolha mais
filtrada, escrutinada e discutida.
Aproximando-se o processo legislativo
em Outubro, creio que deveriam estar os partidos que já introduziram este
critério na sua agenda política- porventura talvez não nos Estatutos…_ a desde
já lançarem mão desta modalidade de escolha, fazendo da eleição uma decisão
onde a palavra Escolha para além de semântica ser substantiva e coerente. Num
sistema como o nosso, onde os candidatos saem do inner circle dos líderes e
muitas vezes não são conhecidos do eleitorado, do círculo, ou até do resto dos
militantes, tal traria uma saudável renovação, e já que a caixa de Pandora se
abriu, que não se feche logo de seguida...
domingo, 10 de maio de 2015
Sintra e Ferreira de Castro
Falar de Ferreira de
Castro é falar de Sintra, terra pela qual se apaixonou e onde passou largas temporadas,
e onde para sempre repousa, depois de, por pressão de outro grande sintrense,
José Alfredo Costa Azevedo, ter sido enterrado perto do Castelo dos Mouros, em 31
de maio de 1975, para a eternidade se ligando à sua terra de adopção.
Ligação que não passou só
pela ligação física, ao manifestar a vontade de “ficar sepultado à beira duma dessas poéticas veredas que dão acesso ao
Castelo dos Mouros», mas também pela do seu espólio literário, a Sintra
doado em 3 Abril de 1973, por influencia de Francisco Costa, destacado escritor
sintrense, e então director da Biblioteca Municipal, e de Alexandre Cabral, que
teve na Camiliana de Sintra um apreciável acervo bibliográfico e documental
para o desenvolvimento da sua investigação. Sendo presidente da Câmara António
José Pereira Forjaz, este, em carta de 10 de Abril de 1973, dirigida ao
romancista, manifestou-lhe alvoroçadamente o seu júbilo pela doação, aceite pela
Câmara a 18 de Abril seguinte, dum total de mais de vinte mil documentos, doravante
acessíveis aos investigadores.
A
Selva,
o seu mais conhecido romance, foi publicada em todas as latitudes, havendo que
juntar-se-lhe outras magníficas obras como Emigrantes,
Eternidade, Terra Fria (Prémio Ricardo Malheiros), A Lã e a Neve, A Curva da
Estrada, A Missão ou O Instinto
Supremo, entre outras, além da literatura de viagens, como A Volta ao Mundo, de 1939. Foi por duas
vezes proposto para Prémio Nobel de Literatura, e em França, obteve, em 1970, o
primeiro Prémio Águia de Oiro, do Festival Internacional do Livro de Nice,
atribuído por um júri internacional presidido por Isaac Singer.
O conto na obra de Ferreira
de Castro surge logo nos seus primeiros anos de emigrante no Brasil, em 1912,
quando trabalhou como caixeiro na região amazónica, tendo já nos anos vinte
publicado os volumes de contos A Casa dos
Móveis Dourados e O Voo nas Trevas.
Andrée Crabbé Rocha,
ilustre professora de Coimbra e que foi esposa de Miguel Torga, escreveu um dia
que o “conto casa-se bem com o
temperamento português, feito de pronta emoção e rápida catarse”. Em
Ferreira de Castro, a simplicidade e naturalidade corrente da linguagem, com a
força da expressão dos sentimentos do homem comum, a sensibilidade perante a
dor, a esperança no resgate da miséria e opressão, fizeram dele um escritor
aberto às multidões, captando simpatia e adesão, percursor entre os autores que
viram na arte uma missão social. É com limpidez que nos fala do homem sofredor,
manifesta o seu amor pelos humildes e a confiança no futuro, devendo ser lido
pelas novas gerações e relido pelas mais antigas, exemplo acabado do português
pelo mundo repartido.
Em Ferreira de Castro sobressaem as descrições de paisagens,
coloridas e densas, sejam as fragas e serranias do Norte, seja a exuberância
inebriante dos trópicos, ou as pequenas cidades e vilas ainda com rosto humano,
ao mesmo tempo que se assume como cirurgião de dramas, denunciante da
exploração do trabalho, narrador da árdua luta pela sobrevivência, num fresco
humano que, dando um panorama caleidoscópico duma sociedade desigual, nunca
deixou igualmente de aprofundar a psicologia dos seus personagens e o seu
sofrimento abnegado, figurantes dum mundo limitado e muitas vezes sem esperança,
acordando as as consciências para o espelho da Vida.
A passagem de Ferreira de Castro por Sintra está
documentada desde a primeira metade da década de 1940. No Hotel Netto escreveu
parte da sua obra, e em Sintra se encontrou e veraneou com escritores como Jaime
Cortesão e Mário Dionísio, em Seteais conheceu Stefan Zweig, pela Volta do
Duche deambulou, deixando memórias hoje a sépia recordadas.
Homem do Mundo, soube entender
os pequenos mundos que vivenciou, sofrendo, vivendo a vida, e no silêncio
gritante da sua máquina de escrever ou do papel libertador cantar as serras
beirãs e o império da Casa Grande e da Sanzala que moldaram o pathos de ser português.
A melhor homenagem que lhe
podemos fazer é lê-lo, reeditar as suas obras e penetrar nas suas narrativas
impregnadas de Vida, e, se possível, à sombra duma árvore no Castelo dos
Mouros, o melhor lugar para se contemplar o Mundo.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Os 138 anos da Sociedade União Sintrense
A actual Sociedade União
Sintrense, cujo primeiro nome era Real Sociedade União Sintrense, foi fundada no dia 8 de Maio de 1877 pelos ilustres sintrenses Silva Rosa,
José Simões, Joaquim Barreto e Domingos dos Santos Silva, e coincidiu com as festas de Nossa Senhora do Cabo, que antigamente eram conhecidas
como a Festa dos Solteiros.
A primeira sede da União
Sintrense foi numa dependência do antigo matadouro municipal, que funcionou até
cerca de 1847 no local onde é hoje o Palácio de Valenças, construído no fim do
século XIX por Cinatti, e o primeiro regente da banda
foi José Maria de Sousa, que era funcionário de uma escola agrícola em
Coimbra, e em 1897 era Carlos António de Abreu contra mestre de banda
marcial.
Em 1897 a sede da
Filarmónica foi transferida para um barracão na rua Gil Vicente, junto da
Igreja de São Martinho, e na esquina para as escadinhas de Briamante, onde funcionava também o Teatro Gil Vicente.
Naquela data a Sociedade
orgulhava-se de ter como sócios o Marquês da Praia e Monforte,
proprietário da Quinta defronte a Seteais, os Viscondes de Monserrate, o
Visconde de Monsanto, o Conde de Fontalva, António Mazziotti,
proprietário da Quinta Mazziotti em Colares, e ainda Andrelina dos Santos,
proprietária da Quinta da Brasileira na Vila Velha, e o próprio Rei D. Carlos.
Em 1877 a direcção da
Sociedade era composta por Joaquim Maria de Oliveira Cunha, primeiro comandante
dos Bombeiros Voluntários de Sintra, que foi sempre reconduzido no cargo de
presidente até 1897.O secretário era Carlos Augusto Ferreira e o tesoureiro
Alfredo Pedro dos Mártires, barbeiro de profissão, que tinha a oficina onde é
hoje a pastelaria Piriquita.
A terceira sede da Velha
colectividade foi no largo da Caracota, na casa que tem hoje o nº 1. Depois, em data
incerta, mudou-se para uma dependência do quartel de Infantaria, na Rua de Meca, quase defronte ao desaparecido Hotel Nunes, hoje Tivoli. Esta
antiga sede foi demolida após 1910, bem como os quartéis de Cavalaria e
Infantaria que rodeavam o Palácio da Vila até à Calçada do Pelourinho.
A quinta sede foi na
dependência do antigo quartel dos Bombeiros Voluntários, que funcionava no antigo Museu do Brinquedo, na rua Visconde de Monserrate. Nesta sede, onde anteriormente também funcionaram
os Paços do Concelho, ficava também a Associação de Socorros Mútuos. Nesta
quinta sede da colectividade, embora sem palco. davam-se vários espectáculos de
Ilusionismo e Teatro.
Mais tarde teve nova sua sede em
baixo do Mercado da Vila Velha, construído em 1894, onde já possuía um amplo
palco e sala, de tal modo que foi compartimentada, montando-se um bar e gabinete para a Direcção. Pela sétima e última vez a Sociedade foi transferida
para o local onde antes funcionou o Cineteatro Garrett, na rua Maria Eugénia Reis Ferreira
Navarro, no edifício onde ainda hoje está instalada.
As instalações foram
compradas ao comerciante de Lisboa Ramiro Leão no dia 21 de Dezembro de 1936,
pela quantia de 50.000$00.Era presidente Carlos Araújo, secretário José Azevedo, tesoureiro Silvino da Conceição, e vogais Joaquim de Almeida e
António Nunes. Comprado com bastantes estragos, devido a um
prolongado encerramento, foi recuperado devido a um grande número de
associados que voluntariamente lá trabalharam até altas horas da madrugada.
Em fins de 1940 e princípios
de 1941 constituíram-se em comissão Augusta de Carvalho, Beatriz Silvestre,
Henrique Lima Simões e Rodrigo dos Santos Soares, e foi dela que nasceu a
Noite das Camélias, com o patrocínio do Jornal de Sintra, e que tdesde então todos os anos se
realiza no dia 19 de Março, dia de S. José. A primeira Noite teve lugar a 19 de
Março de 1941, com a participação de Maria Almira Almedina, que escreveu um poema a
pedido da comissão organizadora. Participou também a banda de Jazz Os
Caprichosos, que animou a sala até altas horas da madrugada.
Desde 1941 que todos os anos a
Noite das Camélias se organiza neste local emblemático da Vila de Sintra, hoje dinamizado muito
graças à acção do actual presidente da direcção da Sociedade - Fernando Pereira.
domingo, 3 de maio de 2015
Razões de um escrevinhador
Fotos: Pedro Macieira
Dia 2 de Maio, no Café Garagem, e perante cerca de 80 amigos, fiz a apresentação do meu livro "Histórias Com Sintra Dentro".
Escrever é como fazer
um eletrocardiograma da alma, mas onde, ao
contrário da vida, a arritmia liberta e a normalidade mata. Do viking Sigurd ao pombo Óscar, da geração hippie à geração hipster, pela escrita me
aventurei inimputavelmente desmascarando
verdades não confessadas.
O escritor é um
correio: uma vez vertida a alma no papel-confessionário, envia-a
definitivamente ao seu destino, como se fosse um origami, e quem lê, com um olhar maculado por
uma história de vida pessoal e única, aí captará por certo algo novo e diferente. A obra, uma vez escrita, partirá definitivamente ao seu destino, fora do controle do escritor, até aí um tirano entrincheirado. O leitor pode
descobrir mundos, estados de alma, intenções, mas só ele em segredo guarda o
enigma das letras cifradas. Só há um segredo: quando o jogo das palavras nos for familiar e convide para a
viagem dos sentidos, como no tempo em que furioso escrevia em guardanapos de
café, aí terei ganho a ilusão da infinitude pelo prazer de escrever para os outros e não para o baú ou para o disco rígido.
Ventríloquo do indizível, visionário de uma Sintra Utópica, capturado pelo verbo,
escapuli-me pela porta da alma, delirando, umas vezes acolhendo-me em Sintra-Ninho, outras
nas Sintras da Vida. Vagabundo da palavra, fingidor sem fingimento,
invisível peregrino da vida, de Sintra irradia Luz, a Luz que só os cegos podem ver, pois
maior cegueira não há que a da paixão.
Morcego inquieto, de máscara em máscara patrulhei as sombras, perdido no desfiladeiro
lúdico. Chegou a um porto, esta catarse, outras se sucederão, enquanto a Lua cintilar.
Reportagem em
Reportagem em
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Lampedusa longe demais
Até
ao extraordinário ano de 1989 a Europa que a guerra separara em blocos
ideológicos e militares vivia na suspeição permanente da guerra fria,
fragmentada e ferida, sendo seu mais icónico símbolo o muro de Berlim,
fronteira entre mundos e esperanças, separada por esse ínfimo corredor a que os
americanos chamaram checkpoint Charlie, uns metros de barreira policial
para lá da qual estava, estático e perturbador, o mundo dito socialista e
gélidas e felinas Nikitas sempre prontas a seduzir os James Bond paladinos do
Ocidente e da liberdade.
Uma
providencial perestroika e a inexorável dialéctica da história derrubaram esse
e outros muros, muros físicos, comportamentais, congelado degredo de sonhos de
amanhãs adiados, e celebrada a liberdade recuperada, o Mundo de Lá se fez
Europa, os 15 passaram a 27, a palavra democracia recuperou lugar no léxico
político, Monet, Schumann, Willy Brandt ou Delors podiam dar os seus sonhos
como recompensados. A terra de leite e mel da Europa, antes Comunidade e depois
União trilhava novos caminhos, de cooperação e visão estratégica, finalmente e
a sério, a Europa dos Cidadãos. Da política agrícola passou-se ao derrube das
fronteiras e finalmente, voluntarista à união monetária, a cereja quase no topo
do bolo.
Porém-
há sempre um porém- o passo foi maior que a perna e onde só se descortinavam
virtudes um qualquer Lehman Brothers além-Atlântico fez balançar as ténues
estruturas criadas e regressar fantasmas e medos. A Europa de hoje, pusilânime,
tem bons e maus alunos, Merkels valquírias e Junckers sonolentos, avara, a
Europa dos Cidadãos morre na praia em Lampedusa, Schengen breve voltará a ser
apenas uma vila no Luxemburgo. Adamastores de laptop chamados “mercados”
plantaram-se no cabo tormentoso de Bruxelas, e à falta de navegadores
destemidos e homens do leme são hoje meros caixeiros de mercearia apenas
preocupados com a sua banca e a sua freguesia. E nem 10 anos passaram desde que
os chegados da Cortina de Ferro se juntaram ao clube...
Quo
Vadis,pois, Europa da dívida e da dúvida? Depois dos homens de Esparta terem
imposto frugalidade aos vencidos, de o Cavalo de Tróia dos resgates ter entrado
de rompante na cidade conquistada, de a Grécia estar prestes a cair à falta dum
Péricles que reestruture a dívida, pouco há a esperar com tais protagonistas,
segundas figuras em qualquer comédia de Aristófanes, corifeu de carpideiras
posando para a foto de família no fim dos Conselhos Europeus.
O
Mediterrâneo é hoje um cemitério flutuante, e a dita "Europa" que
precisa de imigrantes para não morrer de velha, resolve o problema como?
Propondo-se destruir os barcos que trazem os desvalidos da Esperança,
resolvendo o problema "no lado de lá", e reforçando o cordão
sanitário. Chama-se a isto Europa dos Valores. Que morram de fome, mas lá na
terra deles. Mais cedo que o esperado, o checkpoint Charlie voltou.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Lançamento do meu livro "Histórias Com Sintra Dentro"
Caros Amigos, no sábado dia 2 de Maio, pelas 17 horas, lançarei no Café Garagem, em Sintra- perto do Soldado Desconhecido- o meu livro "Histórias com Sintra Dentro". Apresentação do escritor e historiador João Rodil.
Produto de noites de insónia, assim não dadas por perdidas, é um livro dedicado a todos que em Sintra fazem a sua transumância, vagueando entre passados holográficos que bem podiam ter sido, e um presente errático em busca da Lua argêntea que um dia talvez surja num rasgo promontorial. Sem pretensões retóricas ou vanguardismos de cliché, um livro com "estórias"para ler ao ritmo de um café ou numa viagem de comboio. Apareçam!
Os que não puderem aparecer e desejarem adquirir o livro, podem fazê-lo enviando-me um mail para fernandogms932@gmail.com , posto o que responderei informando onde poderão adquiri-lo, nesta fase, de forma directa, em alguns locais de Sintra, a partir de 2ª feira dia 4 de Maio.
O valor de capa é de 10 euros.
Uma aristocrata na Quinta da Piedade
Aproxima-se a 50ª edição do Festival de Sintra, este ano dedicado à figura tutelar da Marquesa Olga de Cadaval.
Ficou na memória de muitos a imagem
austera e aquilínea de Olga, marquesa de Cadaval, na sua Quinta da Piedade,
levando o sortilégio da música perfumada através da serra chilreante, num
cenário que só Sintra tornou irrepetível. De Rubinstein a Stravinsky ou
Barenboim e Ashkenazy, muitos foram os que receberam ajuda e apoio de Olga
Nicolis de Robilant, descendente de Catarina a Grande e de doges venezianos. Nascida
em Turim, em 1900, pela casa da sua família passaram Verdi, d'Annunzio, Diaghilev,
Nijinsky e até Eugenio Pacelli, o futuro Papa Pio XII. Cole Porter fez-lhe uma
serenata em Veneza, Chaliapin cantou para ela, correspondeu-se com Ravel.
Aos 14 anos, em plena guerra,
juntou-se à Cruz Vermelha, como voluntária, e aos 20 conseguiu convencer
Rubinstein a fazer um concerto grátis para os Amigos da Música de Florença.
Aliás, tanto ele, como Ravel e Stravinsky estiveram juntos na sua casa de
Veneza. A sua amizade com Stravinsky teve um episódio macabro: às portas da
morte, manifestou desejo de morrer em casa dela, em Veneza, o que a deixou
hesitante, ante a ideia de voltar a dormir na casa onde este morresse. Recusou,
mas o mestre não chegou a saber, tendo morrido noutro lugar, entretanto.
Conheceu o marido, D. António Álvares
Pereira de Melo em Veneza, tendo vindo em 1929 para Portugal, onde, recuperando
a então arruinada Quinta da Piedade, em Sintra, a ela se dedicou depois de
ficar prematuramente viúva aos 38 anos. Francis Poulenc aí apresentou uma
récita da sua ópera O Diálogo das Carmelitas, e doravante a casa passou a estar
aberta a músicos e artistas que aí encontraram um paraíso perdido. Benjamin
Britten foi também um dos seus protegidos, tendo em sua honra composto, em 1964
a parábola religiosa Curlew River. Ali Jacqueline Dupré e Daniel
Barenboim passaram as primeiras semanas de casados, e a Salazar terá dito uma vez
que se queria ver entre nós os melhores, tinha de deixar entrar os “seus” russos, o que ela
fez, alojando-os, e deixando-os a compor e exercitar a arte que tanto
apreciavam.
Uma personalidade incontornável, pois, nunca por demais homenageada. Mais houvessem.
Uma personalidade incontornável, pois, nunca por demais homenageada. Mais houvessem.
sábado, 18 de abril de 2015
Sugestões Culturais para Abril e Maio
Sugestões, Eventos e Notícias
23 de Abril-20h-Tertúlia sobre Ralph Waldo Emerson
A tertúlia literária Os Meninos da Avó Renascidos promove
no próximo dia 23 de Abril mais um jantar literário, desta vez centrada sobre o pensador e escritor
norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882), cuja crítica das
convenções – religiosas, sociais e políticas – se revela
perfeitamente actual. Emerson, “voz oracular”, e um dos pais das letras
americanas, pode ajudar-nos a questionar e a agir sobre os dilemas
actuais do relativismo ético, incerteza ecológica, individualismo
egótico e indiferença social, levando-nos a procurar ler e inscrever a natureza humana numa relação sustentável com o ambiente.
Nesta tertúlia será apresentada uma antologia recentemente publicada intitulada Natural in Verso, um contributo de escritores e académicos portugueses e norte-americanos para
a implementação da “escrita da natureza” em Portugal. Com
chancela da Mariposa Azual, nela participam nomes como Margarida Ferra,
Miguel Cardoso, Frank X Gaspar, Gabriel Gudding, Jorge Telles de
Menezes, José Mário Silva, Mário Jorge Torres, Teresa F. A. Alves ou
Terry Gifford. A partir das 23h, será aberta a tertúlia aos poetas e presentes que tenham poemas seus ou textos para mostrar ou ler.
Desta
feita o jantar dos tertulianos será puramente Vegan, o que se
enquadra bem na temática proposta, contando-se não só com a presença de
responsáveis da editora Mariposa Azual, como também de alguns dos
mentores da edição da antologia, a qual se encontrará igualmente à venda
para os interessados. O preço da refeição (ás 20h) será de 5,50 euros,
a qual inclui uma bebida e café. A entrada é livre para os que não vão jantar, começando as actividades pelas 21h30m.
Legendary, Rua Dr. Alfredo da Costa, 8 r/c, Sintra, 219243825
As reservas podem ser efectuadas para os contactos:
jornal.selene@ gmail.com , Tlm. 96 235 5891, ou directamente no Café Legendary.
Produção das associações culturais Caminho Sentido, Alagamares e Teatro Tapa-Furos.
25 de Abril- 11h
Reabertura dos jardins da Quinta da Ribafria. Sendo uma causa que a Alagamares tem abraçado, convidam-se os associados e amigos a estar presentes e posteriormente transmitirem-nos por escrito a sua opinião sobre as obras e o futuro do local.
Reabertura dos jardins da Quinta da Ribafria. Sendo uma causa que a Alagamares tem abraçado, convidam-se os associados e amigos a estar presentes e posteriormente transmitirem-nos por escrito a sua opinião sobre as obras e o futuro do local.
25 de Abril- 15h
Rota d'Artes no Museu Anjos Teixeira
Palestra de Fernando Morais Gomes "História e estórias do 25 de Abril em Sintra". Entrada Livre.
7 de Maio-18h
Galeria Sintra Magic
Palestra de João Rodil "Sintra e a Geração d'Orpheu"
7 de Maio-18h
Galeria Sintra Magic
Palestra de João Rodil "Sintra e a Geração d'Orpheu"
Orpheu foi uma Revista Trimestral de Literatura publicada em Lisboa em 1915, com apenas
dois números publicados, e o seu vanguardismo inspirou movimentos
literários subsequentes de renovação da literatura portuguesa. Mau grado
o impacto negativo que a Orpheu causou na crítica do seu tempo, a
relevância desta revista literária advém de ter, efectivamente,
introduzido em Portugal o movimento modernista, associando nesse
projecto importantes nomes das letras e das artes, como Fernando Pessoa,
Mário de Sá-Carneiro, Almada-Negreiros ou Santa-Rita Pintor, que
ficaram conhecidos como geração d’Orpheu.
Não
deixando passar o centenário, vai a Alagamares promover uma sessão
denominada “Sintra e a Geração d’Orpheu” na 5ª feira, dia 7 de Maio,
pelas 18h, na Galeria Sintra Magic, no interior da Quinta do Relógio,
mesmo em frente da Quinta da Regaleira. Será orador João Rodil, escritor
e historiador, e autor entre outros do afamado “Serra, Luas e
Literatura”. Entrada Livre.
Na mesma sessão será igualmente apresentado o nº 15 da revista Nova Águia, dedicado a essa efeméride.
10 de Maio-13h
Salão de Galamares
Almoço de Confraternização com o Grupo Desportivo e Cultural de Galamares.
OUTROS EVENTOS EM PREPARAÇÃO:
30 DE MAIO- VISITA GUIADA A TOMAR, POR OCASIÃO DA FESTA TEMPLÁRIA DE TOMAR. 1 DIA
A PARTIR DE JUNHO E COM PERIODICIDADE MENSAL, EXCLUINDO AGOSTO, SERÃO ORGANIZADAS 4 SESSÕES QUE PODERÃO CONSTAR DE SESSÕES LITERÁRIAS, JANTARES OU COLÓQUIOS, DESTINADAS A ASSINALAR OS 40 ANOS DAS INDEPENDÊNCIAS DOS PAÍSES AFRICANOS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA, COM COM 2 PAÍSES EVOCADOS EM CADA SESSÃO. (EM ORGANIZAÇÃO)
E MAIS O QUE SE VERÁ!
Informações e inscrições para todos os eventos para:
924203824
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