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quarta-feira, 20 de julho de 2011

No Verão, não abandone o seu cão!

Com o Verão repetem-se regularmente os abandonos de animais, sobretudo cães, acto de insensibilidade a todos os títulos reprovável. A título pedagógico, algumas informações sobre os seus deveres se é dono de um cão e reside no concelho de Sintra:
Consideram-se como cães potencialmente perigosos, designadamente: Cão de fila brasileiro; Dogue argentino; Pit bull terrier; Rottweiller; Staffordshire terrier americano,  Staffordshire bull terrier e o  Tosa inu
Todos os cães devem ser identificados por método electrónico (aplicação subcutânea de uma cápsula no centro da face esquerda do pescoço), a ser efectuada por um médico veterinário. Desde 1 de Julho de 2008,todos os cães entre os 3 e os 6 meses de idade devem encontrar-se identificados electronicamente, bem como registados na  Junta de Freguesia da área do seu domicílio ou sede, a qual emitirá a respectiva licença.
Nos prédios urbanos o número máximo é de 3 cães por fracção (em prédios com condomínio, este, através de regulamento, pode estabelecer um número inferior). Nos prédios rústicos podem ser alojados até seis animais adultos( mais, tem de requerer especialmente)
No caso de cães perigosos, deve haver vedações com, pelo menos, 2 m de altura em material resistente, que separem o alojamento destes animais da via ou espaços públicos ou de habitações vizinhas; Espaçamento entre o gradeamento ou entre este e os portões ou muros que não pode ser superior a5 cm; Placas de aviso da presença e perigosidade do animal, afixadas de modo visível e legível no exterior do local de alojamento do animal e da residência do detentor. A placa prevista na alínea c) do número anterior deve, no caso de cães, incluir os dizeres “Cão Perigoso” ou “Potencialmente Perigoso” e pode conter, em termos gráficos, indicação ou figura da raça em causa
É obrigatório para todos os cães que circulem na via pública o uso de coleira ou peitoral com uma chapa com o nome e contacto do proprietário. É obrigatório o uso de açaimo, excepto se o animal for conduzido por trela. No caso dos cães perigosos ou potencialmente perigosos só podem circular na via pública ou em partes comuns de prédios urbanos com trela e açaimados devendo sempre ser conduzidos por detentor. O cão deve estar devidamente seguro a trela curta até 1m de comprimento, que deve estar fixa a coleira ou a peitoral. O detentor deve possuir seguro de responsabilidade civil válido e fazer-se sempre acompanhar da licença do animal bem como do comprovativo da vacinação anti-rábica e apresentá-las quando lhe sejam solicitadas.

Os detentores dos animais são obrigados a recolher as fezes produzidas por estes, devendo, para o efeito, utilizar, entre outros meios, um saco de plástico. Estão interditos à circulação de cães os espaços relvados e parques infantis, os campos de futebol, ringues de patinagem, recintos desportivos e outros locais públicos devidamente identificados  através de Editais.
Os animais encontrados na via pública, são objecto de uma observação pelos serviços por forma à eventual determinação da identidade do seu dono. No caso de ser identificado, este será notificado para proceder ao levantamento do animal, sob pena deste ser considerado, para todos os efeitos, abandonado, sendo o detentor punido nos termos da legislação em vigor.
São alojados, no Canil Municipal, os animais vadios ou errantes, por um período mínimo de 8 dias. Os animais podem ser entregues aos seus detentores, desde que, cumpridas as normas de profilaxia médico-sanitária em vigor e pagas as despesas de manutenção dos mesmos, referentes ao período de permanência no Canil.
O animal que tenha causado ofensa ao corpo ou à saúde de uma pessoa é obrigatoriamente recolhido pela autoridade competente, para centro de recolha oficial, a expensas do detentor. O animal que apresente comportamento agressivo e que constitua, de imediato, um risco grave à integridade física e que o seu detentor não consiga controlar pode ser imediatamente eutanasiado pelo Médico Veterinário Municipal ou sob a sua direcção. O detentor do animal agressor, durante o período de sequestro, é responsável por todos os danos causados e por todas as despesas relacionadas com o transporte e manutenção do mesmo.
O Canil Municipal recebe canídeos cujos donos residentes no Concelho de Sintra pretendam pôr fim à sua posse ou detenção. Nesse, caso, o dono subscreve uma declaração, fornecida por aqueles serviços, onde consta a sua identificação, a resenha do animal e a razão da sua entrega. Com a entrega a autarquia adquire a propriedade dos animais. O Canil não aceita ninhadas que não tenham capacidade autónoma de sobrevivência, salvo se acompanhadas da respectiva mãe em fase de aleitamento.
É proibida a deambulação e divagação de cães na via pública, lugares públicos e em terrenos que não sejam particulares, de quaisquer animais que não estejam directamente guardados ou conduzidos por pessoas e sejam nocivos. Os animais capturados serão guardados em local determinado pela Câmara Municipal, podendo ser procurados durante 8 dias, excepcionalmente prorrogáveis até 20, a contar da data da captura, sendo entregues a quem provar pertencerem-lhe, depois de pagas as despesas inerentes à captura e manutenção, acrescidas de 50%, sem prejuízo da coima que, face às circunstâncias do caso concreto, possa vir a ser aplicada. Se os animais não forem procurados dentro dos prazos estabelecidos consideram-se perdidos a favor da Câmara Municipal, depois de esgotados os trâmites legalmente aplicáveis.
Trate do seu cão e nunca o abandone. Ele é o seu melhor amigo.

domingo, 17 de julho de 2011

18 de Julho, Dia Internacional Nelson Mandela

18 de Julho é o Dia Internacional Nelson Mandela. Um dia para recordar os povos ainda oprimidos na sua liberdade e dignidade, bem como aqueles que lutam para sobreviver num mundo onde alguns controlam a riqueza de todas e tornam o mundo um lugar perigoso e  pouco sustentável. Apesar das praças Tahrir, dos indignados de Madrid, Lisboa e Atenas, apesar de pequenos progressos muito há ainda para fazer, e nem todos os passos dados têm sido de avanços.

Que o  exemplo de Madiba  ilumine aqueles que não desistem de lutar.

sábado, 16 de julho de 2011

Euro: Cada um por si e todos contra alguns


Os Estados Unidos não são a Grécia e Portugal, diz Obama. Portugal não é a Grécia, diz Passos Coelho. Todos se demarcam, e com isso enfraquecem a busca de soluções que são globais e assim a crise terá um só vencedor por entre os cacos do euro e as fraquezas do dólar: a China. Não é isolando uns e outros pondo-os de quarentena que se estanca uma epidemia que já se espalhou e para a qual ainda não há vacina eficaz testada.
Mas porque raio os países endividados não fazem uma frente comum que aja no plano político? A defesa dos interesses nacionais é um dever patriótico que devia preceder os paninhos quentes da diplomacia, sobretudo quando a suposta diplomacia nos é hostil e estéril. Portugal, primeiro, pois não é salivando para mostrar bom serviço à Alemanha e à troika (cujo programa está por demonstrar ser eficaz, a não ser para garantir o retorno do dinheiro emprestado) e esperando que os alemães acordem que vamos resolver os nossos problemas.
Os sacrifícios impostos (injustos, por excluírem o capital, e por serem mais papistas que o papa) vão ter um só resultado: empobrecimento da classe média (se é que ainda existe) redução do consumo e do investimento, e com isso dos impostos, e efeitos recessivos prolongados. Alguém consegue explicar como é que, admitindo que tudo corra bem, dum momento para o outro a economia depois de hipoteticamente chegar aos 3% de défice em 2013 vai crescer em 2014? Com que medidas? Com que carga fiscal? Onde vai aumentar o rendimento disponível e de onde virá o investimento? Ouvem-se os economistas e comentadores de serviço e a ausência de um fio condutor é clara, ninguém sabe de onde virá o milagre de transformar a água em vinho. O crédito ficará acessível? Quem fará os investimentos e onde? E a União Europeia, onde estará daqui a dois anos? Quem estude um pouco de economia e leia os relatórios sabe que são tudo panaceias e no fundo a perspectiva ´”estratégica” é: agora cumpre-se o programa da troika, bíblia sagrada outorgada por arcanjos de Frankfurt e Washington, e depois se verá. O tecido social, esse, perder-se-á inexoravelmente: os jovens qualificados fugirão para a emigração, as empresas falidas não voltarão, os funcionários públicos desmotivados serão menos interessados e competentes, restará um país anémico, menos soberano, com menor auto-estima e sem recursos ou estratégia que não seja a que estranhos lhe ditarem. A Europa, miragem salvífica dos anos oitenta, perdeu o rumo, e tranquilamente foi perdendo o braço de ferro com os BRICS em competitividade, inovação e controlo dos centros estratégicos de decisão. O Mundo, inexoravelmente, vai virar a Sul e a Oriente.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Urgente intervir em S.Pedro de Penaferrim!

Freguesia fundadora da Sintra reconquistada, sede de diversos monumentos jóias da coroa patrimonial nacional, há contudo diversas chagas e cicatrizes várias no seu valioso e simbólico legado artístico.
A começar no esventrado edifício da Gandarinha. Esteve para ser hotel, para albergar serviços municipais, lá está para mais de quinze anos ao abandono e sem solução à vista. Talvez cenário para um filme de terror de série B, quem sabe...
                               Quinta da Gandarinha
Mesmo no largo de S.Pedro, a Quinta D.Dinis letárgica suscita o espanto pela negativa de quem lá passa. Não há mão nos proprietários absentistas? Mete dó só de ver.
A Quinta de Santa Theresa, para onde se prometia um hotel, idem. Talvez algum mau olhado vindo do Túmulo dos Dois Irmãos...
                             Quinta de Santa Theresa
A Capela de Santa Eufémia peca pelos arranjos exteriores inexistentes, que desvalorizam um cenário magnífico sobre Lisboa e a envolvente. E as fontes, de que tanto se gabava José Alfredo nos seus livros? Secas e ao abandono. E outros mais.
                                 Fonte Velha de S.Pedro

S.Pedro, onde se acolheram os cavaleiros cristãos a quem D.Afonso Henriques outorgou o primeiro foral de Sintra em 1154 precisa de intervenção urgente no seu património edificado. Que não pode ser assacada à Junta de Freguesia, ou a  uma entidade só. Mas que urge.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Notas de rodapé para uma reforma administrativa


O Governo decidiu dar o exemplo e reduziu o número de ministros e secretários de Estado. Aqui ficam algumas sugestões para outras reduções:
Municípios- reduzir em 1/3 o número de vereadores e de membros da Assembleia Municipal.
Tendo o Governo 11 ministros para o país todo justifica-se que Lisboa e Porto tenham 17 vereadores? E justificam-se mais de 100 municípios com menos de 10.000 habitantes e 26 com menos de 4.000?
Juntas de Freguesia- a diminuição deveria ponderar de forma equilibrada e em termos de economia de escala o nº de habitantes e a interioridade, podendo mesmo proceder-se ao "downgrade" de vários municípios para juntas de freguesia.
Em ambos os casos, a redistribuição de competências poderia passar por redução de intervenção de serviços da Administração Central e incorporá-los nos respectivos serviços municipais (administrações hidrográficas, parques naturais, centros de saúde, parque escolar até ao secundário, finanças e museus ou monumentos nacionais, entre outros.
O recurso a outsourcing partilhado e atribuído por concurso poderia igualmente acoplar em grupos de municípios serviços municipalizados, empresas de tratamento de resíduos, agências de promoção turística e cultural.
As direcções de serviços da Administração Central desconcentrados deveriam coincidir com as 5 regiões já de certa forma estabilizadas: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. E nesse quadro se estabeleceriam as hierarquias das comarcas, comandos policiais, regiões militares, administrações de saúde e educação, agricultura, ambiente etc. O corpo directivo de tais organismos teria um plafond máximo e o recurso a avenças ou contratados reduzido aos casos em que nunca houvesse a possibilidade de através de meios próprios prosseguir fins públicos.
Empresas Municipais- A redução deveria ter em conta apenas a necessidade de prossecução com meios privados e receitas próprias os fins que ao nível do quadro de pessoal não pudessem ser prosseguidos. Não faz sentido as autarquias explorarem centros culturais com fins lucrativos quando foram pagos com dinheiros públicos e nada pagam pela concessão, ou participar em actividades claramente do âmbito do sector privado (energia, parqueamento, etc)
O critério de entrar 1 funcionário por cada 10 que saiam é redutor e não pode aplicar-se em todos os sectores(enfermeiros, médicos, polícias, funcionários judiciais, magistrados ou professores, por exemplo). O ideal será a adopção de horários reduzidos, teletrabalho, abandono de tarefas burocráticas, redução dos consumos intermédios, gestão por resultados.
Está por fazer um estudo sério sobre quantos funcionários são necessários, prevalecendo por imposição agora um critério meramente economicista, que por apressado, nunca produzirá a verdadeira reforma que se impõe: a que seja pacificamente negociada e aceite por todos os parceiros no processo. De outra forma, apenas se somará conflitualidade e desmotivação e o fim teleológico das reformas ficará por cumprir.

Os dias antes do default


A crise da dívida na Europa ameaça eternizar-se e com isso deixar os governos à beira de um ataque de nervos e todas as medidas que se venham a tomar inócuas e sem efeito prático, como se viu com a insensibilidade das agências de notação financeira (se alguém pensava que a voz de barítono do nosso novo PM era música para elas desengane-se, onde há lucros não há amizades). Estamos assim à mercê do capitalismo especulador financeiro mais atroz que se viu desde a Revolução Industrial. Que fazer?
Antes de mais, actuar em uníssono. Só que a Europa dita de “União” é um saco de gatos sem voz própria ou forte( Rompoy e Barroso são meros eurocratas)  e Berlim só vê o umbigo. Como obrigar os países do Directório a atacar de frente o problema? Quanto a mim, só a ameaça de incumprimento em simultâneo nas 3 ou 4 economias mais expostas até ao momento pode levar os “grandes” por pressão dos seus bancos a agir. A crise é transversal e as medidas de quarentena para os “doentes” chegam tarde demais. Como com os pepinos, enganaram-se no alvo e criaram um problema maior do que o existente. Com os EUA em risco de default (quem diria!) a Europa paralisada e a China à espera, não sei que coelho pode a Europa tirar da cartola que não passe por danos colaterais para alguma das partes envolvidas. E afinal, se o euro acabar, ao fim de 10 anos, muitas outras coisas tidas como imutáveis também acabaram: a União Soviética, a Sociedade das Nações, os impérios coloniais. Francis Fukuyama escreveu há uns anos que o fim da URSS significou o “fim da História”. Nunca se deve dizer nunca. Tudo está em aberto, sabe-se lá se sobre as brasas fumegantes do fim do euro...

terça-feira, 12 de julho de 2011

O Reviralho


Por estes dias é ver alguns amigos conectados com o partido do anterior governo preocupados com os lugares que podem vir a deixar de ter e outros adeptos do novo ansiosos por um telefonema para um qualquer lugar na nova administração. Nos bons velhos tempos, era nisto que se traduzia o reviralho e não parece ter mudado muito desde então. Uns falam em boys, mas, afinal, se há jobs...
Um dos problemas endémicos da sociedade portuguesa é que as reformas e os dirigentes não subsistem para lá do tempo de vida dos seus chefes, cabendo a cada governo que se sucede desfazer tudo o que o anterior fez ou fazer tábua rasa desse trabalho, muitas vezes produto do esforço de muitos técnicos sem partido e que ciclicamente se deparam a cada  novo dirigente com a afirmação de que “agora é que isto vai mudar…”. Quantos que trabalham em organismos públicos não ouviram ao longo dos anos esse discurso e quantos estudos e relatórios não jazem no pó das gavetas, à espera da ordem para fazer um estudo novo, num dispêndio de energias e trabalho. Como se fosse obrigação de cada um que chega depois ter de afirmar-se mudando rostos e distinguindo-se dos anteriores, nem que seja no estilo ou no título do papel timbrado.
Um país será tanto mais evoluído quanto a sua máquina administrativa estiver oleada, for profissional e pouco permeável ao novo ministro, dirigente ou assessor que chega. Assim acontece na Bélgica, por exemplo, onde há mais de um ano que não há governo (e ninguém parece estar preocupado com isso) ou nas sociais democracias nórdicas (eu sei, eu sei, é longe...). Por cá, enquanto o rotativismo do amiguismo e do cartão partidário não der lugar a outra cultura, as pessoas e os favores hão-de estar sempre à frente da competência ou da gestão por objectivos, pondo o país e a coisa pública depois e o assalto ao poder primeiro. Mas, ou me engano muito, ou alguém daqui a cem anos ainda estará a fazer este discurso e renovar esta constatação. Está nos nossos genes.

domingo, 10 de julho de 2011

Fauna de Sintra

Não, não é dessa que vou falar, mas dessa outra do reino animal. Entre as espécies identificadas como ex-libris da serra de Sintra, destacaria cinco. Se virem algum, não matem nem levem em cativeiro. São víboras e morcegos mas fazem menos mal que outros de duas pernas e que também têm Sintra por habitat.
VACA LOURA
Os lucanos (Lucanidae), ou vacas-loiras, são uma família de coleópteros polyphagos de tamanho médio a grande (10–90 mm), com umas 930 espécies descritas. Alguns são conhecidos pelo nome vulgar de vaca-loura ou carocha.Vivem preferentemente em bosques formados por árvores folhosas e alimentam-se da seiva, botões ou folhas. As fêmeas depositam os ovos nos troncos velhos, onde as larvas se desenvolvem. Algumas espécies, como o Lucanus cervus demoram cinco anos ou mais para alcançar o estado adulto.
VÍBORA CORNUDA


A víbora cornuda (Vipera latastei) é uma espécie de cobra da família Viperidae. Esta espécie pode ser encontrada em várias zonas, e habita de preferência nas serranias. É um animal difícil de encontrar, a não ser por mero acaso, pelo que, quando isso acontece, o registo visual é muito próximo, o que torna a situação pouco agradável. Não pelo seu tamanho, que é de cerca de 80 cm, mas sobretudo por ser venenosa. A sua cabeça, como acontece com as restantes víboras, tem uma forma triangular característica. A sua cor, é cinzento azulado, possuindo no dorso uma mancha mais escura, em zig-zag, ao longo de todo o corpo. Se encontrar alguma, não se aproxime, ela vai tentar fugir rapidamente. No entanto, se for mordido por uma destas cobras, não corra e tente ficar calmo, para evitar que o veneno se espalhe e procure imediatamente um hospital, principalmente se a vítima for uma criança, um idoso ou alguém com doenças crónicas. Ao cA víbora cornuda (Vipera latastei) é uma espécie de cobra da família Viperidae. Esta espécie pode ser encontrada em várias zonas, e habita de preferência nas serranias. É um animal difícil de encontrar, a não ser por mero acaso, pelo que, quando isso acontece, o registo visual é muito próximo, o que torna a situação pouco agradável. Não pelo seu tamanho, que é de cerca de 80 cm, mas sobretudo por ser venenosa. A sua cabeça, como acontece com as restantes víboras, tem uma forma triangular característica. A sua cor é cinzento azulado, possuindo no dorso uma mancha mais escura, em zig-zag, ao longo de todo o corpo. Se encontrar alguma, não se aproxime, ela vai tentar fugir rapidamente. No entanto, se for mordido por uma destas cobras, não corra e tente ficar calmo, para evitar que o veneno se espalhe e procure imediatamente um hospital, principalmente se a vítima for uma criança, um idoso ou alguém com doenças crónicas. Ao chegar ao hospital, tente descrever a cobra, para o médico poder fazer o tratamento necessário com antídotos, de forma a que a vida da vítima não seja posta em perigo, nem fiquem lesões graves para o resto da vida. Em Portugal, existe ainda a ideia que não existem cobras venenosas no país. Nada mais errado, o que não existe são cobras com venenos muito tóxicos, o que é significativamente diferente. Importante mesmo é que esta espécie faz parte da fauna portuguesa e a sua existência é muito importante no combate aos pequenos roedores. Em Portugal, existe ainda a ideia que não existem cobras venenosas no país. Nada mais errado, o que não existe são cobras com venenos muito tóxicos, o que é significativamente diferente. Importante mesmo é que esta espécie faz parte da fauna portuguesa e a sua existência é muito importante no combate aos pequenos roedores.

BOGA-PORTUGUESA

A boga-portuguesa é muito mais pequena que as bogas-de-boca-recta e não tem a boca ventral nem o lábio cortante das grandes bogas. É de tamanho e aparência um pouco semelhante ao do ruivaco mas as escamas são muito mais pequenas e numerosas. É um pequeno peixe endémico do nosso país, que só existe na bacia do rio Sado, na parte inferior da bacia do rio Tejo e nas pequenas ribeiras que desaguam no mar a norte de Lisboa, até ao rio Lizandro. Encontra-se muito ameaçada e muitas das suas populações que aparecem nas ribeiras sub-urbanas estão sujeitas a ambientes extremamente poluídos e degradados. É o caso das populações do rio Trancão ou da ribeira da Laje. Há mais duas bogas parecidas e muito aparentadas com a boga-portuguesa. Nas bacias do sudoeste Alentejano e Algarve (do Mira ao Arade) existe uma boga descrita em 2005: a boga do Sudoeste (Iberochondrostoma almacai). Carece também de grande protecção, já que ocorre em pequenos cursos de água muitop sujeitos à acção das secas. No Tejo, no Guadiana e na ribeira de Quarteira existe a boga-de-boca-arqueada (Iberochondrostoma lemmingii) com um pintalgado ainda mais visível que o da boga-portuguesa, que é um endemismo da Península Ibérica. Estas pequenas bogas, tal como os ruivacos e bogas do Oeste, desovam em grupos, lançando os pequenos ovos que aderem às pedras ou plantas aquáticas, onde se desenvolvem. A reprodução tem lugar no meio da Primavera. Comprimento máximo: 12,9 cm
Estatuto de conservação: Criticamente em Perigo
MORCEGO-DE-FERRADURA-PEQUENO

Em Portugal há 31 espécies de morcegos, de entre as quais 2  em perigo de extinção e 7  criticamente em perigo de  extinção. 
A maioria das espécies de morcegos é cavernícola, abriga-se em grutas e minas, no entanto algumas espécies preferem cavidades dos troncos das árvores. Verifica-se, curiosamente, que várias espécies podem partilhar o mesmo local de abrigo.
Em Sintra prepondera o morcego-de-ferradura pequeno (Rhinolophus hipposideros) em estado vulnerável.
RÃ DE FOCINHO PONTIAGUDO
Única rã constante do Livro Vermelho de Portugal.
Taxonomia 
Amphibia, Anura, Discoglossidae.Endémica da Península Ibérica.Quase ameaçado.
A espécie apresenta uma área de ocupação entre 1.400 e
2.800 km2. Admite-se que apresente fragmentação elevada e um declínio continuado da área de ocupação, da quantidade e qualidade do habitat, do número de localizações e do número de indivíduos maduros. Endémica da metade oeste da Península Ibérica. admite-se que o número de indivíduos maduros  em Portugal seja superior a 10.000. Esta espécie ocorre geralmente nas imediações de pequenas massas de água com uma certa cobertura herbácea, preferindo terrenos encharcados, tais como prados e lameiros. Pode ser encontrada durante a reprodução em charcos sazonais ou permanentes, ribeiros, nascentes, canais de rega e em lagoas litorais, resistindo a níveis de salinidade relativamente elevados.

Em torno de valter hugo mãe

valter hugo mãe, está na capa dos principais jornais brasileiros por causa da sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty. O romance, “a máquina de fazer espanhóis” esgotou na Livraria da Vila, conhecida cadeia de livrarias de São Paulo, que todos os anos monta um espaço em Paraty durante os dias do festival literário.valter hugo mãe foi o único autor até agora a ter um livro esgotado na feira e ficou quatro horas a dar autógrafos a cerca de duas mil pessoas.
Valor firmado da literatura portuguesa contemporânea, edito aqui a entrevista que lhe fiz o ano passado para o site da Alagamares



O valter hugo mãe distribui-se por diferentes áreas de actividade artística, literária e musical e até é licenciado em Direito.Qual a sua propensão natural de todas estas? Como se definiria?

vhm-Sou um escritor. Não é possível comparar tudo o mais que faço, ou com que me envolvo, com o meu percurso e empenho na escrita. Sou, de facto, alguém que escreve e tem na escrita um eixo fundamental da sua vida.

A sua escrita reflecte uma visão muito contemporânea da nossa sociedade e valores.Que valores predominam hoje na sociedade portuguesa com os quais se revê?

vhm-Isso gostava eu de saber, que o mais que faço é andar à procura de entender. Os meus livros pretendem ajudar-me a conhecer e a aceitar, eventualmente, o lugar do outro. Não creio que sejamos piores do que os outros, creio é que podemos mesmo ser melhores do que já somos. Gosto de uma certa humildade portuguesa, mas lamento o menosprezo, gosto da familiaridade portuguesa, não gosto tanto da intromissão ou da inveja, como bem aponta José Gil. Uma sociedade melhor há-de ser sempre uma sociedade que procure os seus equilíbrios. Precisamos amenizar defeitos e potenciar virtudes, para isso há que diagnosticar e assumir.

Já ganhou um prémio Saramago. Revê-se ou aprecia mais o homem, o político, o escritor ou nenhum?

vhm-O José Saramago é um grande homem, é um grande escritor. Cresci a admirar o seu compromisso constante com as questões sociais e políticas, admiro que se incomode e não preciso de estar sempre de acordo com ele. Acho que é bem verdade aquela máxima que diz que o preocupante não é o barulho dos maus, mas sim o silêncio dos bons. O Saramago escreve magistralmente e nunca se calou, correndo riscos e incomodando-se. Gosto de gente assim, que pense e opine, para que quem detenha o poder não se julgue invisível ou impune.

Quem são para si os grandes escritores vivos da actualidade?

vhm-Saramago e Lobo Antunes (por quem tenho uma paixão avassaladora), Herberto Helder, Agustina, Ramos Rosa, Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, José Agostinho Baptista, Adília Lopes

Acha que um blogger é um escritor que não arranjou editor ou é um repentista que gosta de se ouvir a si próprio? Há uma literatura do tempo das redes sociais?

vhm-Um blogger pode ser de tudo. Há-os bons e maus. Há daqueles que hão-de passar a livro em esplendor, e outros que não chegarão lá. Acho que o blogue intensificou algumas características que já vinham a ser exploradas na literatura pós-moderna, a fragmentaridade e a atenção a um sem número de temas menores, aquilo que leva a uma espécie de literatura de tom diarístico. As recolhas do Pedro Mexia mostram isso bem. Penso que serão dos melhores livros resultantes de blogues que tivemos em Portugal. Por consequência o Pedro Mexia será dos nossos bloguers mais interessantes, sem dúvida. Mas ele já vinha dos livros, na verdade, o blogue veio depois.

Acordo Ortográfico: sim ou não?

vhm-Sim, se exactamente como está definido é que tenho dúvida. Mas acho fundamental que procuremos manter a língua coesa no âmbito dos PALOP. Se o mundo nos deixar com o português confinado a Portugal vamos ficar mais sozinhos, muito mais pequenos, numa espécie de claustrofobia que será difícil de ultrapassar e que nos prejudicará a todos os níveis, desde logo, e mais ainda, no que respeita à auto-estima.

O graffitti é uma forma de arte ou vandalismo?

vhm-Amo graffittis. Há gente fabulosa a pintar por aí. Adorava que me pintassem umas paredes, umas telas, uns papéis, o que fosse. Mas compreendo que nem todos os cidadãos pensem assim, e as casas são de quem são. Creio que há graffitters que entendem um pouco melhor a ética da coisa e fazem intervenções em lugares que, por algum motivo, se adequam melhor à filosofia rebelde da coisa. Penso que algumas zonas das cidades deviam ser declaradas de liberdade criativa a este respeito. Seria lindo. Já a malta dos tags é uma treta. Assinam por aí fora num problema de ego mal resolvido. Não gosto.

Porque escreve sempre com minúsculas?

vhm-Porque procuro aproximar-me do modo como verdadeiramente falamos, e não falamos com maiúsculas. O nosso discurso acentua-se naquilo que, pelo sentido das palavras, leva o interlocutor a uma espécie de sublinhado. Nos livros faço isso, ou procuro fazer, que é deixar ao leitor a atribuição da importância relativa de cada palavra. Há uma aceleração do texto e uma democratização da dignidade de cada expressão, de cada vocábulo.

Como vê a juventude portuguesa desta última década?

vhm-Infelizmente parece-me que a minha geração está a retroceder em valores. Nos anos oitenta vivemos numa liberdade, e sobretudo com os olhos postos numa prometida liberdade que, quando passamos a ser pais, voltamos a fechar.
Lamento encontrar em escolas que visito malta dos 15 aos 18 com valores mais antigos dos que os meus. Cheios de preconceitos e caminhando, por exemplo, para uma sociedade mais machista. Abomino essas cantoras tipo putas que se põem nos vídeos de cuecas a esfregarem-se nos carros ou nos gajos com ar de chulos. A América está a vender à juventude de todo o mundo uma imagem dos rapazes como durões antipáticos e das raparigas como descerebradas e no cio. É uma pena, e lamento que a malta nova depois mimetize estes clichés julgando que isso lhes dá poder.
Sintra para si suscita que tipo de sentimentos?
vhm-Tenho vertigens. Tentei um dia subir aí umas ruínas e fiquei petrificado nos primeiros degraus. Tinha vinte anos e foi um pesadelo. Quando penso em Sintra revivo um pouco esse momento em que percebi que o incómodo com as alturas podia ser extremo.

sábado, 9 de julho de 2011

Morreu Jorge Lima Barreto


Morreu Jorge Lima Barreto, um dos mais importantes musicólogos portugueses desde 1967. A par da produção musical, desenvolvida no grupo Telectu ou a solo, teve um papel decisivo, editando uma quase vintena de títulos dedicados às diversas músicas,interrelacionando-as historicamente ou confrontando-as com a filosofia: Revolução do Jazz (1972), Jazz-Off (1973), Rock Trip (1974), Rock & Droga (1982), Música Minimal Repetitiva (1990), JazzArte (1994), Música e Mass Media (1996), b-boy (1998), destacam-se entre outros. Se bem que a pertinência de muitas destas edições possa ser discutível, há que reconhecer o papel meritório desta empreitada no panorama nacional. Musa Lusa que editou em 1997 constitui uma generosa lufada de ar fresco, apresentando-se como “vulgata das músicas portuguesas contemporâneas”. Mais do que qualquer outro trabalho anterior, esta publicação de 1997 teve  por objectivo identificar e reunir sob um único volume todas as músicas que se fizeram em Portugal no último quartel do século XX, ou seja, no pós 25 de Abril de 1974 – embora a obra também aborde, mais superficialmente, o restante século XX.