Follow by Email

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sair da crise: América faz o que Portugal não faz



Nos Estados Unidos, Barack Obama apresentou ontem à noite um pacote de estímulo económico de 447 mil milhões de dólares (321,5 mil milhões de euros), com uma componente de isenções fiscais e outra de despesa. Mais de metade do pacote consiste em cortes na fiscalidade sobre o trabalho, que abrangem quer os empregadores, quer os trabalhadores. Na componente de novas despesas preveem-se entre outras medidas, 62 mil milhões de dólares (44,5 mil milhões de euros) para aumentar a cobertura do subsídio de desemprego em 2012 e financiar programas de apoio aos desempregados de longa duração. Obama propôs também atribuir 140 mil milhões de dólares (100 mil milhões de euros) à construção de infra-estruturas e auxílio aos estados federais. “Este plano dará um choque eléctrico à economia, que estagnou, dará confiança às empresas para investirem e contratarem, e haverá clientes para os seus produtos e serviços”, disse Obama aos membros da Câmara dos Representantes e do Senado. Ora em Portugal, segue-se precisamente o caminho inverso, primeiro descapitalizar, falir, despedir, cortar cerce, para depois renascer das cinzas(?).A directora-geral do FMI, Christine Lagarde, já saudou as propostas de Obama. Mas pelos vistos, a receita, que deveria ser adoptada em países como Portugal, só é bem vista noutros espaços económicos. Foi assim, aliás, com um plano semelhante, o New Deal, que a América saiu da Grande Depressão nos anos 30, ou a Alemanha se reergueu a seguir às guerras. O regresso dos keynesianos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Acordo Ortográfico: contra a grafia revisionista!


Com o início de novo ano lectivo vai ser gradualmente adoptado o famigerado acordo ortográfico, que em 2012 será alargado aos documentos oficiais. Camões e Castilho adoptaram a escrita fonética, Herculano a etimológica, em 1911 uma reforma ortográfica, conhecida como Reforma de Gonçalves Viana, aboliu muitas das duplas consoantes e privilegiou a pronúncia em prejuízo da etimologia, como ocorrera durante a Idade Média. O Brasil ficou de fora dessa reforma e seguiu com ortografia diferente, sendo que em 1940 Portugal adoptou um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e em 1943 o Brasil um Formulário Ortográfico.Em 1990 foi adoptado um novo acordo ortográfico, que privilegia o critério fonético em detrimento do etimológico, em vigor no Brasil desde 2009 e  ratificado pelos países de língua oficial portuguesa em 2010. Em Portugal, adoptado gradualmente nos meios de comunicação social, o acordo modifica 1,6% das palavras do português europeu e 0,5% das do português do Brasil, entre 110.000 palavras estudadas.
Pessoalmente, creio que é o uso e o senso comum que faz a língua, e que mais importante que a ortografia é a dinâmica linguística que faz, por exemplo,- isso para mim mais grave- que sejam indiscriminadamente introduzidos muitos anglicismos sem tradução adequada  que se imponha, decorrentes do mundo globalizado onde as expressões económicas ou informáticas entram sem sequer se dar muito ênfase à sua tradução, acentuando um novo-riquismo cultural e o peso das relações de força políticas dominantes (rating, bullying, carjacking, upload, delete, ipod, e muitas outras). Por outro lado, foi alguma vez redutor para a expansão do inglês a existência de um inglês britânico, americano, africano ou caribenho? Ou o castelhano da Europa e o da América Latina?
A diferença enriquece, e é património. Afirmar uma unidade fonética é falacioso pois um português, angolano ou brasileiro pronunciará sempre a mesma palavra de forma diferente, e não é por escrever diferenciado que um português não entenderá um livro de Jorge Amado ou um brasileiro um de Lobo Antunes, as diferenças aí serão culturais, ressaltando-se mesmo que por vezes a língua se torna difícil de apreender não pela grafia mas dentro do seu grupo de falantes pelos regionalismos ou pelas expressões caídas em desuso e produto de épocas históricas. Aliás, se o critério era dar primazia ao fonético porque não caiu o h em homem, húmido ou outras em que o h é mudo?
Por estes motivos, enquanto não me for legalmente imposto o uso da grafia revisionista e novo-riquista inventada para dar trabalho aos editores, continuarei a escrever no português de Sebastião da Gama, Agustina, Lobo Antunes ou Cardoso Pires. Facciosamente.

domingo, 4 de setembro de 2011

Ruas de Sintra:Heliodoro Salgado

Uma das principais artérias de Sintra leva o nome desta figura, que não tendo ligação directa com a Vila foi um relevante orador e republicano, antes ainda da implantação da República.
Nascido em S. Martinho de Bougado (Santo Tirso) em 8 de Julho de 1861, Heliodoro Salgado era proveniente de uma família com alguma cultura e influência local, o pai Eduardo Augusto Salgado era engenheiro e desempenhou ocasionalmente as funções de jornalista e tradutor de obras de Renan.
Estudou no Colégio dos Órfãos juntamente com o seu irmão, Ângelo, após o falecimento do pai. Começou a desenvolver a actividade de jornalista no jornal O Operário de tendências socialistas, porque nessa altura estava inscrito no Partido dos Operários Socialistas. No final da década de oitenta do século XIX começa a aproximar-se cada vez mais das ideias republicanas a que veio a aderir próximo do Ultimato inglês de 1890. Nas eleições realizadas em Março de 1890 apresentou-se como candidato a deputado, mas obteve um resultado decepcionante. Manifestou sempre fortes preocupações sociais destacando-se como defensor da instrução popular, da melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras e a veemência dos seus textos valeu-lhe em diversas ocasiões a prisão e a censura dos seus escritos. A primeira vez que foi detido foi em 15 de Agosto de 1891 “Protótipo do proletário intelectual”[David Ferreira, Dicionário de História de Portugal, vol. V, dir. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992, p. 425-426], Heliodoro Salgado acaba por morrer apenas com 45 anos. Era considerado um grande orador nos comícios organizados pelos republicanos, para defender as causas dos mais fracos e injustiçados socialmente.
Considerado um dos progenitores do anarquismo intervencionista manteve-se ao longo da vida um “franco-atirador” que considerava: “os partidos políticos são, como as religiões, inimigos da novidade. São improgressivos como congregações. Os seus dogmas chamam-se programas. Cada artigo do programa é um artigo de fé.” A partir de 1897 instala-se em Lisboa e, logo no ano seguinte, integra a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, ainda que como suplente. Preside também ao Centro Republicano Pátria e à Assembleia-geral da Associação Propagadora do Registo Civil.
Dedicava-se à actividade lectiva de Português, Francês, Literatura, História e Filosofia em regime livre para conseguir alguns proventos para sobreviver em termos materiais.Assumindo-se desde bastante jovem como republicano e livre-pensador, foi iniciado na Maçonaria em 1890, com o nome simbólico de Lutero, na Loja Obreiros do Trabalho, de Lisboa, pertenceu depois às lojas União Latina, do Porto (1893) e Elias Garcia, de Lisboa (1897). Foi ainda secretário do Vintém das Escolas e redactor da respectiva publicação. Foi um dos participantes na Conferência Nacional Maçónica da Figueira da Foz em Setembro de 1906.Desempenhou, no período final da sua vida as funções de arquivista do Directório do Partido Republicano.
Faleceu em Lisboa a 12 de Outubro de 1906.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A classificação do edifício dos Paços do Concelho de Sintra


Incompreensivelmente, o IGESPAR decidiu recentemente arquivar o processo de classificação do edifício dos Paços do Concelho de Sintra como imóvel de interesse nacional, alegando não ter dignidade histórica ou artística suficiente. A Câmara de Sintra, e bem, decidiu recentemente promover a classificação enquanto imóvel de interesse municipal, quando passaram já 102 anos sobre a sua inauguração.
Até 1909 funcionou a Casa da Câmara de Sintra no edifício onde hoje se localiza o Museu do Brinquedo, na Vila. Foi em 25 de Novembro de 1903 que o então presidente, Dr. Virgílio Horta propôs, e a câmara aprovou, a construção de um novo edifício, bem como da cadeia comarcã e matadouro, nos terrenos anexos à capela da Quinta de S. Sebastião, propriedade municipal, tendo para tanto sido contraído um empréstimo de 34 contos junto do então Crédito Predial Português. Como sempre, em todos os tempos, muitos a tal localização se opuseram. Contudo a obra avançou, tendo o projecto sido entregue ao arquitecto Adães Bermudes, que elaborou um projecto romântico de gosto neo-manuelino, com uma torre de remates piramidais, corpo principal com "loggia" e claustrim neo-romântico no pátio central. O projecto ficou em 16 contos, e a obra, entregue a Tolentino da Costa, construtor de Lisboa, outros 16.
Ali se instalariam por muitos anos a Câmara, Conservatória e Tribunal, tendo a solene inauguração ocorrido a 21 de Junho de 1909.Para muitos, um edifício tardio, para outros bebendo nas fontes do Palácio da Vila, aí contínua ainda hoje, sendo quase sempre a primeira fotografia que os turistas tiram à chegada a Sintra.

O arquitecto Adães Bermudes, seu autor, (foto abaixo)foi um arquitecto de vulto na primeira metade do século XX.

Nasceu no Porto, em 1848,e aí se formou em Belas Artes, tendo estagiado em Paris com Paul Blondel. A sua obra é muito marcada pelo revivalismo, tendo no inicio do século ficado famoso pelas escolas primárias em estilo dito "português" que concebeu.Foi autor de vários edifícios regionais do Banco de Portugal (Bragança, Coimbra ,Évora e Faro)da C.M. Sintra, participou nos estudos para o Monumento ao Marquês de Pombal, em Lisboa, etc. Mas a sua obra mais consagrada foi a dum edifício Arte Nova na Almirante Reis, em Lisboa, com o qual ganhou o Prémio Valmor de 1908.Projectou igualmente o Hotel Astória, na baixa de Coimbra, bem como o edifício do Ministério da Agricultura na Tapada da Ajuda.
Em Sintra, para alem dos Paços do Concelho, projectou a Cadeia Comarcã, igualmente em estilo dito neo-manuelino, terminada em 1909,que era à época composta de 10 celas individuais, com sanita e chuveiro, sendo o r/c para os homens e o 1º andar para as mulheres.Morreu em Sintra em 19 de Fevereiro de 1948.
A classificação do dito edifício (que chegou a prever uma segunda torre, não executada) é um dever municipal que só peca por tardio.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mudar o governo das autarquias-o caso de Sintra


Trinta e cinco anos de experiências autárquicas, demonstram que é chegado o momento do virar de página no quadro territorial, de competências e de gestão das mesmas.
Há hoje em Portugal 308 concelhos e 4100 freguesias. Litoralizado o país, florescendo conurbações interligadas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sobretudo, impõe-se um novo quadro, não só porque a troika em “economês” o diz mas porque realidades há que exigem novas abordagens, unificando concelhos ou reajustando outros, pesem os bloqueios de paróquia que mais se devem afirmar no quadro de afirmação cultural que na representação institucional.
Por outro lado, mais ágil e adequado se afigura um modelo eleitoral em que as candidaturas sejam para a Assembleia Municipal, sendo presidente o candidato da lista mais votada, e os demais tendo assento na Assembleia, esta com poderes reforçados. O presidente, livre de escolher a sua equipa, apresentaria programa à Assembleia, poderia ser objecto de censura, em tudo acompanhando o modelo actualmente usado com o Governo. Sugeriria que, introduzindo a “nuance” da obrigação de, derrubado um executivo, os opositores deverem apresentar alternativa clara, a sós ou em coligação, em nome do princípio da governabilidade (moção de censura construtiva). Os membros da vereação poderiam ser livremente nomeados e demitidos pelo presidente, e este teria poderes reforçados, havendo vantagens na presidencialização do presidente da câmara, evoluindo do actual modelo para outro mais eficaz. O mesmo quadro para as juntas de freguesia, igualmente sujeitas a reorganização territorial
No quadro da gestão, haveria que criar sistemas de gestão partilhada de serviços e pessoal, num quadro inter-municipal e regional, numa economia de meios e reforço de recursos. Porquê a proliferação de serviços de águas, lixo, cultura, protecção civil por cada município, quando num quadro integrado se poderia obter vantagens de gestão, força de reivindicação, e operacionalidade reforçada?
O quadro das despesas deveria contemplar a maleabilidade do outsourcing, a eliminação de serviços duplicados e o das receitas, derramas sobre as mais-valias a favor de obras ou acções de interesse comunitário e maior participação na fatia dos impostos nacionais. O cheque para a cultura, em que 1% dos impostos e taxas cobrados serviria para financiar um fundo de promoção cultural gerido pela autarquia e pelos agentes culturais, e as isenções de parte do IMI para os proprietários que reabilitassem seriam outras medidas bem vistas.
No quadro do planeamento, prioridade à reabilitação urbana, agilizando os planos de pormenor, reduzindo os pareceres de entidades sempre que haja plano director aprovado e dispensando prazos de apreciação quando os pedidos se ajustassem a plano-tipo que a autarquia disponibilizaria. O recurso a empresas externas para a apreciação de projectos ou a manutenção de equipamentos num quadro de igualdade de oportunidades seria igualmente interessante.
No que a Sintra concerne, seria curial um número de vereadores não superior a 7 e uma assembleia municipal reduzida em 1/3. Já quanto às freguesias, porque não elaborar quadros de pessoal partilhados, ou as mesmas poderem recorrer aos serviços municipais em igualdade de circunstâncias que a Câmara Municipal. Quanto ao número de juntas, parece-me que as 3 que coincidem com o Centro Histórico- S.Maria e S.Miguel, S.Martinho e S.Pedro de Penaferrim poderiam ser acopladas numa só, tal como S.João das Lampas/Almargem do Bispo ou Terrugem/ Montelavar/ Pero Pinheiro (pesem embora rivalidades históricas que não têm de se reflectir no aspecto administrativo ou de gestão). A gestão das áreas da educação, saúde, polícia municipal, cultura ou cobrança de impostos poderia ser feita num âmbito intermunicipal, através de serviços dependentes de associações de municípios ou comunidades intermunicipais, por exemplo.
Claro, tudo isto são só ideias e sugestões. Seria no entanto útil que os visados tivessem uma palavra a dizer em vez de virem a ser surpreendidos com uma reforma autárquica feita a partir de cima e às pressas, e numa lógica meramente economicista.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A insustentável leveza da poncha

 


A duplicação de dívidas e despesas do Governo Regional da Madeira, inicialmente estimada em 223 milhões de euros, na avaliação da troika de meados de Agosto, atinge afinal os 500 milhões, decorrente de dívidas de uma empresa do Governo Regional com problemas financeiros (Estradas da Madeira) e a um acordo abortado de Parceria Público-Privada. Segundo a Comissão Europeia, estes deslizes exigem uma monitorização e gestão eficientes por parte das autoridades regionais mas também locais, dada a necessidade de conter riscos orçamentais. Significa pois que o sr. Jardim, que em autêntico regabofe governa a Madeira desde 1976, em total desprezo pela democracia e à custa de empregos a amigos e correligionários, que desrespeita os governos da República, a oposição, e até o Presidente da República, quando lhe interessa, continua a governar como qualquer Khadafi ou Hugo Chavez. Jardim fala e o Continente treme, e mete o rabo entre as pernas. E mesmo quem o ataca evita partir para acções concretas. Para que serve o Tribunal de Contas e a Procuradoria Geral da República? A gestão danosa não é um crime incluído no Código Penal? Até quando, alem das alarvidades depois de umas bebedeiras no Chão da Lagoa, agora agravadas com o destapar da “gestão” clientelar de Jardim ( e ao que parece, da qual a dita criatura se ufana) teremos de suportar tal estado de coisas?.O Continente tem sido sempre solidário com a Madeira e todos os portugueses estiveram com a Madeira depois das cheias do ano passado (muito culpa também do desordenamento do território que a política de betão de Jardim originou). Mas isso não lhe dá o direito a bater o pé, chantagear e o Continente salivar de medo. A legitimidade eleitoral não admite tudo. Pena em Lisboa ninguém ter coragem para lhe fazer frente e o confrontar. E era simples: bastava fechar a torneira e enviar dinheiro apenas depois da casa arrumada. Como a troika faz com o resto do país aliás...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nichos de cultura em Sintra


A revitalização cultural de Sintra passa, por, além da criação de sinergias e parcerias entre os agentes culturais dispersos, apostar num critério de cidade criativa, aprofundando a conjugação de 3 linhas de força, a que Richard Florida no seu livro The Rise of the Creative Class chamou os 3 T:Talento,Tolerância e Tecnologia.Mas para quem começa por baixo, os passos a dar passam não pela proliferação de eventos culturais contratados fora, mas antes de mais, a fim de criar um espírito grupal, pela disponibilização gratuita de espaços que possam ser centros de criatividade, encontro e troca de informações, algo como os ingleses fizeram com os Fab Labs, pequenas fábricas, ateliers, estúdios onde se possam instalar associações e pequenas empresas, fomentando uma economia criativa, com equipamento digital base, maquinas de impressão, equipamento gráfico, nas mais diversas áreas e onde possa haver troca de informação.Este conceito catapultou já cidades antes adormecidas para novos paradigmas, como Sheffield, em Inglaterra, ou Helsínquia, com o seu Design Distrit. Em Amesterdão, o envolvimento de 9% da população em actividades e indústrias criativas ajudou ao crescimento do emprego. Na Suécia, a instalação de uma escola de artes circenses em Botkyrka, a 20 km de Estocolmo originou um centro de criatividade chamado Subtopia.
 Chamar quem trabalha na ciência, arquitectura, design, moda, música, tecnologias e potenciar sinergias é o desafio que um espaço privilegiado como Sintra poderia agarrar. Pegue-se no Sintra-Cinema, na Portela, por exemplo, ou em instalações industriais encerradas, ou até na Quinta do Relógio (se chegar a ser municipal) e com um mínimo de condições de funcionamento, nada de faraónico ou de fachada, promova-se a junção dos criadores e criativos. Afinal a Cultura também contribui para o PNB e com relevo, como o recente estudo de Augusto Mateus elencou. Sintra Criativa, pegando nos modelos que já estão inventados, essa sim, pode ser uma Marca, criando uma verdadeira Economia da Cultura num território onde existem condições naturais, população jovem e criativa e factores de localização que podem gerar efeitos multiplicadores.

domingo, 28 de agosto de 2011

Homenagem a Tozé Brito nas Festas do Mar em Cascais


As Festas do Mar em Cascais homenageiam hoje Tozé Brito. Se para alguns este nome não dirá muito já, para a minha geração e para a música portuguesa representou uma época, naquilo a que se convencionou chamar música ligeira.
Aos 18 anos Tozé Brito tocou no Quarteto 1111.Participou no Festival RTP da Canção de 1972 com "Se Quiseres Ouvir Cantar".Os Green Windows, grupo paralelo ao Quarteto 1111, começaram em 1972 no Festival dos Dois Mundos, composto por José Cid, Tozé Brito, Moniz Pereira, Mike Seargeant e as mulheres de alguns deles. Cantavam em inglês, numa tentativa de internacionalização que não chegou a ser bem sucedida e duraram até 1976, quando decide formar os Gemini com Mike Sargeant, Fá e Teresa Miguel. "Pensando em ti", a primeira canção do grupo, foi editada em Dezembro de 1976 e atingiu o galardão de disco de ouro, o mais alto da altura. Foi considerado, tendo em conta as vendas, o compositor português do ano para a revista Billboard. Os Gemini foram os vencedores do Festival RTP da Canção, em 1978, terminando no ano seguinte.
"Bem Bom" das Doce vence o Festival RTP da Canção em 1982.Edita o disco "Adeus Até Ao Meu Regresso (Apenas oito Canções de Amor)" no ano seguinte."Penso em ti, eu sei" de Adelaide Ferreira vence o Festival em 1985.
Iniciou a sua carreira de compositor aos 17 anos, destacando-se a parceria com Ary dos Santos. As mais de 400 canções inscritas na SPA foram cantadas por intérpretes como Carlos do Carmo, Ana Moura, Luís Represas, Doce, Anjos, Cândida Branca Flor, Simone de Oliveira, Paulo de Carvalho, Tonicha, Francisco José, Tony de Matos, José Cid, Marco Paulo, António Pinto Basto, Herman José, Adelaide Ferreira, Dulce Pontes e Lúcia Moniz, entre outros. Escreveu em parceria com autores como José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa, César de Oliveira, António Tavares Teles, António Avelar Pinho ou Mike Sergeant, entre música para teatro de revista, comédias musicais, cinema e televisão. Parabéns, Tozé Brito!

sábado, 27 de agosto de 2011

O serviço público de televisão


Fala-se hoje muito da privatização da RTP, ou de um dos seus canais, e curiosamente, aqueles que quando se fala das empresas em monopólio, manifestam concordância em privatizar, para apanhar bife do lombo, quando se trata da televisão, e sobretudo se são da concorrência já não são tão entusiastas (então a liberdade de iniciativa e a concorrência são só para alguns sectores?)
No caso da televisão, há que garantir critérios de serviço público, mas tal deve ser não só para a RTP como para todos os canais. E serviço público é informar com isenção, formar com pluralismo, divertir e ouvir. E no caso actual, assistimos a uma televisão burocrática, com uma grelha de programas igual há 2 ou 3 anos, com a sequência Praça da Alegria- Telejornal- Novela- Portugal no Coração- Portugal Diário- Preço Certo- Telejornal- Malato e um ou outro programa fora de horas. Teatro na TV? Não há. Concertos, clássicos ou modernos? Raro. Desporto? Em concorrência, e com dinheiro dos contribuintes. Programas sobre a História de Portugal, Ambiente, Novas Tecnologias, Viagens, poucos e raros. Isto não é serviço público. E o arquivo da RTP, tesouro onde está a História de Portugal do século XX, não se salvaguarda? Com as Ongoing e Controlinveste, angolanos ou outros à espreita, é de esperar o pior, sobretudo quem não têm cabo ou opção.
Como está, a RTP deixa muito a desejar, enquanto meio diversificado e crítico. Mas a privatizar, há que ter cautelas, ou ainda iremos ter saudades do Fernando Mendes e das suas montras de torradeiras.
Irónico? ESPECTÁAACULOOOO!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Troika


A troika chegou com o plano já elaborado, e entregou a sentença, transitada em julgado e sem recurso: era aquele o plano, bonitinho, tecnocrático, europeu, a canga agora denominada memorando.
A troika reuniu para comunicar, más traduções de inglês fizeram crer que  se iria negociar, em três semanas encenou-se o que era preciso que na televisão parecesse ter sido arduamente negociado.
A troika quer emagrecer o Estado, larvares, os capatazes decidiram matá-lo à fome.
A troika quer racionalizar a saúde, respeitosos os capatazes decidiram matá-la da cura.
A troika quer liberar o emprego, providenciais, há muito os capatazes providenciam o desemprego geral.
A troika quer privatizar as empresas, modernos, os capatazes vão vendê-las na Feira da Ladra, a pataco.
A troika quer privatizar as águas, saciados, os capatazes nem  água vão deixar aos consumidores.
A troika quer menos câmaras e juntas, reformistas, os capatazes vão criar uma freguesia para o país todo, e como de costume, governar para os fregueses.
A troika quer portagens nas estradas, os capatazes blindaram-nas com euros, que andar a pé é bom para a pegada ecológica.
A troika não quer subsídios de Natal, os capatazes cortaram, obedientes,que o Pai Natal é perdulário e tem de viver com o rendimento mínimo e as filhoses são más para o colesterol.
A troika vem de 3 em 3 meses, os capatazes aguardam, a prestar contas e a mostrar como são bons alunos, o povo aguenta que está habituado.
A troika diz que não somos a Grécia, os capatazes dizem que Grécia nem pensar, até os gregos, coitados, já não são Grécia, esmifrados, apenas um gráfico descendente num qualquer escritório de notação financeira.
A troika quer liberalizar o arrendamento, os capatazes confiscam as casas, em breve todo o país terá os fogos devolvidos e as misericórdias lotadas, à mercê do ACNUR de Guterres, Darfur da Europa.
A troika quer vender as empresas públicas, os capatazes vendem a pataco a máfias russas ou tríades de jogo, é o mercado, estúpido!
A troika quer aumentar o IVA, os capatazes, salivares, antecipam-se .
A troika quer baixar a TSU, os capatazes querem oferecê-lo de mão beijada.
A troika põe-nos nos cuidados intensivos, os capatazes encomendam o enterro, certos de que ressuscitaremos ao terceiro dia e ao 10º PEC.
A troika é, os capatazes parecem.
Dolente, o país vai a banhos e  alheado,reclama do sol avaro, dos árbitros parciais ou dos aumentos anunciados. Mas, pachorrento, obedece. Preferível partir, no silêncio da noite e no egoísmo da emigração que lutar pelo futuro, desertar é possível. Como sempre, os portugueses chorarão o fado, e longe terão saudades, anacrónicos, só gostam de Portugal quando  longe dele.
Merecemos a troika.