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domingo, 10 de julho de 2011

Fauna de Sintra

Não, não é dessa que vou falar, mas dessa outra do reino animal. Entre as espécies identificadas como ex-libris da serra de Sintra, destacaria cinco. Se virem algum, não matem nem levem em cativeiro. São víboras e morcegos mas fazem menos mal que outros de duas pernas e que também têm Sintra por habitat.
VACA LOURA
Os lucanos (Lucanidae), ou vacas-loiras, são uma família de coleópteros polyphagos de tamanho médio a grande (10–90 mm), com umas 930 espécies descritas. Alguns são conhecidos pelo nome vulgar de vaca-loura ou carocha.Vivem preferentemente em bosques formados por árvores folhosas e alimentam-se da seiva, botões ou folhas. As fêmeas depositam os ovos nos troncos velhos, onde as larvas se desenvolvem. Algumas espécies, como o Lucanus cervus demoram cinco anos ou mais para alcançar o estado adulto.
VÍBORA CORNUDA


A víbora cornuda (Vipera latastei) é uma espécie de cobra da família Viperidae. Esta espécie pode ser encontrada em várias zonas, e habita de preferência nas serranias. É um animal difícil de encontrar, a não ser por mero acaso, pelo que, quando isso acontece, o registo visual é muito próximo, o que torna a situação pouco agradável. Não pelo seu tamanho, que é de cerca de 80 cm, mas sobretudo por ser venenosa. A sua cabeça, como acontece com as restantes víboras, tem uma forma triangular característica. A sua cor, é cinzento azulado, possuindo no dorso uma mancha mais escura, em zig-zag, ao longo de todo o corpo. Se encontrar alguma, não se aproxime, ela vai tentar fugir rapidamente. No entanto, se for mordido por uma destas cobras, não corra e tente ficar calmo, para evitar que o veneno se espalhe e procure imediatamente um hospital, principalmente se a vítima for uma criança, um idoso ou alguém com doenças crónicas. Ao cA víbora cornuda (Vipera latastei) é uma espécie de cobra da família Viperidae. Esta espécie pode ser encontrada em várias zonas, e habita de preferência nas serranias. É um animal difícil de encontrar, a não ser por mero acaso, pelo que, quando isso acontece, o registo visual é muito próximo, o que torna a situação pouco agradável. Não pelo seu tamanho, que é de cerca de 80 cm, mas sobretudo por ser venenosa. A sua cabeça, como acontece com as restantes víboras, tem uma forma triangular característica. A sua cor é cinzento azulado, possuindo no dorso uma mancha mais escura, em zig-zag, ao longo de todo o corpo. Se encontrar alguma, não se aproxime, ela vai tentar fugir rapidamente. No entanto, se for mordido por uma destas cobras, não corra e tente ficar calmo, para evitar que o veneno se espalhe e procure imediatamente um hospital, principalmente se a vítima for uma criança, um idoso ou alguém com doenças crónicas. Ao chegar ao hospital, tente descrever a cobra, para o médico poder fazer o tratamento necessário com antídotos, de forma a que a vida da vítima não seja posta em perigo, nem fiquem lesões graves para o resto da vida. Em Portugal, existe ainda a ideia que não existem cobras venenosas no país. Nada mais errado, o que não existe são cobras com venenos muito tóxicos, o que é significativamente diferente. Importante mesmo é que esta espécie faz parte da fauna portuguesa e a sua existência é muito importante no combate aos pequenos roedores. Em Portugal, existe ainda a ideia que não existem cobras venenosas no país. Nada mais errado, o que não existe são cobras com venenos muito tóxicos, o que é significativamente diferente. Importante mesmo é que esta espécie faz parte da fauna portuguesa e a sua existência é muito importante no combate aos pequenos roedores.

BOGA-PORTUGUESA

A boga-portuguesa é muito mais pequena que as bogas-de-boca-recta e não tem a boca ventral nem o lábio cortante das grandes bogas. É de tamanho e aparência um pouco semelhante ao do ruivaco mas as escamas são muito mais pequenas e numerosas. É um pequeno peixe endémico do nosso país, que só existe na bacia do rio Sado, na parte inferior da bacia do rio Tejo e nas pequenas ribeiras que desaguam no mar a norte de Lisboa, até ao rio Lizandro. Encontra-se muito ameaçada e muitas das suas populações que aparecem nas ribeiras sub-urbanas estão sujeitas a ambientes extremamente poluídos e degradados. É o caso das populações do rio Trancão ou da ribeira da Laje. Há mais duas bogas parecidas e muito aparentadas com a boga-portuguesa. Nas bacias do sudoeste Alentejano e Algarve (do Mira ao Arade) existe uma boga descrita em 2005: a boga do Sudoeste (Iberochondrostoma almacai). Carece também de grande protecção, já que ocorre em pequenos cursos de água muitop sujeitos à acção das secas. No Tejo, no Guadiana e na ribeira de Quarteira existe a boga-de-boca-arqueada (Iberochondrostoma lemmingii) com um pintalgado ainda mais visível que o da boga-portuguesa, que é um endemismo da Península Ibérica. Estas pequenas bogas, tal como os ruivacos e bogas do Oeste, desovam em grupos, lançando os pequenos ovos que aderem às pedras ou plantas aquáticas, onde se desenvolvem. A reprodução tem lugar no meio da Primavera. Comprimento máximo: 12,9 cm
Estatuto de conservação: Criticamente em Perigo
MORCEGO-DE-FERRADURA-PEQUENO

Em Portugal há 31 espécies de morcegos, de entre as quais 2  em perigo de extinção e 7  criticamente em perigo de  extinção. 
A maioria das espécies de morcegos é cavernícola, abriga-se em grutas e minas, no entanto algumas espécies preferem cavidades dos troncos das árvores. Verifica-se, curiosamente, que várias espécies podem partilhar o mesmo local de abrigo.
Em Sintra prepondera o morcego-de-ferradura pequeno (Rhinolophus hipposideros) em estado vulnerável.
RÃ DE FOCINHO PONTIAGUDO
Única rã constante do Livro Vermelho de Portugal.
Taxonomia 
Amphibia, Anura, Discoglossidae.Endémica da Península Ibérica.Quase ameaçado.
A espécie apresenta uma área de ocupação entre 1.400 e
2.800 km2. Admite-se que apresente fragmentação elevada e um declínio continuado da área de ocupação, da quantidade e qualidade do habitat, do número de localizações e do número de indivíduos maduros. Endémica da metade oeste da Península Ibérica. admite-se que o número de indivíduos maduros  em Portugal seja superior a 10.000. Esta espécie ocorre geralmente nas imediações de pequenas massas de água com uma certa cobertura herbácea, preferindo terrenos encharcados, tais como prados e lameiros. Pode ser encontrada durante a reprodução em charcos sazonais ou permanentes, ribeiros, nascentes, canais de rega e em lagoas litorais, resistindo a níveis de salinidade relativamente elevados.

Em torno de valter hugo mãe

valter hugo mãe, está na capa dos principais jornais brasileiros por causa da sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty. O romance, “a máquina de fazer espanhóis” esgotou na Livraria da Vila, conhecida cadeia de livrarias de São Paulo, que todos os anos monta um espaço em Paraty durante os dias do festival literário.valter hugo mãe foi o único autor até agora a ter um livro esgotado na feira e ficou quatro horas a dar autógrafos a cerca de duas mil pessoas.
Valor firmado da literatura portuguesa contemporânea, edito aqui a entrevista que lhe fiz o ano passado para o site da Alagamares



O valter hugo mãe distribui-se por diferentes áreas de actividade artística, literária e musical e até é licenciado em Direito.Qual a sua propensão natural de todas estas? Como se definiria?

vhm-Sou um escritor. Não é possível comparar tudo o mais que faço, ou com que me envolvo, com o meu percurso e empenho na escrita. Sou, de facto, alguém que escreve e tem na escrita um eixo fundamental da sua vida.

A sua escrita reflecte uma visão muito contemporânea da nossa sociedade e valores.Que valores predominam hoje na sociedade portuguesa com os quais se revê?

vhm-Isso gostava eu de saber, que o mais que faço é andar à procura de entender. Os meus livros pretendem ajudar-me a conhecer e a aceitar, eventualmente, o lugar do outro. Não creio que sejamos piores do que os outros, creio é que podemos mesmo ser melhores do que já somos. Gosto de uma certa humildade portuguesa, mas lamento o menosprezo, gosto da familiaridade portuguesa, não gosto tanto da intromissão ou da inveja, como bem aponta José Gil. Uma sociedade melhor há-de ser sempre uma sociedade que procure os seus equilíbrios. Precisamos amenizar defeitos e potenciar virtudes, para isso há que diagnosticar e assumir.

Já ganhou um prémio Saramago. Revê-se ou aprecia mais o homem, o político, o escritor ou nenhum?

vhm-O José Saramago é um grande homem, é um grande escritor. Cresci a admirar o seu compromisso constante com as questões sociais e políticas, admiro que se incomode e não preciso de estar sempre de acordo com ele. Acho que é bem verdade aquela máxima que diz que o preocupante não é o barulho dos maus, mas sim o silêncio dos bons. O Saramago escreve magistralmente e nunca se calou, correndo riscos e incomodando-se. Gosto de gente assim, que pense e opine, para que quem detenha o poder não se julgue invisível ou impune.

Quem são para si os grandes escritores vivos da actualidade?

vhm-Saramago e Lobo Antunes (por quem tenho uma paixão avassaladora), Herberto Helder, Agustina, Ramos Rosa, Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, José Agostinho Baptista, Adília Lopes

Acha que um blogger é um escritor que não arranjou editor ou é um repentista que gosta de se ouvir a si próprio? Há uma literatura do tempo das redes sociais?

vhm-Um blogger pode ser de tudo. Há-os bons e maus. Há daqueles que hão-de passar a livro em esplendor, e outros que não chegarão lá. Acho que o blogue intensificou algumas características que já vinham a ser exploradas na literatura pós-moderna, a fragmentaridade e a atenção a um sem número de temas menores, aquilo que leva a uma espécie de literatura de tom diarístico. As recolhas do Pedro Mexia mostram isso bem. Penso que serão dos melhores livros resultantes de blogues que tivemos em Portugal. Por consequência o Pedro Mexia será dos nossos bloguers mais interessantes, sem dúvida. Mas ele já vinha dos livros, na verdade, o blogue veio depois.

Acordo Ortográfico: sim ou não?

vhm-Sim, se exactamente como está definido é que tenho dúvida. Mas acho fundamental que procuremos manter a língua coesa no âmbito dos PALOP. Se o mundo nos deixar com o português confinado a Portugal vamos ficar mais sozinhos, muito mais pequenos, numa espécie de claustrofobia que será difícil de ultrapassar e que nos prejudicará a todos os níveis, desde logo, e mais ainda, no que respeita à auto-estima.

O graffitti é uma forma de arte ou vandalismo?

vhm-Amo graffittis. Há gente fabulosa a pintar por aí. Adorava que me pintassem umas paredes, umas telas, uns papéis, o que fosse. Mas compreendo que nem todos os cidadãos pensem assim, e as casas são de quem são. Creio que há graffitters que entendem um pouco melhor a ética da coisa e fazem intervenções em lugares que, por algum motivo, se adequam melhor à filosofia rebelde da coisa. Penso que algumas zonas das cidades deviam ser declaradas de liberdade criativa a este respeito. Seria lindo. Já a malta dos tags é uma treta. Assinam por aí fora num problema de ego mal resolvido. Não gosto.

Porque escreve sempre com minúsculas?

vhm-Porque procuro aproximar-me do modo como verdadeiramente falamos, e não falamos com maiúsculas. O nosso discurso acentua-se naquilo que, pelo sentido das palavras, leva o interlocutor a uma espécie de sublinhado. Nos livros faço isso, ou procuro fazer, que é deixar ao leitor a atribuição da importância relativa de cada palavra. Há uma aceleração do texto e uma democratização da dignidade de cada expressão, de cada vocábulo.

Como vê a juventude portuguesa desta última década?

vhm-Infelizmente parece-me que a minha geração está a retroceder em valores. Nos anos oitenta vivemos numa liberdade, e sobretudo com os olhos postos numa prometida liberdade que, quando passamos a ser pais, voltamos a fechar.
Lamento encontrar em escolas que visito malta dos 15 aos 18 com valores mais antigos dos que os meus. Cheios de preconceitos e caminhando, por exemplo, para uma sociedade mais machista. Abomino essas cantoras tipo putas que se põem nos vídeos de cuecas a esfregarem-se nos carros ou nos gajos com ar de chulos. A América está a vender à juventude de todo o mundo uma imagem dos rapazes como durões antipáticos e das raparigas como descerebradas e no cio. É uma pena, e lamento que a malta nova depois mimetize estes clichés julgando que isso lhes dá poder.
Sintra para si suscita que tipo de sentimentos?
vhm-Tenho vertigens. Tentei um dia subir aí umas ruínas e fiquei petrificado nos primeiros degraus. Tinha vinte anos e foi um pesadelo. Quando penso em Sintra revivo um pouco esse momento em que percebi que o incómodo com as alturas podia ser extremo.

sábado, 9 de julho de 2011

Morreu Jorge Lima Barreto


Morreu Jorge Lima Barreto, um dos mais importantes musicólogos portugueses desde 1967. A par da produção musical, desenvolvida no grupo Telectu ou a solo, teve um papel decisivo, editando uma quase vintena de títulos dedicados às diversas músicas,interrelacionando-as historicamente ou confrontando-as com a filosofia: Revolução do Jazz (1972), Jazz-Off (1973), Rock Trip (1974), Rock & Droga (1982), Música Minimal Repetitiva (1990), JazzArte (1994), Música e Mass Media (1996), b-boy (1998), destacam-se entre outros. Se bem que a pertinência de muitas destas edições possa ser discutível, há que reconhecer o papel meritório desta empreitada no panorama nacional. Musa Lusa que editou em 1997 constitui uma generosa lufada de ar fresco, apresentando-se como “vulgata das músicas portuguesas contemporâneas”. Mais do que qualquer outro trabalho anterior, esta publicação de 1997 teve  por objectivo identificar e reunir sob um único volume todas as músicas que se fizeram em Portugal no último quartel do século XX, ou seja, no pós 25 de Abril de 1974 – embora a obra também aborde, mais superficialmente, o restante século XX.

Vai um leitão à Negrais?


Começa hoje e prolonga-se até 17 de Julho o Festival do leitão de Negrais. Festival sobretudo para os estômagos e o paladar e a balança lá de casa...
Negrais, no concelho de Sintra, povoação muito próximo de Pêro Pinheiro(conhecida pela sua forte industria pedreira), vive quase exclusivamente dos leitões e para os leitões. Ao que consta, esta actividade tradicional remontará já ao século XVIII, quando terão surgido os primeiros assadores, que faziam negócio vendendo-o em pedaços nas feiras e mercados do concelho. A  diferença evidente entre o leitão de Negrais e o da Mealhada, é que o primeiro é assado aberto, enquanto o outro o é inteirinho e atravessado por um espeto. De resto, e em termos de sabor, genericamente não é possível dizer que um é substancialmente melhor que o outro, pois as diferenças terão apenas que ver com os próprios restaurantes em si. Na Bairrada cozem-no depois de recheado com os temperos, é empalado num espeto e assado lentamente em rolagem, manual ou automática, dependendo dos fornos.
O leitão de Negrais não é cozido, é assado inteiro, rachado ao meio como os frangos de churrasco e assado da mesma forma.
Os temperos da pimenta e afins são semelhantes, se bem que a tradição diga que o da Bairrada deve ser acompanhado com batata cozida. É preciso é que vivo o leitão não ultrapasse os 10 quilos e depois de morto não ultrapasse os 8. Destacaria daqueles que conheço três restaurantes na zona: o restaurante "Tia Alice”, no largo principal (há quem diga que este é o melhor dos leitões assados em Negrais, menos gordo (talvez por ser mais novo) e, logo, com pedaços mais estaladiços;"O Caneira", já à saída da aldeia, à beira da estrada, com duas salas grandes e estacionamento privativo, o melhor na minha opinião; e "O Palácio dos Leitões", na zona alta de Negrais, em plena encosta, mas fácil de encontrar porque está bem sinalizado o caminho a partir do centro de Negrais. É talvez maior de todos os restaurantes da terra, com 3 salas enormes e estacionamento privativo. Nos outros nunca comi pelo que não me pronuncio.
 O acompanhamento do leitão, em todas as casas, é a tradicional batata frita às rodelas acompanhado com  o vinho espumoso da Bairrada(branco ou tinto), sendo temperado com um indispensável molho de pimenta. Os nutricionistas torcerão o nariz mas o prazer do garfo por uns dias,( com conta e medida) fará as suas avarias. Bom apetite!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Comunicação social local e crise

A crise económica que se faz sentir não se reflecte só nas carteiras ou na segurança dos empregos, afecta também valores essenciais para a democracia como a pluralidade de opiniões e a diminuição de espaços de informação e debate das ideias. São menos livros que se editam, menos jornais que se publicam e compram, com isso diminuindo os espaços para o debate e afirmação de ideias e o plural escrutínio dos decisores e das decisões, ocasionando um verdadeiro défice democrático, filtrado pela opinião dominante e dominadora dos que conseguirem escapar. A crise económica, tolhendo a imprensa  e a liberdade de opinião também mata e desvaloriza a qualidade da democracia.
A ditadura da Verba, eterna inimiga do Verbo reflecte-se  em menor espaço para o debate ou afirmação de ideias ou tendências, para uma imprensa local anémica e esbracejando para sobreviver, e com isso afectando a qualidade das decisões, por falta de espírito crítico e atento da comunicação social local e da sociedade civil. Quantos jornais regionais e locais sobreviverão no final desta crise? Estará a opinião publicada reduzida à blogosfera, novo espaço de liberdade mas igualmente, por não escrutinada, arriscado espaço de libertinagem, quando usado por motivos pouco éticos?
Vivem-se dias de chumbo, e se pode parecer consolador o discurso vencido da vida de que as crises são oportunidades, corre-se igualmente o risco de ver toda uma geração que pensa e tem ideias e as quer exprimir ir ao fundo agrilhoada num bloco de cimento gizado pelas troikas do nosso descontentamento.
Quantos jornais locais, gratuitos ou pagos sobreviverão no final desta crise? E editoras? E rádios? E a liberdade de opinião e divulgação que não se mede no PIB das estatísticas mas pesa no ranking das liberdades, enriquecendo as sociedades e tornando-as por essa via mais abertas? A anomia e a sociedade dos indiferentes espreitam perigosamente, afogando a Sociedade Aberta pela qual tanto se pugnou nos últimos decénios, quando o céu era o limite.
É difícil denunciar o poder quando se depende do anúncio institucional para pagar a despesa, denunciar o patrão abusador quando é precisa a publicidade do seu stand, dizer mal do restaurante quando este paga uma página de anúncios, e sobretudo, manter um quadro de colaboradores quando uma imprensa dinâmica, de investigação e ao serviço da comunidade precisa de carros, gasolina, vencimentos, impressoras, rotativas, criativos. Ou então, ceder á informação tablóide e mercenária, fútil e bajuladora, promotora de vaidades ou interesses inconfessáveis. A Liberdade, tolhida pelo livro de cheques, já conheceu melhores dias.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Figuras de Sintra: Domingos Anes Jardo

Personalidade igualmente originária do concelho de Sintra foi D. Domingos Anes Jardo, nascido na Jarda (hoje Agualva-Cacém) e falecido em Lisboa a 16 de Dezembro de 1293. Foi sucessivamente chanceler do rei D.Dinis, bispo de Évora (1284-1289) e bispo de Lisboa (1289-1293).Natural do lugar de Jarda (actual Agualva), onde se situa o rio denominado Ribeira das Jardas, e que actualmente divide as freguesias do Cacém e Agualva, é também recorrente dizer-se que nasceu em Belas, já que até 1953, a actual freguesia de Agualva pertencia a Belas. Por sua vez, a freguesia do Cacém pertencia a Rio de Mouro. Desde cedo Domingos Jardo recebeu educação esmerada, tendo estudado na Universidade de Paris. Regressado ao reino, foi chamado por D.Afonso III para seu capelão-mor e membro do seu conselho. O seu filho D.Dinis fê-lo chanceler-mor do reino (uma espécie de primeiro ministro) e contribuiu para a sua elevação à cátedra episcopal, primeiro em Évora (1283), onde permaneceu até 7 de Outubro de 1289 data em que o papa Nicolau IV  o transferiu para a diocese de Lisboa.
Devido a lutas travadas no interior do cabido, apenas através da nomeação papal teria conseguido assumir-se como bispo de Lisboa. A repetida tentativa de Domingos Anes Jardo de alcançar o lugar de bispo de Lisboa e o interesse manifestado por este lugar tanto por sua parte suscitaram foi um dos factores que tornaram estas eleições particularmente relevantes das lutas entre o clero. De acordo com Rodrigo da Cunha, o bispo D. Mateus terá morrido em Setembro de 1282 e,com efeito, logo em 1283 D. Domingos é referido pelo rei como eleito de Lisboa, tanto na concessão do foral de Cacela, como na confirmação da posse da chancelaria E se bem que não se conheça ao pormenor a cisão ocorrida no interior do cabido de Lisboa e não se consiga identificar os cónegos apoiantes de cada uma das partes, a verdade é que o perfil dos oponentes permite entender a hierarquia que visivelmente se definiu entre as dioceses. Inquestionavelmente, Lisboa apresenta-se já, neste final do século XIII, como uma diocese de topo, almejada por muitos eclesiásticos. Domingos Anes Jardo teria tentado numa primeira eleição, cerca de 1283 ser eleito bispo de Lisboa. No entanto, o cabido cindir-se-ia e, em seu lugar, foi nomeado Estevão Anes de Vasconcelos, filho de João Peres de Vasconcelos e de Maria Soares Coelho. Domingos irá então para Évora, onde permanecerá até 1289. Durante esse período e à semelhança dos anos anteriores não cessou de receber doações por parte de D. Dinis. Ao longo dos cinco anos que permaneceu em Évora, recebeu autorização régia para fundar um hospital em Lisboa, além de alguns bens sediados em Lisboa e no seu termo. Desta forma, constituiu ou reforçou um património na cidade para cuja cátedra veio, de novo, a ser indicado nas eleições que se sucederam à morte de Estevão Anes de Vasconcelos. Em 1286 fundou o Hospital de São Paulo (actual Convento de Santo Elói em Lisboa, na foto abaixo) destinado não apenas ao ofício divino, como também ao fomento das letras, de que o reino tanto carecia; diz Frei Francisco Brandão na "Monarquia Lusitana", que os grandes talentos de letras que houve em Portugal nesta época se ficaram a dever à protecção do bispo. Nessa comunidade integrava 14 cidadãos honrados, caídos na pobreza, 12 sacerdotes e 6 estudantes pobres, os quais lá podiam aprender gramática, lógica, medicina, teologia e direito.
Faleceu em 16 de Dezembro de 1293,tendo sido sepultado na Capela do Sacramento do Convento de Santo Elói que ajudara a fundar (hoje aí estão serviços da GNR, em Lisboa).

Moody's: Alien está entre nós

                                 Raymond McDaniel, CEO da Moody's
As agências de rating tornaram-se o Alien da economia europeia, não se vê porém que a sra Merkel queira ser a Sigourney Weaver de serviço. Astrólogos da economia, esses senhores engravatados que, recusados em Wall Street vão para essas agências como refugo e segunda escolha, entraram no léxico económico dos portugueses pelos piores motivos. E a verdade é que enquanto a Europa não reagir em bloco, tratando como ataque ao euro o que parece ser apenas cerco à sua periferia, podem tirar-nos o subsídio de Natal, o ordenado, o carro ou o carrinho das compras do supermercado que nada será suficiente. Acção de conjunto exige-se e Portugal tem de falar grosso e deixar de ir a Bruxelas só para a fotografia de família das reuniões do Conselho  Europeu. A EU tem de olhar para a crise a sério, dando às agências (americanas) de rating o lugar que merecem,pois o que sucede não é já uma constipação dos PIGS, é a pocilga toda que está febril. Quem paga a estas agências? Porque não são condenadas por conflitos de interesses? Não está o CEO da Moody’s, Raymond McDaniel,por exemplo, a ser investigado pelo Congresso americano pelo seu papel na crise do Lehman Brothers de 2008? A hora é da Europa, sem o que nada será producente.