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sábado, 9 de julho de 2011

Vai um leitão à Negrais?


Começa hoje e prolonga-se até 17 de Julho o Festival do leitão de Negrais. Festival sobretudo para os estômagos e o paladar e a balança lá de casa...
Negrais, no concelho de Sintra, povoação muito próximo de Pêro Pinheiro(conhecida pela sua forte industria pedreira), vive quase exclusivamente dos leitões e para os leitões. Ao que consta, esta actividade tradicional remontará já ao século XVIII, quando terão surgido os primeiros assadores, que faziam negócio vendendo-o em pedaços nas feiras e mercados do concelho. A  diferença evidente entre o leitão de Negrais e o da Mealhada, é que o primeiro é assado aberto, enquanto o outro o é inteirinho e atravessado por um espeto. De resto, e em termos de sabor, genericamente não é possível dizer que um é substancialmente melhor que o outro, pois as diferenças terão apenas que ver com os próprios restaurantes em si. Na Bairrada cozem-no depois de recheado com os temperos, é empalado num espeto e assado lentamente em rolagem, manual ou automática, dependendo dos fornos.
O leitão de Negrais não é cozido, é assado inteiro, rachado ao meio como os frangos de churrasco e assado da mesma forma.
Os temperos da pimenta e afins são semelhantes, se bem que a tradição diga que o da Bairrada deve ser acompanhado com batata cozida. É preciso é que vivo o leitão não ultrapasse os 10 quilos e depois de morto não ultrapasse os 8. Destacaria daqueles que conheço três restaurantes na zona: o restaurante "Tia Alice”, no largo principal (há quem diga que este é o melhor dos leitões assados em Negrais, menos gordo (talvez por ser mais novo) e, logo, com pedaços mais estaladiços;"O Caneira", já à saída da aldeia, à beira da estrada, com duas salas grandes e estacionamento privativo, o melhor na minha opinião; e "O Palácio dos Leitões", na zona alta de Negrais, em plena encosta, mas fácil de encontrar porque está bem sinalizado o caminho a partir do centro de Negrais. É talvez maior de todos os restaurantes da terra, com 3 salas enormes e estacionamento privativo. Nos outros nunca comi pelo que não me pronuncio.
 O acompanhamento do leitão, em todas as casas, é a tradicional batata frita às rodelas acompanhado com  o vinho espumoso da Bairrada(branco ou tinto), sendo temperado com um indispensável molho de pimenta. Os nutricionistas torcerão o nariz mas o prazer do garfo por uns dias,( com conta e medida) fará as suas avarias. Bom apetite!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Comunicação social local e crise

A crise económica que se faz sentir não se reflecte só nas carteiras ou na segurança dos empregos, afecta também valores essenciais para a democracia como a pluralidade de opiniões e a diminuição de espaços de informação e debate das ideias. São menos livros que se editam, menos jornais que se publicam e compram, com isso diminuindo os espaços para o debate e afirmação de ideias e o plural escrutínio dos decisores e das decisões, ocasionando um verdadeiro défice democrático, filtrado pela opinião dominante e dominadora dos que conseguirem escapar. A crise económica, tolhendo a imprensa  e a liberdade de opinião também mata e desvaloriza a qualidade da democracia.
A ditadura da Verba, eterna inimiga do Verbo reflecte-se  em menor espaço para o debate ou afirmação de ideias ou tendências, para uma imprensa local anémica e esbracejando para sobreviver, e com isso afectando a qualidade das decisões, por falta de espírito crítico e atento da comunicação social local e da sociedade civil. Quantos jornais regionais e locais sobreviverão no final desta crise? Estará a opinião publicada reduzida à blogosfera, novo espaço de liberdade mas igualmente, por não escrutinada, arriscado espaço de libertinagem, quando usado por motivos pouco éticos?
Vivem-se dias de chumbo, e se pode parecer consolador o discurso vencido da vida de que as crises são oportunidades, corre-se igualmente o risco de ver toda uma geração que pensa e tem ideias e as quer exprimir ir ao fundo agrilhoada num bloco de cimento gizado pelas troikas do nosso descontentamento.
Quantos jornais locais, gratuitos ou pagos sobreviverão no final desta crise? E editoras? E rádios? E a liberdade de opinião e divulgação que não se mede no PIB das estatísticas mas pesa no ranking das liberdades, enriquecendo as sociedades e tornando-as por essa via mais abertas? A anomia e a sociedade dos indiferentes espreitam perigosamente, afogando a Sociedade Aberta pela qual tanto se pugnou nos últimos decénios, quando o céu era o limite.
É difícil denunciar o poder quando se depende do anúncio institucional para pagar a despesa, denunciar o patrão abusador quando é precisa a publicidade do seu stand, dizer mal do restaurante quando este paga uma página de anúncios, e sobretudo, manter um quadro de colaboradores quando uma imprensa dinâmica, de investigação e ao serviço da comunidade precisa de carros, gasolina, vencimentos, impressoras, rotativas, criativos. Ou então, ceder á informação tablóide e mercenária, fútil e bajuladora, promotora de vaidades ou interesses inconfessáveis. A Liberdade, tolhida pelo livro de cheques, já conheceu melhores dias.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Figuras de Sintra: Domingos Anes Jardo

Personalidade igualmente originária do concelho de Sintra foi D. Domingos Anes Jardo, nascido na Jarda (hoje Agualva-Cacém) e falecido em Lisboa a 16 de Dezembro de 1293. Foi sucessivamente chanceler do rei D.Dinis, bispo de Évora (1284-1289) e bispo de Lisboa (1289-1293).Natural do lugar de Jarda (actual Agualva), onde se situa o rio denominado Ribeira das Jardas, e que actualmente divide as freguesias do Cacém e Agualva, é também recorrente dizer-se que nasceu em Belas, já que até 1953, a actual freguesia de Agualva pertencia a Belas. Por sua vez, a freguesia do Cacém pertencia a Rio de Mouro. Desde cedo Domingos Jardo recebeu educação esmerada, tendo estudado na Universidade de Paris. Regressado ao reino, foi chamado por D.Afonso III para seu capelão-mor e membro do seu conselho. O seu filho D.Dinis fê-lo chanceler-mor do reino (uma espécie de primeiro ministro) e contribuiu para a sua elevação à cátedra episcopal, primeiro em Évora (1283), onde permaneceu até 7 de Outubro de 1289 data em que o papa Nicolau IV  o transferiu para a diocese de Lisboa.
Devido a lutas travadas no interior do cabido, apenas através da nomeação papal teria conseguido assumir-se como bispo de Lisboa. A repetida tentativa de Domingos Anes Jardo de alcançar o lugar de bispo de Lisboa e o interesse manifestado por este lugar tanto por sua parte suscitaram foi um dos factores que tornaram estas eleições particularmente relevantes das lutas entre o clero. De acordo com Rodrigo da Cunha, o bispo D. Mateus terá morrido em Setembro de 1282 e,com efeito, logo em 1283 D. Domingos é referido pelo rei como eleito de Lisboa, tanto na concessão do foral de Cacela, como na confirmação da posse da chancelaria E se bem que não se conheça ao pormenor a cisão ocorrida no interior do cabido de Lisboa e não se consiga identificar os cónegos apoiantes de cada uma das partes, a verdade é que o perfil dos oponentes permite entender a hierarquia que visivelmente se definiu entre as dioceses. Inquestionavelmente, Lisboa apresenta-se já, neste final do século XIII, como uma diocese de topo, almejada por muitos eclesiásticos. Domingos Anes Jardo teria tentado numa primeira eleição, cerca de 1283 ser eleito bispo de Lisboa. No entanto, o cabido cindir-se-ia e, em seu lugar, foi nomeado Estevão Anes de Vasconcelos, filho de João Peres de Vasconcelos e de Maria Soares Coelho. Domingos irá então para Évora, onde permanecerá até 1289. Durante esse período e à semelhança dos anos anteriores não cessou de receber doações por parte de D. Dinis. Ao longo dos cinco anos que permaneceu em Évora, recebeu autorização régia para fundar um hospital em Lisboa, além de alguns bens sediados em Lisboa e no seu termo. Desta forma, constituiu ou reforçou um património na cidade para cuja cátedra veio, de novo, a ser indicado nas eleições que se sucederam à morte de Estevão Anes de Vasconcelos. Em 1286 fundou o Hospital de São Paulo (actual Convento de Santo Elói em Lisboa, na foto abaixo) destinado não apenas ao ofício divino, como também ao fomento das letras, de que o reino tanto carecia; diz Frei Francisco Brandão na "Monarquia Lusitana", que os grandes talentos de letras que houve em Portugal nesta época se ficaram a dever à protecção do bispo. Nessa comunidade integrava 14 cidadãos honrados, caídos na pobreza, 12 sacerdotes e 6 estudantes pobres, os quais lá podiam aprender gramática, lógica, medicina, teologia e direito.
Faleceu em 16 de Dezembro de 1293,tendo sido sepultado na Capela do Sacramento do Convento de Santo Elói que ajudara a fundar (hoje aí estão serviços da GNR, em Lisboa).

Moody's: Alien está entre nós

                                 Raymond McDaniel, CEO da Moody's
As agências de rating tornaram-se o Alien da economia europeia, não se vê porém que a sra Merkel queira ser a Sigourney Weaver de serviço. Astrólogos da economia, esses senhores engravatados que, recusados em Wall Street vão para essas agências como refugo e segunda escolha, entraram no léxico económico dos portugueses pelos piores motivos. E a verdade é que enquanto a Europa não reagir em bloco, tratando como ataque ao euro o que parece ser apenas cerco à sua periferia, podem tirar-nos o subsídio de Natal, o ordenado, o carro ou o carrinho das compras do supermercado que nada será suficiente. Acção de conjunto exige-se e Portugal tem de falar grosso e deixar de ir a Bruxelas só para a fotografia de família das reuniões do Conselho  Europeu. A EU tem de olhar para a crise a sério, dando às agências (americanas) de rating o lugar que merecem,pois o que sucede não é já uma constipação dos PIGS, é a pocilga toda que está febril. Quem paga a estas agências? Porque não são condenadas por conflitos de interesses? Não está o CEO da Moody’s, Raymond McDaniel,por exemplo, a ser investigado pelo Congresso americano pelo seu papel na crise do Lehman Brothers de 2008? A hora é da Europa, sem o que nada será producente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Falar Português


Faz parte do argumentário político e é politicamente correcto defender a língua portuguesa, os seus 250 milhões de falantes e a importância do português como património cultural, língua de emoções, pátria de escritores, gruta labiríntica onde nasceu essa portuguesa e intraduzível  palavra chamada “saudade”. E porém, quão mal tratada ela está a todos os níveis, invadida há séculos por francesismos, anglicismos e outros ismos de modas passageiras. É bom e necessário num mundo aberto e globalizado falar línguas estrangeiras, mas, como dizia Eça de Queirós “há que patrióticamente falá-las mal”, o suficiente para nos compreendermos e fazermos compreender.Há entre nós um vício, quiçá associado a complexos de inferioridade culturais e atávicos de não zelar pela nossa língua, na forma escrita e na sua difusão oral. Nos dias que correm, imensos jogadores de futebol de língua castelhana desembarcam no nosso país e enchem os nossos estádios. Algum tenta sequer falar português? Nenhum. Em Espanha, logo o português recém-chegado ensaia um pirrónico “portunhol”. Mas mais: são os próprios jornalistas que os entrevistam na nossa terra quem logo começa a fazê-lo em castelhano, dando assim ambos o mau exemplo de afirmação da língua, quer de quem chega e nada se esforça por falar, quer da parte que quem cá está que logo se rebaixa ao recém-chegado. Quem viaje frequentemente repara que os espanhóis raramente falam noutro idioma que não o seu e sempre têm à disposição guias ou tradutores na sua língua. Ora, globalmente, os falantes do castelhano não são assim tão mais numerosos que os do português. E  se repararem, políticos brasileiros ou futebolistas brasileiros nunca no exterior deixam de falar no “seu” português açucarado, orgulhosos do seu idioma, mais que os egrégios avós europeus, envergonhados de Portugal e que sempre aos outros se apresentam como “pórtchugal”. Até nos neologismos raramente nos damos ao trabalho de traduzir as expressões, como sucede no Brasil, estamos cheios de download, delete,upgrade, rating, cash-flow, downsizing ou outras invasivas. É assim que a língua portuguesa perde terreno, não por falta de falantes mas por flagelo (outros aqui diriam hara-kiri…) dos próprios portugueses.Se não for o Brasil…
Uma recomendação: falem-se línguas, e muitas (eu falo quatro, e "arranho" mais…) mas patrioticamente  façam-no sem grande empenho em perfeição na forma ou entoação e quando falarem português façam-no orgulhosamente alto.
Assim fez Mourinho, ao receber o prémio da FIFA, nisso também se percebendo porque é que uns são grandes e outros aprendizes.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Descerrada placa evocativa de M.S.Lourenço

O escritor sintrense M.S.Lourenço, de que já aqui falámos a semana passada, foi lembrado através do descerramento de uma lápide no edifício onde viveu até à sua morte em 2009 e situado na Vila Velha, em Sintra. Uma merecida evocação a que deverão as forças vivas e autoridades dar seguimento estudando a sua obra e divulgando-a na sua fecundidade e originalidade.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

É o Chalé da Condessa um projecto esotérico?


Recentemente reinaugurado, a pergunta coloca-se de novo: será o Chalé da Condessa um projecto esotérico? 
O Chalé assenta sobre uma planta rigorosamente simétrica, orientada para o Palácio da Pena, e, segundo Vítor Adrião, as janelas e portas são em arcos góticos, como que aludindo à arte dos Argots ou mestres arquitectos da Idade Média.
A base rectangular tem à volta 22 aberturas, 10 portas e 12 janelas, e 2 óculos, onde, em cortiça, simbolicamente associada ao Fogo Criador do Espírito Santo, se contorna a Cruz Jaina, a Swástika, expressando o Pramantha no movimento da Evolução Universal cuja acção sobre a Terra se faz aqui através da corte do Quinto Senhor, composta de Adeptos Independentes, perfazendo o número mercuriano 222(presente nas referidas aberturas da casa).
Sendo Sintra regida por Vénus-Lua, feminina em todo o seu esplendor, caberia segundo esse autor  à condessa d’Edla o papel de Mãe Divina, assinalada pelo arcano 2(“A Sacerdotisa”) e o 22 (“A Laurenta”) do Tarot.
No edifício, a sua base rectangular é o duplo quadrado, dividido pelos óculos swastikos, referindo assim a fixação do Sol na Terra através da Lua, magistério da Alma cuja arte é pertença tradicional da Sacerdotisa.
O símbolo da acção selenita é aqui representado pela hera, subindo pela frontaria e no seu interior. A hera no culto dionisíaco tem a ver com a divinização feminina e a fecundação da Terra, sendo os 4 troncos de hera os símbolos da Idade do Ouro, da Prata, do Bronze e do Ferro. Os decorativos geométricos enriqueciam ainda mais esta sala,como que referindo de maneira muda a sabedoria dos Mouros, como 5ª linha do novo Pramantha, e cuja sabedoria é o maior segredo de Sintra, por ser a alavanca do regresso à Idade do Ouro, ou à arcádica Origem Divina.
Esse retorno estava assinalado no Y dos portais neogóticos, letra designativa do Itinerário da Mónada pelos diversos estádios conscienciais. O óculo e o Y dão a palavra YO ,precisamente a da divina essência.
O andar cimeiro do Chalet era cruciforme ,com 20 aberturas,8 portas e 12 janelas, correspondentes a outros tantos arcanos, dos quais o 20º(“O Julgamento”) tem a ver com a superação da Era, deste ciclo do Ferro ou Kali-Yuga. Enquanto isso, o 8º,(“A Justiça") corresponde á demanda da Iluminação,lançando-se através do 12º (“O Dependurado”) a imolação da personalidade material pelo triunfo da individualidade espiritual.
Na planta do edifício, a cruz sobre o duplo quadrado dividido pelo óculo ou círculo solar é referência imediata á crucificação do espírito na matéria.
Caberia assim segundo Adrião, à Condessa, libertar o espírito pelo recolhimento. Essa libertação do espírito corresponde à conquista da Pedra Filosofal, cujo emblema é a Rosa Cruz, assinalada na disposição do andar cimeiro e nos óculos no ponto divisório da residência.
Da apetência da condessa pela Alquimia, para além da planta da casa, outras referências deixam descortinar um percurso de Sacerdotisa: um seria o lavabo da cozinha, uma rã de cuja boca jorrava água para uma bacia contornada por hera. Sendo a rã designativa da rota(ou taro, anagramaticamente )a água correndo para o jarro só pode significar a liquefacção alquímica, sendo a água a purificação; outro, seria o sítio das pedras da Condessa, onde numa espécie de furna esta procedia á torrefacção de folhas de chá ,qual druidisa de saberes não revelados.
Esta mais uma nota, curiosa, sobre o cada vez mais apaixonante Chalet da Condessa Elise.

domingo, 3 de julho de 2011

Jan Van Eyck, um flamengo em Sintra

 
Jan van Eyck nasceu em Maaseik, perto de Liège, Flandres, antes de 1395. Durante muito tempo foi tido como o autor do chamado Livro de horas Milão-Turim, mas pesquisas posteriores demonstraram a incerteza de tal suposição.
A primeira informação segura a respeito da vida de Jan van Eyck foi a da sua nomeação como pintor oficial de João da Baviera, conde de Holanda, em 1422. Três anos mais tarde entrou para o serviço do duque de Borgonha, Filipe o Bom, para quem realizou várias missões diplomáticas secretas em Espanha e em Portugal, tendo estado em Sintra para pintar o retrato da filha de D.João I a quando do acerto do casamento desta, D.Isabel de Portugal, com o mesmo Filipe, o Bom. Foi também por seu intermédio e decorrente dessa visita que imagens de Sintra foram divulgadas no norte da Europa por essa época.
Em 1431, Jan van Eyck comprou uma casa em Bruges onde se casou e fixou residência. As únicas obras conservadas de Van Eyck correspondem à última década da sua vida. A mais antiga e conhecida é o políptico "A adoração do Cordeiro místico" (1432) da igreja de São Bavo, em Gand, retábulo complexo que despertou controvérsias por causa da inscrição que atribui a sua realização ao suposto irmão de Jan, Hubert van Eyck. Embora documentos atestem a existência de Hubert van Eyck,a sua intervenção na obra e a relação familiar com Jan permanecem polémicas. O políptico de Gand, de qualquer modo, revela o naturalismo de Jan van Eyck, e a tendência a introduzir na pintura elementos religiosos simbólicos de difícil interpretação.
O apogeu da arte de Jan van Eyck ocorreu com obras posteriores, como "Retrato de um jovem" (1432), "O casamento de Giovanni Arnolfini e Giovanna Cenami" (1434), "Madona do cónego Van der Paele" (1434-1436) e "Madona na fonte" (1439). Jan van Eyck morreu em Bruges, em Julho de 1441.
O historiador da arte Vasari atribui a van Eyck a invenção da pintura a óleo (com o uso de óleo resinoso sobre uma base branca). Nesse caso, o invento já se iniciou com o máximo de apuro técnico, para declinar em seguida, pois não há uma só obra, entre as de seus sucessores, que mantenha o mesmo brilho das cores em superfícies tão vividas. A visão de van Eyck, por mais estática que seja, também manteve a sua força, dando a tudo que foi pintado por ele um carácter espiritual, a despeito de seu grande interesse pelas aparências.

sábado, 2 de julho de 2011

Nomes...


Um nome deveria ser apenas um nome, contudo é em si por vezes  mais um significante que simples significado. Um António a solo é sempre um António, português, magro, de bigode, carpinteiro (todos os carpinteiros eram Antónios, como as dactilógrafas eram Suzettes ou os empregados de restaurante Zé (se for daqueles onde se serve bitoque em prato de barro e tem um toalhete de papel onde se escreve ou desenha, ao sabor do assunto.)
Os nomes têm classes sociais e servem para distinguir: os ricos chamam-se Diogo, Tiago, Salvador, Santiago, Manuel Maria (se for Manuel ou Maria é por certo algum suburbano casal da Brandoa ou Moscavide) os pobres são João, José, trinta qualidades de Maria duma santa qualquer, ou mais recentes, produto de muitas horas de novelas, a era dos Fábios, Reinaldos, Tatianas, Déboras ou Vanessas.
Os políticos, por exemplo, adoptam nomes que são por si marcas. Se na tropa somos apenas o apelido, nivelador e massificador, na política há o Presidente Cavaco não o Presidente Silva, o PM Passos Coelho ou só Passos e nunca o PM Coelho, Marcelo Rebelo de Sousa nunca seria ninguém se fosse apenas o prof. Sousa ou o prof. Marcelo Sousa, como muita gente não sobreviveria sem o pergaminho dum “de”, seguido de apelidos com vários “l” e vetustos “z” no lugar do ridículo “s”. São pessoas com nome, e se estiveram na política, pessoas a quem chamamos nomes . Por vezes refilam por atentado ao seu bom nome. Mas terá bom nome alguém que se chama Jardim, pedaço de relva com flores e terra, ou Portas, essa coisa por onde se entra e sai, sendo entrada ou saída consoante o ponto de vista, ou Rosas (pode um canastrão de suspensórios ter alguma coisa a ver com tão simpática flor amiga de pães e milagres?).
Um nome pode ser tudo e pode não ser nada. Há números que fazem nomes, sobretudo os de contas bancárias e há nomes para fazer número, especialmente se for um dos 230 convivas duma tertúlia que reúne para os lados de S. Bento. Nenhum jovem da Zona J se chamará Adolfo ou Epaminondas, como nenhuma tia de Cascais se chamará Josefa ou Aldegundes. E se por acaso tiver ocorrido um cataclismo social onde por loucura ou imprevidência um desses nomes tenha sido escolhido, logo a segurança dum apelido resguardará o seu usuário da vil tristeza ou do cheiro a pobre que tal nome possa acarretar.
Digam qual o vosso nome e talvez muitos vos chamem nomes….

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Censos 2011


A recente divulgação dos resultados provisórios dos Censos 2011 confirma que Sintra é hoje o segundo concelho do país (passou de 360.000 para 373.000 habitantes) deixando Gaia em 3º e Porto em 4º e, como se esperava, o boom de construção da década 1990-2000 baixou. Revelador é que ao contrário da tendência anterior, apesar de um crescimento de 13 mil habitantes, foram concelhos como Mafra, Montijo ou Almada, entre os da Área Metropolitana de Lisboa quem mais cresceu. Lisboa continua em 1º, com 545.000 habitantes, perdeu contudo 3% de população, afinal não tanto como o Porto que perdeu 9,7%. Atentos os saldos demográficos débeis recentes e o facto de muito do crescimento se ter feito à custa da imigração, há razões para temer pela futura sustentabilidade duma população lenvelhecida e com um saldo de natalidade de 1,4 filhos/habitante. Ao contrário do slogan que dizia hoje somos muitos, será que o teremos de alterar para concluir que amanhã seremos alguns...?